CANTO DO BACURI > Mari Satake: Vestes esvoaçantes

canto-do-bacuri-makiNaquela movimentada rua tem uma construção bem diferente dos padrões habituais. Fica dentro de uma grade alta. O enorme portão principal raramente é aberto. Para entrar ou sair dali, as pessoas usam o pequeno portão controlado pelo guardião da ocasião.

Ali funciona uma escola. Não pense que é uma escola convencional com salas de aulas, cadeiras, mesas e quadro-negro. Lá não tem nada disso. Também professor de paletó e gravata ou saia justa e salto alto, não tem. Já, alunos ou pretensos alunos, estes tem aos montes. Estão sempre chegando. Poucos são os que ficam por algum tempo. Mas há os que ficam. E, entre estes, boa parte deles, acaba querendo atravessar a margem. Raspam a cabeça, vestem as roupas esvoaçantes pretas e se esmeram na busca de alguma coisa. Eles se empenham muito nesta busca. Também há os que não querem raspar a cabeça e nem usar as vestes esvoaçantes. Mas, carecas ou cabeludos, estão quase todos ali por uma única questão: o estudo de si mesmo.

De tempos em tempos, a escola faz um chamado para ver como andam os seus alunos. E eles, estão espalhados por aí. E sempre respondem aos chamados. São Paulo, Belo Horizonte, Bogotá, Curitiba. A cada chamado, eles vão chegando. São Paulo, Buenos Aires, Meddelin, Florianópolis. E mais de tantos outros lugares. Às vezes, chegam em pequenos grupos, às vezes, só. Às vezes, eles veem duas, três, quatro vezes seguidas e se vão. Ficam anos sem aparecer e um dia voltam e, em seguida desaparecem da escola.

É a vida que segue seu curso e eles no curso de suas vidas.

E a escola permanece sempre ali, dizendo a seus alunos que estudar budismo é estudar a si mesmo. E para estudar a si mesmo, pede-se apenas que o aluno sente-se e não se apegue a seus pensamentos.

 

MARI SATAKE

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