CINEMA: “Corações Sujos” estreia em seis capitais brasileiras simultaneamente nesta sexta

 

Estreia nesta sexta (17) nas cidades de São Paulo, Brasília, Recife, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Maringá, Londrina e em algumas cidades do interior paulista, o filme “Corações Sujos”, uma produção de época, dirigido por Vicente Amorim, uma adaptação do livro de Fernando Morais. A obra volta até o Brasil pós-Segunda Guerra para contar como a derrota do Japão repercutiu na colônia de imigrantes brasileira, a maior fora do Japão, reprimida pelo governo. Lágrimas, intolerância, racismo, preconceito, orgulho e terrorismo imperam na história, interpretados em japonês por um elenco na sua maioria de lá.

 

Lágrimas, intolerância, racismo, preconceito, orgulho e terrorismo imperam na história. (foto: divulgação)

 

O diretor Vicente Amorim explica como surgiu a idéia de adaptar o livro do jornalista Fernando Morais. “Quando li o livro do Fernando fiquei fascinado pela história. É um território pouco explorado no cinema nacional”, admite. “Como a trama é violenta, resolvi mesclar intolerância, racismo, patriotismo envolvendo uma linda e dramática história de amor”, diz.

 

Diretor Vicente Amorim na coletiva de imprensa (foto: Luci Judice Yizima)

Amorim destaca a colaboração dos atores japoneses Tsuyoshi Ihara (Takahashi), Takako Tokiwa (Miyuki), Kimiko Yo (Naomi), Shun Sugata (Sassaki), Issamu Yazaki (Aoki), e o mestre das artes cênicas no Japão,Eiji Okuda. “Trabalhar com todo o elenco foi muito gratificante. Eles são focados, disciplinados, mesmo com a barreira do idioma eles tiveram uma desenvoltura fabulosa. Adorei a atuação das feras brasileiras, Edu Moscovis (Sub-Delegado), Ken Kaneko (Matsuda), André Frateschi (Cabo Garcia), a atriz mirim Celine Fukumoto foi uma revelação, pois nunca tinha atuado”, comenta. “Estou ansioso para ver a reação do público brasileiro e nipo-brasileiro, pois no Japão ninguém sabia dessa história, do que se passou aqui no pós-guerra”, conclui Amorim.

 

Escritor Fernando Morais e produtor Michel Tikhomiroff (foto: Luci Judice Yizima)

Para o escritor e jornalista Fernando Morais, o diretor Vicente Amorim enriqueceu a história do livro com uma dramática história de amor. “O querido Jorge Amado já dizia que a transposição da obra literária para o cinema, toda adaptação é uma violência contra o livro. Se o autor não quer aporrinhação não vá ao cinema”, lembra. “Mas no meu caso, eu discordo do saudoso Jorge, o Vincente não só foi fiel à obra literária, como acrescentou e enriqueceu com um drama amoroso. Pois no livro a história não tem mulher, é inteiramente machista. Usou a dramaturgia com liberdade, usou uma figura feminina central que narra à história com sutileza e doçura. Se me perguntarem se ele mutilou o filme, Eu diria que não. Ele manteve a violência que tinha no livro, aliás, muita violência. Porém a figura feminina deu um impacto muito positivo, gostei muito”, finaliza o escritor.

 

O ator Eduardo Moscovis (foto: Luci Judice Yizima)

O ator Eduardo Moscovis que vive o Sub-Delegado, esbanja simpatia, não poupa elogios ao elenco japonês. “Trabalhar com os orientais foi muito gratificante. Os caros têm uma postura clássica, caricata de um oriental, e ao mesmo tempo com uma disponibilidade, uma vontade, uma simpatia”, enaltece. E completa, “um clima de trabalho muito respeitoso, mas não cerimonioso, eles faziam com que o set fosse organizado, emocionado, concentrado, mas gostoso, bom de trabalhar. Não foi um set rígido, set tenso, muito pelo contrário, para mim foi uma experiência muito prazerosa”.

O longa-metragem de modo geral, marca uma guerra particular, que Vicente Amorim se sai muito bem, constrói momentos interessantes. Com um elenco repleto de astros do cinema japonês esbanjam talentos. Destaque para a atriz Takako Tokiwa, que vive a Miyuki, uma personagem que se comunica basicamente pelo olhar. O coronel Watanabe compartilha a mesma vivacidade, embora bem mais intensa, cheio de gestos e muita expressão, o excêntrico  Eiji Okuda.

 

Revelação, a atriz mirim Celine Fukumoto nunca tinha atuado antes (foto: divulgação)

 

O filme já estreou no Japão na semana passada, com salas lotadas no primeiro final de semana, onde recebeu entusiasmados elogios da crítica da imprensa local. A direção do filme espera a mesma receptividade do público no Brasil. Vale conferir.

 

 

Sinopse“Corações Sujos” é um filme sobre intolerância, fundamentalismo, racismo e amor, baseado no best-seller de Fernando Morais e passado no interior de São Paulo logo depois da Segunda Guerra Mundial. Ele conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma pequena loja de fotografia, casado com Miyuki, uma professora primária. Inspirado em fatos reais, Corações Sujos  nos mostra a transformação de Takahashi de homem comum em assassino, enquanto sua mulher luta contra o destino, tentando em vão salvar seu amor em meio ao caos e à violência.

 

Diretor destaca a colaboração dos atores japoneses (foto: divulgação)

 

No Brasil, logo depois da guerra, a imensa população de imigrantes japoneses (a maior fora do Japão) era segregada e reprimida pelo Estado.  Para estes imigrantes, oprimidos numa terra estranha, a ideia de derrota na guerra era muito dolorosa.  Muitas organizações, alimentadas pela ignorância imposta a eles pelo governo brasileiro, nasceram dedicadas a divulgar a “verdade” da vitória do Japão na guerra e a reprimir e assassinar os “derrotistas” – os “corações sujos”.

Takahashi reluta, mas acaba se tornando membro de um destes grupos. A escolha feita por ele, em nome do Espírito Japonês, o transforma também num matador. E Miyuki, sua mulher, nos conta como sua história de amor se perdeu em meio à guerra fratricida – de japoneses contra japoneses – que aconteceu em pleno interior do Brasil.

 (Luci Judice Yizima)

 

Serviço

“Corações Sujos” 

Estréia: 17 de agosto

Classificação: 14 anos

 

 

 

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