ERIKA TAMURA: Turismo no Brasil

Hoje, conversando com o meu chefe do centro de pesquisa onde trabalho, ele demonstrou uma certa curiosidade relacionada ao turismo nas favelas brasileiras.

Esse foi o tema de um programa exibido na televisão japonesa e tem chamado muito a atenção dos japoneses.

Os japoneses nunca imaginaram uma favela e nem sabiam ao menos o verdadeiro significado disso. O programa explica que a população pobre das cidades deslocam-se e fixam-se nos morros e vão construindo suas casas, e por falta de espaço e planejamento acabam encostando uma nas outras, e assim surgem as favelas. Foi falado também sobre o perigo da possibilidade de incêndio, visto que as ligações elétricas são feitas precariamente e muitas vezes sem cuidado para a prevenção de acidentes. Sem contar que no caso de um incêndio, há a dificuldade de acesso à favela pelo corpo de bombeiros.

Conversando com o meu professor da faculdade, ele me relatou uma história onde ele, brasileiro e mais um professor da universidade de Tsukuba, japonês, foram ao Rio de Janeiro para uma conferência sobre educação, e esse professor japonês estava curioso para ver essa novidade do turismo nas favelas, ligou para a empresa que realiza esse pacote turístico e marcou com o motorista de uma van que foi buscá-lo na porta do hotel, e a apresentação de toda a favela foi feita em inglês. O professor adorou, e achou tudo muito organizado e estruturado, voltou cheio de lembrancinhas feitas pela comunidade local, viu apresentação de danças e várias manifestações culturais. Realmente impressionante!

Todo esse trabalho de estruturação dentro da favela é no mínimo louvável, e digo mais, traz para dentro da comunidade a possibilidade de uma expectativa de vida onde é possível sonhar com a integração social sem divisão de classes. Um pouco utópico mas viável.

E com a proximidade da realização de uma Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016, nada mais propício do que esse turismo dentro das favelas.

Concordo que o Brasil ainda tem muito a ser melhorado em vários aspectos para a realização de um evento perfeito. Mas também não me iludo com a ideia de que a Copa e Olimpíadas irão ajudar o Brasil socioeconomicamente falando. Na minha opinião, um evento desse porte só seria viável, no dia em que o Brasil não tivesse crianças nas ruas, no dia em que a educação fosse acessível à todos e não um privilégio de poucos.

Estatisticamente o Brasil só possui melhor educação que a Somália! Será que temos que ter orgulho disso?

Outro ponto relacionado a infra estrutura do Brasil, melhoria nos serviços dos aeroportos e das companhias aéreas, todas as vezes que vou à passeio ao Brasil eu me estresso muito no aeroporto, tanto com a qualidade dos serviços como a falta de comprometimento das empresas para com o consumidor. E me pergunto, como esse tipo de serviço pode atender às exigências dos padrões internacionais de turistas que irão prestigiar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíadas.

Mas em contrapartida, o Brasil possui uma característica única, o calor humano, não conheço povo mais acolhedor que esse, com certeza a maioria dos brasileiros estão orgulhosos em sediar tais eventos, e isso faz com que tornem-se excelentes anfitriões, o que pode compensar a lacuna deixada na parte de prestação de serviços.

E dias atrás vi um vídeo nas redes sociais, onde mostra a minha cidade natal, Araçatuba escolhida para ser uma sede de treinamentos durante as olimpíadas, isso me deixou muito mas muito orgulhosa mesmo, apesar de todos os problemas que citei acima, esse vídeo mostrou a vontade do povo em ser reconhecido pela ótima receptibilidade.

 


*Erika Tamura nasceu em Araçatuba (SP) e há 14 anos reside no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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