CANTO DO BACURI > Mari Satake: Festa na cidade – Hanamatsuri 2017(*)

Anualmente, entre a última semana do mês de março e a primeira de abril, tem acontecido na cidade, no bairro da Liberdade, a festa de Hanamatsuri para homenagear o nascimento de Buda Shakyamuni.

Neste cinza ano de 2017, a festa foi programada para acontecer no período de 03 a 08 de abril. Pequenas alterações foram introduzidas, o altar de flores que abriga a imagem de Buda menino, onde o público pode banhá-lo com o chá adocicado, foi montado naquele Jardim Japonês que fica ali na Rua Galvão Bueno, bem próximo da Praça da Liberdade.

Segundo conta a lenda, há muitos e muitos anos, existiu certa rainha de nome Maya, casada com Suddhodana, rei de Kapilavastu, um pequeno reino situado nas proximidades do Himalaia. Apesar de casada já há muitos anos, Maya não tinha filhos e, numa noite teve um sonho. Seu corpo era tomado por um enorme elefante branco que descia de uma montanha dourada e com sua enorme tromba colhia uma flor de lótus e a levava para sua casa.

A rainha Maya havia engravidado. O rei, feliz ao saber da chegada de seu herdeiro acercou-se de todos os cuidados possíveis para receber seu herdeiro, o jovem príncipe.   Com a proximidade da data do nascimento, para atender à tradição, a rainha e o rei viajavam para a cidade natal da rainha, local onde seu filho também deveria nascer. Enquanto viajavam, no oitavo dia do quarto mês daquele ano, ao chegarem a um lugar conhecido como Jardim de Lumbini, a rainha Maya percebeu os primeiros sinais de que daria a luz, ali mesmo.

Sem condições para prosseguir com a viagem, a rainha procurou abrigo sob uma árvore e imediatamente um galho se abaixou para lhe servir de apoio. Acolhida pelo galho da árvore, sem dor ou sofrimento, deu à luz saudável bebê. O rei, tomado por intensa alegria pelo nascimento do príncipe, seu herdeiro, nomeou-o Sidarta. No instante de seu nascimento, músicas celestiais se fizeram ouvir por todo o universo cobrindo de bem aventurança todos os seres que o habitavam. Ao mesmo tempo, para banhar o bebê recém-nascido, chuva de pétalas com suave néctar começou a cair do céu.  Em seguida, o pequeno caminhou sete passos em direção aos quatro pontos cardeais e, com uma mão apontando para o céu e outra apontando para a terra, declaro u não haver sob o céu ou sobre a terra, ninguém mais respeitável que Ele. E, por onde ele pisou, flores começaram a brotar do chão.

Em seguida, com o palácio, vivendo ainda, momentos de intensa alegria pela vinda do pequeno herdeiro, a rainha, mãe do pequeno Sidarta, faleceu repentinamente, trazendo imensa tristeza a todos. Porém, o pequeno foi criado com muita dedicação pela tia Mahaprajapati, irmã de sua mãe. E, ainda bebê, Sidarta recebeu a visita do sábio eremita Asita. O sábio, observando seu corpo, imediatamente reconheceu as marcas que somente um ser abençoado poderia possuir, conforme fora anunciado no sonho que sua mãe havia tido alguns meses antes. O sábio Asita declarou que se Sidarta escolhesse a vida palaciana, seria um grande rei. Porem, se escolhesse sair do palácio para se dedicar à vida religiosa, se tornaria um Buda, Salvador do Mundo.

Esta é a lenda que cerca o nascimento de Sidarta Gautama, que mais tarde viria a ser conhecido como Buda (o desperto) Shakyamuni (o sábio do clã dos Shakyas). Ainda hoje, mais de 2.500 anos depois de seu nascimento, milhares de pessoas em todo o globo se reúnem para celebrar o nascimento de Buda.

No Japão, país de longa tradição budista, anualmente se comemora o nascimento de Buda Shakyamuni no dia 8 de abril, com uma bela festividade conhecida como Hanna Matsuri ou Festa das Flores. Na cinza São Paulo dos dias atuais, em 2017, comemora-se o 51º. Hanamatsuri. No Jardim Japonês da Rua Galvão Bueno como numa reprodução do Jardim de Lumbini, foi armado um altar repleto de flores com a imagem de Buda Menino apontando para o alto. Para reproduzir a cena da chuva de néctar que teria caído sobre o pequeno bebê no instante de seu nascimento, a imagem de Buda está apoiada sobre uma espécie de pia batismal contendo um chá adocicado. Para o banho no pequeno Buda, utiliza-se uma concha cheia de chá e o líquido é derramado sobre a cabeça de Buda por três vezes. O momento do banho em Buda, mesmo para os populares não praticantes do Budismo, é um momento de muita reverência e muitos deles acreditam que alguma gra& ccedil;a poderá ser obtida ao participarem do ritual. Para os praticantes budistas, a participação neste ato simbólico acaba ganhando outros contornos. Banhar Buda pode ser interpretado como banhar-se a si próprio. Banhar-se a si próprio, é limpar-se a mente dos maus pensamentos, da cobiça, da ganância, do egoísmo, do orgulho, da ignorância. Limpamos a mente para criar condições de despertarmos o coração de Buda que há em cada um de nós.

No sábado, dia 08 de abril e também último dia do evento, haverá uma cerimônia religiosa na Praça d Liberdade com os representantes de várias das escolas budistas de São Paulo. Após a cerimônia, um longo cortejo seguirá pelas ruas do bairro, acompanhando o Elefante Branco. Como vinha acontecendo nos anos anteriores, cortejo com crianças vestidas com os trajes típicos das crianças nepalesas e, lateralmente às crianças, como a protegê-las, os monges e as monjas presentes à cerimônia deverão estar presentes. E, na frente de todos, escoteiros com seus instrumentos musicais, deverão anunciar a chegada do Buda Menino. Também como nos anos anteriores, populares encantados com a beleza e colorido da festa poderão acompanha r o cortejo por algumas quadras do bairro.

 

(*) Adaptação do texto de Mari Satake, aqui publicado em abril de 2009.

 

 

MARI SATAKE

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