CINEMA: Cineasta sul-coreano Kyeong-Duk Cho fará documentário com exilados norte-coreanos no Brasil

 

O polêmico cineasta sul-coreano, Kyeong-Duk Cho está no Brasil para seu mais novo documentário “Retorno para Casa” (foto: Luci Judice Yizima)

O polêmico cineasta sul-coreano, Kyeong-Duk Cho está no Brasil para seu mais novo documentário “Retorno para Casa”, sobre os 77 soldados norte-coreanos que fugiram do regime comunista durante a guerra na década de 1950. Desses 77 exilados, 50 vieram para o Brasil, 12 para Argentina, os demais ficaram na Índia. Hoje, existem no Brasil 14 famílias norte-coreanas Cho, conhecido pelo filme polêmico e delicado “Voluntária Sexual” (Sex Volunteer), que faturou o prêmio de melhor drama em 2009 na 33ª Mostra Internacional de Cinemaem São Paulo. Agora, Cho tem o objetivo fazer uma retrospectiva da viagem de volta de cinco imigrantes norte-coreanos para a Coréia do Norte.

Em entrevista ao Jornal Nippak, o cineasta Kyeong-Duk Cho relata como surgiu à idéia de fazer o documentário “Retorno para Casa” e seus desafios. Também revela o custo de toda a produção.

 

Jornal Nippak – Como surgiu a idéia de falar sobre um tema tão delicado na atualidade?

Kyeong-Duk Cho – A minha idéia é documentar a vida, e também a ida destes homens que estão no Brasil à Coréia do Norte, lugar onde não pisam há 60 anos. Daí, o nome de “Retorno para Casa”.

Pela idade avançada desses homens, comecei as entrevistas ainda em 2009, como quando estive aqui para amostra. No ano seguinte, comecei a receber cartas, documentos e fotos atestando a veracidade dos depoimentos. Em 2012, fui para a Índia, onde encontrei um coreano e no mesmo ano, consegui encontrar um outro soldado que tinha seu registro trocado, mas, que estava neste grupo. Quero mostrar os traumas causados por uma guerra, mostrar os sentimentos das pessoas envolvidas.

 

Jornal Nippak – Quais as histórias que você achou?

Kyeong-Duk Cho – Através das entrevistas com os exilados saíram da Coréia do Norte por uma questão de sobrevivência. Não fugiram como todos pensam que foi por covardia, foi para não serem mortos fuzilados. Senhor Moon Myong Chul, hoje com 83 anos de idade, na ocasião tinha 20 anos, era um civil e foi confundido como um soldado. Ele foi para um campo de concentração dos americanos na Coréia do Sul, não sabia qual destino tomar, fugiu para a China, passou dois anos na Índia e decidiu vir para o Brasil. Esses relatos são as histórias vivas dos nossos países.

 

A minha idéia é documentar a vida, e também a ida destes homens que estão no Brasil à Coréia do Norte, diz Kyeong-Duk Cho (foto: Luci Judice Yizima)

 

 

 

Jornal Nippak – Quais foram os argumentos que você usou para convencer os ex-combatentes norte-coreanos a fazer parte desse documentário?

Kyeong-Duk Cho – Quero documentar a história para que não seja esquecida. É importante deixar registrado para que todos conheçam a real história das Coréias.

 

Jornal Nippak – Como é ser um diretor polêmico?

 Kyeong-Duk Cho – Não sou polêmico, só retrato fatos e vidas que os outros talvez por medo ou temas delicados, não tenham coragem de abordar. Quero passar a mensagem para ajudar a mudar a humanidade. Ou pelo menos tentar fazer a diferença nessa crise atual.

 

 

Jornal Nippak – Você teve um filme premiado, com assunto forte e polêmico. Qual o segredo de fazer um bom filme e um bom documentário?

Kyeong-Duk Cho – Não existem segredos. Faço o meu trabalho com muito empenho, dedicação. Procuro temas e histórias verdadeiras, que você vai desenvolvendo, tento buscar além do óbvio. Abordo temas que a maioria despreza, ou acredita que não é importante. Aposto na verdade dos fatos.

 

Jornal Nippak – Para finalizar que mensagem você espera levar para as pessoas?

