CANTO DO BACURI: Norwegian Wood

 

Penso que para boa parte das pessoas de minha geração ou da geração de minhas irmãs não há como ficar indiferente ao ver este título estampado na capa de um livro. Naquela época, eu desconhecia completamente qualquer coisa que se referisse ao autor, Haruki Murakami. Era época de Natal e ao topar com o livro, de imediato, gostei e o comprei para presentear uma de minhas irmãs. E é claro, não demorou muito para tomá-lo emprestado. Devorei o livro. Virei fã do autor, apesar de depois, em outras leituras de obras suas, já ter me pego um tanto surpresa pensando por que raios ele resolveu trabalhar daquela forma. Mas isto não importa.
Importa que o romance Norwegian Wood tornou-se uma referência que coloco ao lado de obras como, por exemplo, O atirador nos campos de centeio de J.D. Salinger, principalmente quando algum estudante me diz que precisa ler um romance que fale sobre o cotidiano da vida de jovens.


O romance de Murakami gira em torno do jovem Toru Watanabe e suas lembranças de juventude. Era o ano de 1968 e ele tinha acabado de se mudar para Tóquio para se afastar do ambiente das tristes recordações da cidade onde morava. Era amigo quase inseparável de Kizuki que aos dezessete anos de idade decidiu dar fim à própria vida sem deixar qualquer explicação. Na capital, Toru inicialmente, viveu em alojamento masculino, solitário e sem muitos amigos. Passava seu tempo entre as aulas da universidade, às inúmeras leituras noite adentro e à observação de seus companheiros.
Vivendo ainda há pouco tempo na capital, um dia encontrou Naoko a namorada desde o tempo de infância de seu amigo Kizuki. Passaram a se ver assiduamente e Toru acabou se apaixonando pela depressiva Naoko. No entanto, o romance entre os dois não podia prosperar. Em pouco tempo, a jovem partiu da capital para ficar interna em uma casa de recuperação. Inconformado com a separação. Toru passou a escrever cartas de amor e assim que possível foi ao encontro de sua amada na clínica onde ela estava internada. Na clínica conheceu Reiko, mulher mais velha, também interna na clínica e designada para ser cuidadora da jovem interna.
Fora destas pesadas relações do jovem Toru, há também a alegre, extrovertida e avançada Midori, sua colega de faculdade que também enfrenta pesados confrontos em sua realidade diária e que, no entanto, não se deixa abater pelas mazelas da vida.
Muito bem escrito, Norwegian Wood, retrata o difícil trânsito que os jovens enfrentam em seu processo de amadurecimento. Lançado em 1987, é tido como o romance que projetou internacionalmente o autor que hoje é traduzido para vários idiomas. No Japão, até hoje, Haruki Murakami é cultuado pelos jovens leitores, ocupando um lugar especial entre os mesmos.
Interessante observar que demorou mais de vinte anos para que o romance fosse levado às telas de cinema. Bastante fiel a trama, o vietnamita Anh Hung Tran, o mesmo diretor de O cheiro de papaia verde, fez a sua versão cinematográfica de forma bastante fiel ao original. Tão fiel a ponto de, mesmo não entendendo nada da língua japonesa, fazer questão de filmar no Japão com atores japoneses falando a própria língua.
É um bom filme que vale a pena ver. Pena que a trilha sonora com as músicas dos The Beatles possa acontecer apenas enquanto estivermos na leitura do romance, mas de qualquer forma, a trilha sonora que acompanha o filme é bem legal.

 

 

Mari Satake escreve semana sim, semana não neste espaço

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