CINEMA: Fundação Japão e Sesc Pinheiros apresentam Centenário de Keisuke Kinoshita

Celebrando os 100 anos de nascimento do cineasta japonês Keisuke Kinoshita (1912-1998), a Fundação Japão e o Sesc São Paulo realizam gratuitamente o ciclo “100 anos de Keisuke Kinoshita – o cineasta dos dramas e comédias do pós-Guerra no Japão” com 12 filmes, em cor e p&b, no Sesc Pinheiros, no período de 3, 4, 5, 10, 11 e 12 de julho. No Paraná, o festival foi realizado de 19 a 24 de junho pelo Consulado Geral do Japão em Curitiba, com apoio da Fundação Japão e Fundação Cultural de Curitiba, na Cinemateca de Curitiba. Depois do Brasil, o ciclo segue para Estados Unidos e Índia, onde será exibido simultaneamente.

 

O cineasta Keisuke Kinoshita (foto: divulgação)

 

Segundo Luis Pavan, o curador desta mostra, Kinoshita foi considerado um dos mais populares cineastas japoneses do período do pós-Segunda Guerra, foi diretor, escritor e produtor, especialista em fazer dramas sentimentais e comédias com o uso inovador de cenários expressionistas.

Embora seja menos conhecido que seus colegas Akira Kurosawa, Kenji Mizoguchi e Yasujiro Ozu, Keisuke Kinoshita foi um dos mais respeitados pelos espectadores e críticos, que incluem em suas listas de 10 melhores filmes japoneses “Sublime Dedicação” (Nijushi no hitomi) – que está no festival, entre as décadas de 40 e 60. Ele costumava comentar: “Não consigo evitar, idéias para filmes parecem pipocar na minha cabeça…”.

Raramente os mais de 50 filmes de Kinoshita foram exibidos fora do Japão, mas em seu país ele foi um bem conhecido diretor pioneiro ao usar filmes colorizados e tocar em temas relativos ao cotidiano dos espectadores japoneses. Em contraste com a temática mais convencional de suas histórias, Kinoshita foi um ousado experimentador de técnicas de vanguarda.

 

Cinéfilo desde pequeno – Keisuke Kinoshita nasceu em 1912 na cidade de Hamamatsu. Ainda criança, Kinoshita já era fã do cinema. Seus pais eram donos de mercearia na cidade e queriam que ele aprendesse a cuidar dos negócios, então o enviaram para a escola técnica. Mas Kinoshita estava completamente focado em fazer filmes. Ele se matriculou na Oriental Photography School para poder aprender a ser câmera e começar a trabalhar com cinema.

Na tentativa de realizar seu sonho, procura emprego nos estúdios da Shochiku, primeiramente como auxiliar de câmera e depois como assistente do diretor Yasujiro Shimazu, pioneiro do cinema japonês. Por recomendação de outro assistente de direção, Kozaburo Yoshimura, ele começa a aprender o ofício de direção. Criativo e aplicado, passa anos como aprendiz de Shimazu.

 

O Murmúrio do Rio Fuefuki, de Keisuke Kinoshita (foto: divulgação)

 

Primeiros trabalhos – Em 1943 começa a dirigir, depois de ter voltado da Guerra. O tom cômico do embate entre a sofisticação urbana e da inocência rural aparece e seu amor pelas virtudes da honestidade e simplicidade viram marca da sua obra, que mesmo durante a produção de filmes de propaganda do exército, os militares avaliam seu trabalho como fraco no poder persuasivo, diziam que era muito sensível.

Faz mais de 12 filmes nos anos 40 e o foco temático são os dramas e comédias. Seus filmes apresentam quase sempre mulheres simples e honestas como personagens principais. Comenta-se da sua conexão/inspiração/diálogo de estilo com o cineasta René Clair, um dos principais representantes do Realismo Poético Francês, tanto no estilo visual, narrativa e caráter dos protagonistas.

 

Mulher é o cartaz do dia 12 de julho (foto: divulgação)

Nos anos 50 passa a escrever para seus filmes que se tornam muito populares junto ao público. Mantém um ritmo regular de produção de dois filmes por ano. As personagens são otimistas e doces, prato cheio para a projeção-identificação de um público que está diariamente reconstruindo suas vidas num país que foi arrasado pela Guerra.

Em 1951 dirige seu primeiro filme colorido, a comédia “Carmem volta para Casa” (Karumen kokyo in kaeru), que terá sua personagem principal vivendo mais uma história no seu próximo filme “A Grande paixão de Carmem” (Karumen junjo su) em 1952.