Kyeong-Duk Cho – Desejo mostrar através do documentário que a guerra não é o melhor caminho. Que através da diplomacia e diálogo podemos ter um mundo igualitário com paz. Sessenta anos se passaram e não há registros desses norte-coreanos exilados no Brasil ou na Coréia.

 

O cineasta salienta que o custo da produção pode girar em torno de US$ 200 mil dólares. O maior custo ficará por conta das passagens aéreas que estão em torno de US$ 10 mil para cada exilado. No entanto, a maior lição que o documentário coreano dará à comunidade internacional, é uma  imagem verdadeira, da vida cruel de um exilado e os resultados trágicos de um país pós-guerra, de um olhar crítico do cineasta Cho Kyong-Duk.

 

Desejo mostrar através do documentário que a guerra não é o melhor caminho, Kyeong-Duk Cho (foto: Luci Judice Yizima)

 

 

 

Entenda a guerra das Coréias

Travada entre 26 de Junho de 1950 a 27 de Julho de 1953, opondo a Coréia do Sul e seus aliados, que incluíam os Estados Unidos e o Reino Unido. A Coréia do Norte, apoiada pela República Popular da China e pela antiga União Soviética, o resultado foi à manutenção da divisão da península da Coréia em dois países.

A península da Coréia é cortada pelo paralelo 38° N, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados: a República da Coréia, a sul, e a República Popular Democrática da Coréia, ao norte. Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre os governos de Moscou e Washington, dividiu o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.

A incapacidade de realizar eleições livres em toda a Península coreana, em 1948, aprofundou a divisão entre os dois lados, o do Norte estabeleceu um governo comunista, enquanto o Sul estabeleceu um governo de direita. O paralelo 38 tornou-se cada vez mais uma fronteira política entre os dois Estados coreanos. Embora as negociações de reunificação continuassem nos meses que antecederam a guerra, as tensões se intensificou. Escaramuças transfronteiriças e incursões cruzando o paralelo 38 persistiram. A situação se transformou em guerra aberta quando as forças norte-coreanas invadiram a Coréia do Sul em 25 de junho de 1950.

Em1950, aUnião Soviética boicotou o Conselho de Segurança das Nações Unidas, em protesto contra a representação da China pelo governo da República da China, que se refugiara em Taiwan a seguir a derrota na Guerra Civil Chinesa. Na ausência da voz dissidente da União Soviética, que poderia ter vetado, os Estados Unidos e outros países passaram a resolução de número 84, em 7 de julho, no Conselho de Segurança autorizando a intervenção militar na Coréia.

Os Estados Unidos e 20 outros países das Nações Unidas ofereceram assistência para repelir a tentativa de reunificação das duas Coréias, por parte da Coréia do Norte, sob o regime comunista.

 

Drama “Voluntária Sexual”

O voluntariado é uma atitude de plena doação. Mas, quando ele envolve o voluntariado sexual, que nome se dá a isso? Para a maioria das pessoas, o tema é um tabu, mas o filme Voluntária Sexual (Sex Volunteer), do diretor sul-coreano Cho Kyong-duk, ganhador do prêmio Novos Diretores, da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em2009, a história real de mulheres que trabalham com este tipo de voluntariado é revelada.

A história gira em torno de três pessoas, uma jovem estudante, Yeri; um deficiente físico Chunkil; e um padre. Eles são presos em um quarto de hotel por suspeita de prostituição. Durante o inquérito policial, o grupo afirma que a moça era uma voluntária do sexo. Chunkil, que não pode usar os braços ou as pernas, aprendeu a escrever poesia, mas ainda assim não conseguiu expressar seus sentimentos para a primeira mulher de quem gostou. Também não conseguiu encontrar uma garota que conheceu online, impedido pela família dela. Sentindo-se desesperado e sabendo que a morte é iminente, Chunkil confessa ao padre que quer sentir prazer sexual em sua vida. Enquanto o padre leva em consideração a confissão de Chunkil, Yeri entraem cena. Elajá havia feito um curta-metragem sobre prostitutas do Bairro Vermelho, e agora quer fazer um filme sobre sexo voluntário baseado em sua própria história.

 

 

Luci Judice Yizima

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