CANTO DO BACURI > Mari Satake: Vida que vem, Vida que se vai

A pequena chegou e enquanto abraçava a tia, perguntou: – você sabia que eu vou ganhar um irmãozinho? Apontando o dedo para cima, repetia: – vou ganhar um irmãozinho. Minha mãe que falou. Meu pai também falou.

Quando a tia ia falar algo, a pequena já se debatia, querendo o chão. Era o priminho que entrava com o tio. Com o priminho por perto, não sobrava atenção para ninguém. Os dois sempre foram assim. Ela, sete meses mais velha, desde sempre exercendo o papel de líder. O que ela fala, costuma ser lei para o garoto.

Deixando a novidade com os adultos, as crianças correram em busca de alguma brincadeira, longe das vistas dos adultos.

Logo atrás, a mãe confirmava. Sim, vem um menino por aí. A tia fez as contas e disparou, vai nascer no dia do meu aniversário. A mãe deixou escapar: – eu queria uma menina, mas é um menino! Nascendo no mesmo dia ou não, será do mesmo signo. Todos que conheço deste signo são uns “espetos”. Já pensaram? A tia fez a defesa: – todos como eu, gente boníssima! Risada geral.

Dali para frente, o assunto entre os adultos passou a ser sobre a nova gravidez da sobrinha mais velha. A avó, surpresa: – mais um menino! Que surpresas ele nos trará?

E enquanto tomavam o lanche da tarde, eufóricas ainda com a novidade, as mulheres naquela casa foram interrompidas com o alarme de seus celulares. A notícia vinha do outro lado, lá de muito longe. Era o pai de Tampô-san que deixava o nosso mundo, depois da longa enfermidade que já durava alguns anos.

Tampô-san é um desses seres bondosos que a vida nos presenteia com o seu convívio. Veio jovem para o Brasil para estagiar na empresa onde o avô trabalhava. Por estar sozinho no país, o avô sempre o convidava e o levava para casa. Com o tempo, até constituir a sua própria família, passou a morar na casa do avô. As sobrinhas tinham-no como o irmão mais velho, o bom conselheiro delas e de seus amigos.  Mesmo depois de casado, Tampo-san e sua família, continuaram sempre perto de todos ali.

Nos últimos tempos, uma preocupação vinha cercando Tampo-san. Por ser o filho biológico mais velho e, com o estado de saúde do pai se agravando a cada dia, deveria voltar e assumir os negócios da família. Porém, seu coração estava aqui. Seu filho estava aqui. Assim mesmo, há alguns meses, depois de um acordo com o filho, Tampo-san partiu com a promessa de voltar depois de três meses.

 

Agora, a notícia. Oremos!

Pela vida que se vai. Pela vida que chega.

Pela graça de viver!

 

MARI SATAKE

MARI SATAKE

marisatake@yahoo.com.br
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