CANTO DO BACURI > Mari Satake: Infância roubada

 

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Sachi é a filha mais velha. A ela coube a tarefa de cuidar das duas irmãs mais novas depois da separação dos pais. Vivem em um enorme casarão e procuram manter os mesmos hábitos dos tempos em que a avó era viva. Recebem a notícia da morte do pai com quem já não mantém contato há quinze anos. Rapidamente, Sachi decide que as duas irmãs mais novas devem ir ao enterro, ela não poderá se ausentar do trabalho. As duas partem e chegando à estação da cidade são surpreendidas com a presença de Suzu, a meia irmã de quase quinze anos, até então, desconhecida, que as esperava.  Suzu as leva até o hotel para que descansem um pouco. Horas mais tarde, já na cerimônia fúnebre, as irmãs são surpreendidas com a chegada inesperada de Sachi.

Terminada a cerimônia, saem as quatro do recinto e Sachi sugere às irmãs prolongar um pouco as horas de convivência com a nova irmãzinha. Sugere à Suzu que as leve ao local da cidade que ela mais ama. De imediato, Suzu se põe a andar e depois de muito esforço das três, chegam ao alto de um morro de onde se avista a cidade. Suzu diz que costumava ir até lá com o pai. Uma das irmãs comenta que aquele lugar com exceção da ausência do mar, é semelhante a um determinado local em Kamakura, a cidade onde vivem.

Ao final deste breve contato, já de dentro do trem que levará as três irmãs de volta a Kamakura, Sachi pergunta a Suzu se ela não gostaria de se juntar às irmãs morando juntas no casarão que tem espaço suficiente para todas elas. Ali mesmo na estação Suzu aceita o convite.

E logo chega com sua mudança. É matriculada na escola e à nova vida escolar. Aos poucos, Suzu vai se integrando à sua nova rotina e à vida com as irmãs no casarão. No convívio afetuoso do dia a dia das quatro irmãs as particularidades de cada uma vão se revelando, embora centrado nas figuras de Sachi e Suzu, as duas que mais conviveram com o pai, em épocas e contextos diferentes.

Sachi já é uma mulher amadurecida com, aparentemente, a vida resolvida. Tem sua profissão para se aprimorar e as irmãs que necessitam de sua estabilidade. Suzu é uma menina ainda, para ela ainda há tempo. Se no início da trama era mostrada como uma garota contida e taciturna, aparentemente amadurecida para a idade, aos poucos, conforme vai desfrutando de suas potencialidades plenamente no dia a dia e sem maiores cobranças do mundo dos adultos, uma Suzu sorridente e de olhar radiante vai se revelando aos olhos de todos.

Filme de 2014 de Kore-Eda, Nossa irmã mais nova, vale muito a pena ser visto.

 

MARI SATAKE

MARI SATAKE

marisatake@yahoo.com.br
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