 

Dramas sociais – Em 1953 acontece a virada temática na obra de Kinoshita com o filme “Uma Tragédia Japonesa” (Nihon no higeki). Se antes os seus filmes tinham tom cômico e leve passam agora a focar perturbados dramas sociais. Suas protagonistas, num choque constante com a realidade opressora, se vêem em situações de decisões extremas para sobreviver, lutas cotidianas para lidar com questões éticas e econômicas, buscando recuperar a sua dignidade. Flashbacks, cortes ágeis e constantes imagens de trens em movimento ajudam a dar tom a esta narrativa realista.

 

Cena de Uma Tragédia Japonesa (Nihon no Higeki) (foto: divulgação)

 

Seu próximo filme, “Sublime Dedicação” (Nijushi no hitomi) de 1954, é o drama de uma professora com seus 12 alunos ao longo do tempo. Um retrato inocente e cheio de compaixão sobre os efeitos da Guerra. Se os homens vão para a Guerra (e não voltam), temos as mulheres e as crianças. São eles que vamos ver nas telas como protagonistas. Novamente seu toque sensível vai atingir o público porque está conectado com as mais profundas questões cotidianas do seu país.

O teatro kabuki vai aparecer em seu filme de 1955, “Poesia do Meu Primeiro Amor” (Nogiku no gotoki kimi nariki) e seu experimentalismo e ousadia técnica vai tornar “Lenda do Narayama” (Narayama Bushiko) de 1958 um clássico da cinematografia japonesa, retratando as tradições, a família, os deveres sociais, a rigidez e obediência de um povo que passava por uma erosão cultural e ambivalência dos seus (novos) ideais e valores.

 

Cena de A Balada de Narayama (foto: divulgação)

 

Os anos 50 foram o auge do seu sucesso junto ao público, embora a crítica sempre olhasse seus estilo sentimental de forma atravessada. Fez mais 9 filmes nos anos 60 e outros 5 entre 1976 e 1988. Também foi o produtor do mundialmente famoso “Dodeskaden” para Akira Kurosawa em 1970. Kinoshita foi sempre um olhar atento e um incentivador dos novos talentos que estavam ao seu redor. Destacam-se Masaki Kobayashi e Kiju Yoshida. Ambos vão se tornar cultuados e criativos diretores do período da Nouvelle Vague japonesa.

 

Serviço

Ciclo “100 anos de KeisukeKinoshita o cineasta dos dramas e comédias do pós-Guerra no Japão”

São Paulo

Dias 3, 4, 5, 10, 11 e 12 de julho (terça, quarta e quinta-feira)

Local: Sesc Pinheiros – auditório: Rua Paes Leme, 195 – Pinheiros (próximo ao metrô Pinheiros – Linha Amarela)

Tel: (11) 3095-9400 (estacionamento no local)

Capacidade: 100 lugares

Entrada franca

Horário de funcionamento da Unidade: Terças a sextas, das 13 às 22h. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h horas.

 

Horário de funcionamento da Bilheteria: Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados das 10h às 21h30, domingos e feriados das 10h às 18h30.

Para informações sobre outras programações “www.sescsp.org.br

 

 

PROGRAMAÇÃO

São Paulo – Sesc Pinheiros

 

DIA 03/07 (TERÇA-FEIRA)

14h – Sublime Dedicação (Nijushi no Hitomi)

18h – Primavera Desfolhada (Sekishun-cho)

20h – Lenda do Narayama (Narayama Bushiko)

 

DIA 04/07 (QUARTA-FEIRA)

14h – O Porto em Flor (Hana Saku Minato)

16h – O Murmúrio do Rio Fuefuki (Fuefukigawa)

20h – Flor e Incenso (Koge)

 

DIA 05/07 (QUINTA-FEIRA)

14h – Mulher (Onna)

16h – Almas em Flor (Kazabana)

18h – Hoje como Ontem (Kyo mo mata kakute ari nan)

20h – O Inesquecível (Eien no Hito)

 

DIA 10/07 (TERÇA-FEIRA)

14h – Lenda do Narayama (Narayama Bushiko)

16h – Rikugun

18h – Sublime Dedicação (Nijushi no Hitomi)

 

Dia 11/07 (QUARTA-FEIRA)

14h – Flor e Incenso (Koge)

18h – O Porto em Flor (Hana Saku Minato)

20h – O Murmúrio do Rio Fuefuki (Fuefukigawa)

 

DIA 12/07 (QUINTA-FEIRA)

14h – O Inesquecível (Eien no Hito)

16h – Hoje como Ontem (Kyo mo mata kakute ari nan)

18h – Mulher (Onna)

20h – Uma Tragédia Japonesa (Nihon no Higeki)

 

 

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