CANTO DO BACURI > Mari Satake: Hee

canto-do-bacuri-makiPor enquanto, o melhor dos poucos que vi na Mostra deste ano. Filme de Kaori Momoi, também no papel da protagonista.

Baseado em conto de Fuminori Nakamura. O filme Hee, Fogo em português, é ambientado a maior parte do tempo dentro do ambiente fechado da sala de um médico psiquiatra.

É ali na sala do médico e nos saltos para fora do espaço e do tempo que a história vai se constituindo.

Azusa é uma prostituta em idade já avançada para o exercício da função e que sempre carregou a culpa pelo assassinato de sua família tocando fogo no apartamento em que moravam.

resized_1-dsc00740Sobrevivente da tragédia, o único a conhecer a sua versão dos fatos é Sanada, o médico psiquiatra a quem ela deposita seu drama e que, no entanto, considera-a lúcida e, em perfeitas condições de sanidade mental. Azusa acusa o médico de não escutá-la, portanto, um incompetente em seu ofício.

Sem maiores consequências aparentes, a vida prossegue o seu curso. O médico Sanada afogando seus dramas existenciais/profissionais ao som ensurdecedor do rock no lar onde vive com sua normalíssima família e Azusa em seu tortuoso caminho em busca de algo que ela nem sabe nomear.

Anos mais tarde, já num outro contexto, eles se encontram novamente. Primeiro, dentro de um lotado elevador. Um encontro fortuito. Depois, no ambiente comum a ambos, a sala onde Sanada exerce o seu ofício.

Desta vez, há um grave elemento novo. Um investigador policial acompanha Azusa em suas sessões. Ela é acusada de ter cometido um assassinato. Porém, antes de simplesmente prendê-la, é preciso investigar. Seria Azusa alguém mentalmente incapaz? A acusada, apesar de viver no estrangeiro, não fala a língua local com fluência. Para auxiliar o poder judicial nesta tarefa, recorrem ao médico Sanada. O mesmo que anos antes ela acusara de não saber escutá-la. O investigador que acompanha as sessões compreenderia a língua ali falada?

Um filme intrigante. Para ver e rever. Um filme que acima de tudo fala de um terrível mal de nossos tempos. O isolamento. A falta de diálogo e compreensão ou acolhimento entre as pessoas.

Ainda há chance de vê-lo durante a programação da mostra.

 

MARI SATAKE

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marisatake@yahoo.com.br
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