ERIKA TAMURA: Outra crise econômica no Japão? Será?

 

Essa disputa de ilhas, e esse confronto entre Japão e China, tem sido usado como desculpa para uma possível volta da crise econômica no Japão. Muitas pessoas falam que a China, com esse clima hostil, tenta de todos os jeitos atrapalhar o Japão, e assim provavelmente estaria para acontecer um recesso econômico no Japão.

Eu não acredito nisso, pois China e Japão vivem em conflitos há muito tempo, e não é de hoje que japoneses e chineses não se topam. Acredito que o Japão tem usado esse conflito como desculpa para justificar a negatividade econômica que o país possa entrar. Com isso ele mata dois coelhos com um tiro só: Piora-se o clima entre os dois países e ainda ganha-se tempo para o Japão respirar e pensar no que fazer.

A verdade é que, desde 2008, quando uma grande crise econômica se alastrou pelo Japão, o país não conseguiu se reerguer 100%, pois quando o quadro começava a demonstrar uma positividade, veio o tsunami e pronto…

De volta a estaca zero.

Mas o que tenho observado é que o povo japonês não é de ficar se lamentando ou reclamando pelos cantos, eles realmente acreditam no país e confiam no governo que têm. Ao contrário dos brasileiros que vivem aqui, pois a maioria costuma reclamar de tudo… Se tem hora extra é porque trabalha demais e não querem fazer, se não tem hora extra, acreditam que a crise chegou e se instalou sobre a cabeça deles, e acham que aqui não dá mais para ficar. Difícil saber o que realmente o povo brasileiro quer.

A única certeza que tenho é que já que a eminência de uma possível crise, então há a necessidade de qualificação e aprimoramento profissional. Na minha opinião temos que dançar conforme a música. Se há hora extra, ótimo!

Vamos nos preparar para trabalhar muito, mas se não há hora extra, ótimo também! Vamos aproveitar o tempo vago e fazer um curso? Aprender japonês por exemplo seria uma ótima ferramenta, e nem precisa de dinheiro, pois existem órgãos públicos que disponibilizam cursos de japonês gratuitamente e em horários flexíveis. Portanto, temos que acabar com essa mania brasileira de colocar a culpa em algo. Não tem dessa, o comodismo faz com que a evolução cesse, e o retrocesso seja o próximo passo.

Para mim, ficar reclamando e tentar achar um culpado para tal situação é admitir publicamente a própria incapacidade de progredir e seguir em frente. Seria como assinar um atestado de incompetência evolutiva, portanto o que restou foi só reclamar.

Os brasileiros têm que parar de achar que o governo japonês está contra os brasileiros, o que não é verdade. Afinal se estamos no país deles nada mais justos que entremos dentro das regras deles. E olha que ainda nos dão muita colher de chá, pois nos disponibilizam tradutores, a fim de facilitar a nossa vida no Japão. Totalmente desnecessário não é? Afinal, se moramos aqui temos que aprender o idioma local.

As pessoas se admiram quando eu falo que cheguei no Japão sem saber falar japonês e praticamente analfabeta, mas estudei por conta própria em casa, de madrugada, enquanto meu filho dormia, eu estava debruçada em livros e cadernos, com a única intenção de cada vez mais poder melhorar a minha vida, e conseguir subir degrau por degrau dessa escalada da vida que é completamente surpreendente. E hoje tenho um emprego que conquistei com esforço próprio, sou pesquisadora num centro de pesquisa tecnológico, e esse emprego é meu motivo de orgulho, pois não foi fácil chegar aqui, mas valeu a pena. E todo esse esforço de qualificação e dedicação profissional não deveria se motivo de surpresa, pois deveria ser o normal na vida de todos, mas como a maioria está acomodada, isso torna-se um diferencial.

E é isso que quero mostrar com esse artigo, que pode vir a crise que for, eu me garanto, pois estou estruturada, e enquanto os brasileiros estavam sendo demitidos das fábricas na crise econômica de 2008, eu estava sendo promovida e recebendo aumento. Viram a diferença quando se tem um diferencial? Não há motivo para pânico se falarem na palavra “crise”, e para aqueles mais ousados, crise soa como mola propulsora, pois é nesse momento difícil que surgem oportunidades para grandes ideias.

 

 

*Erika Tamura nasceu em Araçatuba (SP) e há 14 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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