CANTO DO BACURI > Mari Satake: Depois da Tempestade

No original temos, Umi Yori Mo Mada Fukaku. Mais poético?

É o mais recente filme do premiado diretor Hirokazu Koreeda. Chegou a São Paulo com a Mostra Internacional de Cinema. Na época, achei que estrearia no circuito comercial no começo de 2017. Estreou antes, logo na segunda quinzena de novembro.

Este é mais um daqueles filmes que tratam de pequenas questões do cotidiano que giram em torno de pessoas comuns.

O personagem central é Ryota, um escritor que não anda em sua melhor fase de vida. Sem grandes ambições trabalha como detetive particular. Mas é um trabalho que não assume, diz que está ali apenas como parte de suas pesquisas para seu trabalho maior, a literatura.

O filme se passa boa parte do tempo, dentro do minúsculo apartamento de sua mãe, Yoshico. Interpretado magistralmente pela atriz Kirin Kiki, é em torno dela que a trama se desenvolve. Viúva recente do pai de Ryota e sua única irmã, as duas conversam enquanto a mãe cozinha para a filha. Falam de Ryota, o mal sucedido filho e irmão.

Endividado, ganhando muito pouco e com a pensão alimentícia de seu filho atrasada. Ryota corre atrás do dinheiro que é sempre muito escasso para ele. Sonhador que é acredita que conseguirá ganhar dinheiro apostando nas corridas de bicicleta. Sentado na arquibancada das pistas de corridas, torce ferozmente para o atleta em quem depositou suas fichas. Ali, parece ser outro Ryota, diferente daquele que se apresenta normalmente aos seus conhecidos.

Além da pensão atrasada do filho, há também o beisebol que o filho anda praticando e Ryota gostaria de comprar uma luva para o menino. É mais dinheiro que é preciso ganhar. Numa das tardes de treino de Shingo, seu filho, Ryota, de longe, vê que sua ex-mulher está acompanhada pelo novo namorado. Ardido de ciúmes espiona os passos de mãe e filho com o namorado dela. Não demora muito e descobre que o menino ganhou uma luva nova, frustrado, deduz que deve ter sido presente do namorado.

Ryota tem o direito de passar um dia ao mês em companhia do filho e na primeira oportunidade, apesar da pensão atrasada, leva o filho para lhe comprar um par de tênis. Faz questão, deseja que o menino escolha o melhor de todos. Neste mesmo dia, resolve levar o menino para passar o dia na casa da avó. É domingo, no apartamento da avó estão também sua irmã com marido e filhas. O encontro entre eles é sempre coberto de farpas. Ryota não esconde seu desagrado ao ver a irmã com a família. Ela, de seu lado, lhe responde que está ali com todos porque seu marido veio consertar a vidraça que ele, Ryota, quebrou da última vez que ali esteve. Não demora muito e a família da irmã parte, antes que a tempestade desabe.

Na sequência, Ryota consegue convencer a ex esposa a ir até onde estão. Pegos pela tempestade são obrigados a passarem a noite ali, no minúsculo apartamento.

Assim, ficam os três, pai, mãe e filho, abrigados sob o olhar e cuidados extremos da mãe/avó. Abrigados da tempestade, confinados no pequeno espaço, é tempo para reforçar os laços entre pai e filho, resgatar o respeito entre marido e ex-mulher. Terminada a tempestade, já é um novo dia, a vida deve prosseguir. Saem os três, ainda sob o olhar atento da mãe/avó.

Pura poesia da crônica do pequeno cotidiano.

Em cartaz em alguns cinemas da cidade.

 

MARI SATAKE

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marisatake@yahoo.com.br
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