ERIKA TAMURA: Katehomu – A visita do professor

Na escola japonesa, logo que se inicia o ano letivo, o professor dos alunos visita a casa de cada aluno. Um por um.

 

E essa semana foi a vez do professor da minha filha visitar a minha casa. É uma visita rápida de meia hora, tudo agendado antecipadamente, com roteiro programado. O professor vem e fala sobre o comportamento da criança dentro da escola, elogios e críticas são colocados na mesa.

 

Em contrapartida, os pais também podem falar tudo o que pensam, é a hora de tirar todas as dúvidas e testar o professor.

 

Independente do conteúdo do encontro, acho válido é essa iniciativa das escolas japonesas. É uma forma de tentar aproximar os pais dos alunos com seus professores e com a própria escola, e o maior beneficiário de tudo isso com certeza é a criança.

 

No Brasil, tenho amigos que são professores, e eles relatam que a maior dificuldade é fazer uma aliança entre pais e professores num objetivo comum, que é a educação da criança.

 

Esse estreitamento na relação entre pais e professores, pode significar o primeiro passo para uma boa comunicação no relacionamento que irá contribuir para a base de uma educação qualificada.

 

Muitos brasileiros que possui filhos que frequentam a escola japonesa, não compreendem o idioma japonês, para isso as escolas onde há uma grande concentração de brasileiros, disponibilizam de intérpretes para acompanhar os professores nas visitas as casas. É só solicitar na escola.

 

Acho muito difícil implantar o modelo japonês de educação no Brasil, pois é muita disciplina, mas a essência, a ideia poderia pelo menos ser cogitada, porque realmente a criança será um adulto com noção de cidadania e respeito ao próximo como palavras prioritárias.

 

Ontem, na visita do professor em casa conversamos sobre o desempenho da minha filha, mas também tocamos no assunto cultural, e todas as diferenças que envolvem tanto um país como o outro. Servi café brasileiro com pão de queijo, não preciso nem dizer que o professor adorou, e ainda repetiu o pão e o café!

 

E são esses valores que foram se perdendo e vejo que aqui no Japão se valoriza muito: o interesse dos pais pelo estudo dos filhos e o interesse do professor pelo cotidiano doméstico da criança.

 

São detalhes que na vida da criança faz toda a diferença, e isso não pode ser passado despercebidamente, temos que envolver as crianças com esses diferenciais para quem sabe, no futuro termos uma valorização da educação dentro dos principais requisitos para o desenvolvimento e bem estar social da humanidade.

 

 

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba (SP) e há 14 anos reside no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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