ERIKA TAMURA: Voto Consciente

 

Eleições nas cidades brasileiras…é muito difícil falar de política e ser imparcial, pois sempre haverá alguém para adorar o texto, e outro alguém para criticar. Eu não vou levantar a bandeira de nenhum político e nem tomar partido de ninguém, mesmo porque acho que a essa altura do campeonato todos já devem saber o suficiente sobre o candidato escolhido em cidades onde haverá segundo turno, sim ou não? Talvez?

É exatamente sobre isso que quero alertar a população brasileira, o exercício da cidadania só é completa com o voto consciente. O que às vezes me deixa receosa é que muitos preferem anular o voto como forma de protesto, isso eu acho um desperdício, pois o título de eleitor é a arma que todos têm para lutar por um mundo melhor, e o voto é um direito conquistado! Como tem gente que prefere abrir mão de um direito adquirido em forma de protesto? Sinceramente não consigo entender.

A geração que lutou tanto por um país democrático deve estar indignada com essa parcela de eleitores que anulam o voto, afinal batalharam tanto para conquistar esse direito. E a desculpa em falar que todos os candidatos não prestam, é somente a consequência do voto por obrigação e sem consciência nenhuma, pois lá atrás já se começa a campanha de um político, muitas vezes já se observa o espírito de liderança de algumas pessoas, aliado ao comprometimento social de uma comunidade ou nação, e somente depois dessa observação, é que se começa a moldar um perfil de um possível candidato. Política é assim, leva tempo, consome ideias, forma opiniões, pleita por direitos.

Mas se um cidadão que anula o próprio voto, ele tem o direito de reclamar depois? Ele pode dizer, eu não votei nesse prefeito então estou com a consciência tranquila se alguém reclamar de seu mandato, isso é justo?

Acho que já passou da hora do cidadão brasileiro ter voz, e começar a exigir qualidade política, ora se ser político hoje em dia virou profissão, o que eu acho muito errado, então deveria ser exigido qualificação da mão de obra. Se está preparado tudo, se não está, corram atrás dessa qualificação, onde os critérios são escritos pelo próprio povo brasileiro.

Eu vivo há 14 anos no Japão, e nesses 14 anos eu justifico meus votos, não porque eu quero e sim porque aqui no Japão só há a obrigatoriedade de se votar para as eleições presidenciais. O restante não há votação aqui, somente a justificativa.

E a lei está mais rigorosa no quesito título de eleitor, onde agora há a obrigação dos brasileiros em manter o título eleitoral em dia, ou seja, antes poderíamos acumular vários turnos eleitorais e justificarmos somente quando formos ao Brasil, atualmente, temos que justificar todas as eleições, e se acumularmos três turnos o título de eleitor estará suspenso, e com isso perdemos o direito de renovação do passaporte. Essa nova medida pegou todos de surpresa, fui aconselhada pela funcionário do Consulado Brasileiro a transferir o título para o Japão.

Nas eleições no Japão os eleitores não são obrigados a votar, o que se ganha em qualidade dos votos, perde-se em quantidade, mas a qualidade recompensa. Portanto, todo voto aqui no Japão é consciente.

Mas não dá para comparar política brasileira com política japonesa, há vários revezes e vários benefícios de ambos os lados, mas são bem antagônicos. Asim cada país, cada cidade, cada comunidade tem o governante que merece, cada povo escolhe aquele que melhor lhe convém para representá-lo legislativamente, para defender seu interesse e para satisfazer suas necessidades.

 


*Erika Tamura nasceu em Araçatuba (SP) e há 14 anos mora no Japão, onde trabalha com desenvolvimento de criação. E-mail: erikasumida@hotmail.com

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