JORGE NAGAO: Gushiken, honra restituída

 

Como bancário e colaborador do Departamento Cultural do Sindicato dos Bancários de São Paulo, conheci Luiz Gushiken, nos anos 80, como vice-presidente e depois presidente daquela entidade. Sereno e ponderado, corajoso quando necessário, consagrou-se defendendo a categoria bancária naqueles anos de alta inflação do governo Sarney. Votei nele nas eleições do sindicato e depois para deputado federal. Em 1994, ele coordenou a campanha de Lula. Quando, finalmente, o metalúrgico se elegeu presidente, em 2002, Gushiken virou ministro da Secretaria de Comunicações. Depois de tantas lutas, chegar ao poder não significou chegar ao paraíso. Muito pelo contrário. Em 2005, o deputado Roberto Jefferson denunciou o caso que ficou conhecido como “mensalão”. A partir daí a vida de Gushiken virou um inferno. Quem explica isso é o jornalista Mino Carta.

E quem é Mino Carta? Ele, simplesmente, criou o Jornal da Tarde, depois a Quatro Rodas, criou a revista Veja, inventou a Istoé, o Jornal da República, a revista Senhor, e hoje comanda a Carta Capital. No dia 6 de setembro, completa 79 anos. Com toda essa experiência, Mino detectou, há muito tempo, o dono do Brasil: o banqueiro Daniel Dantas que está por trás de grandes jogadas desde o governo FHC. Na edição atual de Carta Capital, Mino, no editorial, e Sergio Lírio relatam, nos mínimos detalhes, porque Luiz Gushiken, apesar de inocente, virou um dos 40 réus do Mensalão.

Segundo Sergio Lírio, Henrique Pizzolato era um combativo diretor da Previ, caixa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, e atuava ao lado dos fundos de pensão na guerra comercial contra Dantas. No início do governo Lula, ao assumir a diretoria do BB, mudou de lado. Recebeu R$326 mil do valerioduto para defender o banqueiro. O objetivo era afastar Sérgio Rosa da presidência da Previ e permitir a Dantas realizar uma operação que lhe daria o controle da Brasil Telecom. Luiz Gushiken era visto pelo banqueiro como o maior inimigo dentro do governo, por isso Dantas usou Pizzolato como acusador perfeito para favorecê-lo. Na verdade, Gushiken foi acusado, não por peculato, mas por Pizzolato que, depondo na CPI dos Correios, em dezembro de 2005, alegou que transferiu valores do fundo Visanet a mando de Gushiken.

O Supremo Tribunal Federal, em votação apertada, acatou a denúncia. Desgastado e com problemas de saúde, deixou o governo em 2006. Mais tarde, em juízo, Pizzolato retiraria a acusação contra Gushiken, após Daniel Dantas ser favorecido na negociação da fusão entre a Oi e a Brasil Telecom, conclui Sergio Lírio.

Registre-se que poucos jornalistas da grande imprensa, excetuando a Carta Capital, ao longos desses anos, defenderam Gushiken. Recentemente, Washinton Araujo, no Observatório da Imprensa, e Paulo Moreira Leite, na revista Época, manisfestaram-se favoravelmente ao ex-ministro de Lula.

Roberto Gurgel, o procurador geral da República, em 2011, inocentou Gushiken mas não retirou o nome dele do processo. Em sua acusação, no julgamento, inocentou-o. A seguir, por unanimidade, O STF restituiu a honra de Gushiken “que enfrentou as acusações com a resignação de um mestre budista”.

O processo causou-lhe um mal terrível, conta o seu advogado José Roberto Leal de Carvalho. Lutando contra um câncer, enfrentou diversas cirurgias, o samurai, apelido dado por Mino Carta, segue resistente e ávido por boas conversas e convívio de amigos. Nossa solidariedade a este guerreiro, vítima de uma tramoia dos aliados de Daniel Dantas dentro do governo Lula. Força, Luiz Gushiken!

 


*Jorge Nagao é colunista do site Primeiro Programa (www.primeiroprograma.com.br). E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

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