CARNAVAL: Embaixador dos 120 Anos, Zico é a ‘cereja do bolo’ da Águia de Ouro

Arthur Antunes Coimbra, o Zico, mostrou na tarde desta terça-feira (3), na quadra da escola de samba Águia de Ouro, no bairro de Vila Pompeia (zona Oeste de São Paulo), que “quem foi rei nunca perde a majestade”. O Galinho de Quintino provoca um misto de respeito e admiração até mesmo entre os jornalistas – tão acostumados a celebridades – que só se vê em ídolos de verdade. Primeiro, porque Zico coloca por terra aquela “tese” de que famosos não são necessariamente simpáticos. E Zico, esbanja carisma. O ex-camisa 10 do Flamengo, Udinese (Itália) e Kashima Antlers (Japão), além, é claro, da Seleção Brasileira, também surpreende nos gestos mais simples, como ser pontual e atender – bem – todos os pedidos de autógrafos e sessões para as fotos. Era a “cereja do bolo” que faltava para o desfile da Águia.

 

Zico: "O mais importante é saber que os 15 anos que passei no Japão valeram a pena" (foto: Aldo Shiguti)

Zico: “O mais importante é saber que os 15 anos que passei no Japão valeram a pena” (foto: Aldo Shiguti)

 

De acordo com o carnavalesco da escola, Amarildo de Mello, Zico será homenageado porque é um grande ídolo no Japão, a exemplo de Ayrton Senna. “Ele é amado tanto no Brasil como no Japão”, disse Amarildo. “Fiquei feliz em ser lembrado pela Águia de Ouro. Não deu para pensar em outra resposta se não aceitar o convite por tudo que o Japão representa para mim e também pelo que eu represento para o Japão”, disse ele, lembrando que, dez dias antes de receber a proposta da Águia, recebeu também um convite do Consulado Geral do Japão em São Paulo para ser o “Embaixador dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão”.

 

O craque entre Miku Oguchi e Cinthia Santos: bem acompanhado (foto: Jiro Mochizuki)

O craque entre Miku Oguchi e Cinthia Santos: bem acompanhado (foto: Jiro Mochizuki)

 

Valeu a pena – “É muito gratificante e fiquei bastante sensibilizado em ser o escolhido para representar os laços tão importantes que unem os dois países ”, destacou Zico, acrescentando que, “o mais importante para mim é saber que os 15 anos que passei no Japão, como jogador e como treinador, valeram a pena”. “Aprendi muito sobre respeito ao próximo e aos mais velhos. Até hoje é uma cultura que me ajuda muito no meu dia a dia e por isso sou muito grato ao Japão”, conta. “Faria tudo outra vez”, afirmou o ex-jogador, que vai desfilar no último carro alegórico, o Laços e Abraços.

Indagado pela reportagem do Jornal Nippak sobre o que mais o marcou nesses 15 anos de Japão, Zico disse que o país dá grandes lições de vida. Citou um exemplo pessoal. “Há 20 anos contrui um Centro de Treinamento nos mesmos moldes que aprendi lá. Até hoje não tivemos um acidente sequer e espero continuar com esse índice, mas tudo graças ao aprendizado que tive no Japão”, disse ele, que elogiou também a superação do povo japonês diante da tragédia de 11 de março de 2011.

 

Quarta começou a montagem do Tachineputa no Anhembi (foto: Nikkey Shinbum)

Quarta começou a montagem do Tachineputa no Anhembi (foto: Nikkey Shinbum)

 

“Os brasileiros não sabem o que representam esses fenômenos da natureza e só um país como o Japão poderia se reeerguer desse jeito. Serve de exemplo para nós”, observa, explicando que sua maior contribuição ao futebol japonês foi sua “entrega” no sentido de ajudar o desenvolvimento do esporte naquele país. “Não fui para lá para ser estrela nem fui preocupado em ser jogador e conquistar títulos. Fui com outros objetivos e os japoneses não só entenderam como também me deram todas as condições para isso”, explica Zico, afirmando que hoje, sua maior satisfação é ver o Japão exportando jogadores. “Antes, quando o jogador era ruim, era tudo japonês”, brincou o ex-jogador, que espera não entrar em “pânico” no Anhembi.

 

Com as passistas, mestre sala e porta bandeira da Águia (foto: Aldo Shiguti)

Com as passistas, mestre sala e porta bandeira da Águia (foto: Aldo Shiguti)

 

Tranquilo – Com viagem marcada para Índia, onde em setembro reassume o comando do Goa FC, Zico conta que no ano passado foi homenageado pela escola carioca Imperatriz Leopoldinense, com o enredo Arthur X – O Reino do Galinho de Ouro na Corte da Imperatriz. Para sua estreia no carnaval paulistano, garante que está “tranquilo”.

“No futebol tem aqueles cinco minutinhos de nervosismo mas depois os nervos se acalmam. Só espero que possa ajudar a escola a levantar o caneco porque ninguém entra numa disputa para perder”, afirmou Zico, que só não promete sambar no Anhembi. “Isso eu deixo para as passistas, que fazem muito bem. Cada um dentro do seu quadrado”, afirmou.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

 

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One Comment

  1. Com a soma de forças e de talentos de tantos empenhados participantes – brasileiros e japoneses – com certeza, o “Águia de Ouro” VENCERÁ!!!
    SUCESSO, muitas alegrias a todos!!!

    Do Rio de Janeiro: Teruko, admiradora de quem se esforça, muito constroe e vence!!!

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