ERIKA TAMURA: Meu pai, Hiroyuki Tamura

O dia dos pais no Japão é comemorado no ter­ceiro domingo de junho, ao contrário do Brasil, que é comemorado em agosto. Acredito que é para os pais não ficarem com ciúmes das mães, por isso colocaram a data bem pertinho.
Mas essa semana vim aqui ressaltar sobre o aniversário do meu pai, Hiroyuki Tamura, no dia 5 de junho.
Para a maioria pode ser uma data qualquer, mas para mim é muito importante, pois há um oceano que me separa dele e impossibilita um abraço bem apertado. Mais um ano longe…
A figura do pai aqui no Japão é de um certo distanciamento afetivo, visto mais como uma imagem autoritária, mas esse estereótipo vem mudando nos últimos anos. Quando participo das reuniões escolares da minha filha, percebo que o número de pais vem aumentando a cada ano, o que demonstra que o Japão começa a deixar de lado a cultura machista, para entrar num período de maior igualdade.
O meu pai, particular­mente, sempre foi muito presente na minha vida. E mesmo longe, sei que ele participa ativamente de todos os momentos importantes para mim.
Ao lado da minha mãe, sei que meu pai exerceu exaustivamente a palavra dedicação. E é isso que o torna especial.
O que quero dizer com esse artigo, é que por mais longe que eu esteja, não existe um dia sequer que eu passe sem pensar, mencionar e falar sobre o meu pai. Ninguém imagina a força que ele me dá, acho que nem ele mesmo imagina isso.
Muitas pessoas têm me falado que admira a minha coragem, a minha luta, mas a verdade é que eu só tenho a coragem de dar a cara pra bater, porque sei que meu pai está do meu lado, só vou a luta, porque sei que meu pai vai abraçar a minha causa e vai lutar do meu lado, sem titubear e sem ao menos saber que causa é essa.
E sempre que alguém me pede ajuda, tento passar um astral motivacional que só tenho porque tive uma estrutura muito boa e sólida, que foi passada pelo meu pai.
Há inúmeras outras histórias semelhantes de sucesso que podem ser atribuídos diretamente a atos de amor dos pais, especialmente o pai. Várias pesquisas revelam que filhos que desenvolvem um alto potencial acadêmico, social e profissional, contam com um pai participativo e zeloso por trás, que se interessa e se dedica aos seus filhos. Que responsabilidade hein?
Eu quero dizer que a minha única vontade hoje, nesse exato momento, era poder dar um abraço bem forte no meu pai, e agradecer-lhe por tudo, olhar nos olhos dele e dizer o quanto o amo! Se hoje eu sou quem sou, é por causa dele.
E sempre digo que filho é a evolução familiar, portanto os filhos têm obrigação de serem melhores que os pais, sem competição, mas olhando com um parâmetro comparativo de admiração. Pois então, eu ainda não consegui ser mais evoluída que meu pai, mas acho que estou no caminho para isso.

 

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba (SP) e há 14 anos reside no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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