JORGE NAGAO: “Nihonjin” conquista o Jabuti

 

No dia 21 de setembro, parabenizei Oscar Nakasato por estar entre os dez finalistas na categoria romance do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, um dos mais prestigiados prêmios do país. Ganhar um Jabuti é entrar para a história da literatura brasileira. Modestamente, ele assim se manifestou:

– Olá Jorge! Obrigado! A parada vai ser dura, mas só o fato de ser finalista já me deixa feliz. Abraços, Oscar .

Na última sexta-feira, dia 18, a comunidade literária foi supreendida com a vitória de “Nihonjin”, de Oscar Nakasato, um estreante.

Surpresa para os desinformados. O livro que conta a história de Hideo Inabata que chega ao Brasil há cerca de um século, com o objetivo de levar recursos ao Japão, já havia conquistado o prêmio Benvirá de Literatura superando 1932 concorrentes. Em 2003, Oscar Fussato Nakasato também venceu o concurso literário da Secretaria de Cultura do Estado, Prêmio Especial Paraná, com o conto Menino na Árvore.

Para quem ainda não sabe, este maringaense pacato, Oscar Nakasato, é mestre em Literatura e professor de Literatura e Linguagem na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, no campus de Apucarana.

– Se eu morasse em São Paulo, daria mais entrevistas, participaria de mais eventos e, assim, ‘Nihonjin’ teria maior visibilidade, mas creio que eu e meu romance podemos viver bem em Apucarana ou Maringá, disse ele ao Diário do Norte do Paraná.

 

Em entrevista ao jornalmemai.com.br, Nakasato conta como foi o processo para escrever o livro que mudou a sua vida:

– Para escrever Nihonjin, aproveitei lembranças minhas e episódios que minha mãe, principalmente, me contava, mas o romance não é biográfico, é uma ficção. Eu aproveitei muito as pesquisas que fiz durante a minha tese em livros de História, Antropologia e Sociologia para entender o processo de imigração japonesa e a inserção dos japoneses e seus descendentes na realidade brasileira. A leitura desses livros (lembro-me, principalmente do livro de Tomoo Handa) me deu subsídios para a elaboração de personagens e episódios para o romance.

A professora Lucinéa Resende, da UEL, Universidade Estadual de Londrina, falou sobre “Nihonjin”:

– O romance enriquece-nos por permitir uma compreensão maior da cultura do povo japonês, das relações familiares e, por vezes, aos nossos olhos, inflexíveis, por outras, mas sempre orientadas por uma razão maior que permitiu a organização e a prosperidade desse povo, superando obstáculos sempre.

Nakasato ainda concorre a mais uma etapa: no dia 28 de novembro serão anunciados os vencedores nas categorias livro do ano de ficção e não-ficção. Teremos mais surpresas?

Uma outra nipo-brasileira foi premiada pelo Jabuti. É a escritora e ilustradora Lúcia Hiratsuka, com o livro de imagens (e-hon) A Visita. Ela ganhou o segundo lugar na categoria ilustração de livro infantil e juvenil (mais detalhes no portalnikkei.com.br)

– Parabéns, Lúcia Hira­tsuka!

– Parabéns, Oscar Nakasato!

 

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*Jorge Nagao é colunista do site Primeiro Programa (www.primeiroprograma.com.br). E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

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