CANTO DO BACURI > Mari Satake: Pitico chegou

Naquela madrugada, a mãe acordou. Na realidade, ela nem havia conseguido dormir quase nada. Acordou sobressaltada. Era muito cedo ainda. Não quis incomodar o pai que dormia ao seu lado. Com muito cuidado levantou-se. Com a mão na barriga que agora se revelava bastante pontuda, foi saindo do quarto. Entrou no quarto da menina, a pequena dormia tranquilamente.  Seus pensamentos rodopiavam. Será? Não. Ainda é cedo. Com a mão na barriga, falava com o serzinho que crescia dentro dela. Mas parecia que ele pouco a escutava. Conforme a mãe lhe dizia que ele ainda deveria ficar mais alguns dias lá dentro, mais ele se agitava. A mãe explicava, mais tarde, logo no começo da manhã, será a apresentação da irmã. Ela e o pai gostariam muito de ver a irmã se apresentando no palco. O pequeno não quis saber de nada e a mãe percebeu, tudo indicava que teria de ser hoje mesmo! Mãe e filho ainda ficaram nesse diálogo por algum tempo, até que por fim, a mãe disse que então, estava bem. A malinha já estava pronta. Iriam verificar, se era possível!  Logo seria dia claro, levariam a pequena até o local da apresentação, deixariam a menina com as tias da escola e vovô e vovó se encarregariam de cuidar da irmã depois da apresentação e em seguida, correriam à maternidade para verificarem se já era mesmo a hora dele vir para fora. O pequeno parece ter compreendido e deu uma pequena trégua à mãe. A mãe pode se arrumar e arrumar a irmã com a fantasia da apresentação. No teatro, mal conversaram com os avós e com as coordenadoras da escola da irmã e o pequeno impaciente começou novamente o seu protesto. Mãe e pai não tiveram outra alternativa, a não ser correr para a maternidade. Nada de papai e mamãe assistirem à apresentação agora. Ano que vem, tem de novo e iremos todo juntos!

Era manhã de sábado e naquele dia não havia nenhum grande evento programado na cidade. A corrida até a maternidade, até que foi tranquila. O pequeno parecia compreender que estavam fazendo de tudo para atende-lo rapidamente. Ali chegando, outra vez, a impaciência do garoto. A mãe precisava urgentemente ser acomodada. E, com a mãe instalada na maca de urgência para ser carregada até o quarto, o pequeno parecia compreender que já não era necessário espernear tanto. Agora sim, de fato, tudo estava sendo providenciado para que ele pudesse finalmente dar a sua graça ao mundo. Ah! Mundo, vasto mundo! Como estariam as coisas por aqui? Já nem sabia há quanto tempo havia partido e agora, finalmente retornava! Ôps!!!! Que história é essa?

Tratou de ficar quietinho, sentindo o conforto dentro da barriga da mãe.   Pensando bem, a mãe precisava descansar um pouco. Afinal de contas, se ela dormiu duas horas desde quando se recolheu ontem de noite, foi muito. É isso! Enquanto a equipe da maternidade cuidava dos preparativos para finalmente vir ao mundo, ele também vai descansar um pouco, assim a mamãe poderá dormir um pouco e estará mais descansada na hora derradeira. E será hoje mesmo!

E lá no teatro, a menina se mostrou no palco. Encantada ela se apresentou com as coleguinhas da turma. Fez bonito. Pena que papai não estava para filmar e fotografar, mas tudo bem. Tinha o moço que a escola contratou. No final da apresentação de toda a turminha da escola, lá estavam vovó e vovô. Hoje seu dia será diferente. Irá passear com os dois e depois para a casa deles. Será que encontrará o priminho que sempre vai para lá?

Pouco tempo depois, o pai manda notícias. A mãe agora descansa. O médico disse que está tudo bem, e tudo indica que será hoje mesmo. Provavelmente perto do final da tarde.

Ansiosa, a família aguarda por notícias, o tempo todo. A menina com vovô e vovó. Pensativa, ela pouco fala. Para ela, está tudo bem. Como quase sempre. Como será seu irmãozinho? Será que ele também vai gostar de brincar com ela?

Para a família, aquele foi um sábado atípico. Apreensivos, todos esperando pelas boas novidades.

Meio da tarde. Celulares tocam, vibram. Mensagem chegando, é o pai anunciando para a família. Com poucos minutos no mundo e sua imagem já corre. Os que estão longe já podem ver. É um menino. E é cara da irmã. A tia rebate e diz que é a cara do primo também.

Enfim, Pitico chegou! Pequenino, apressado.  Eis o mundo para você!

 

MARI SATAKE

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