JORGE NAGAO: O Visionário Olímpico

 

Os modernos jogos olímpicos foram fundados há 116 anos. Desde então, sucessivas gerações curtem, a cada quadriênio, esta festa do esporte que empolga bilhões de pessoas que, iIndependentemente da raça, cor ou país, reverenciam os melhores atletas que buscam a perfeição humana superando recordes graças ao talento e à superação.

E quem foi o grande responsável pela internacionalização dos jogos olímpicos? O idealizador e implantador foi um historiador, escritor e educador : o barão Pierre de Coubertin. Para o presidente da Associação Ibero-americana da Academia Olímpica, Conrado Durantez, Coubertin é o desconhecido mais famoso da história. Não fosse a sua frase “O importante não é vencer, é competir”, repetida ad infinitum, ele seria ainda mais esquecido.

Como um nobre, intelectual, se interessou pelo esporte? A infância dele foi marcada pela guerra franco-prussiana de 1870 em que a França foi derrotada no ano seguinte. O jovem Pierre queria ajudar a reerguer o seu país.

Como discordava da rigidez do sistema educacional que privilegiava a religião e as letras clássicas e ignorava a educação física e o esporte, acreditava que “a França só poderia ressurgir através de uma mudança radical no currículo escolar”. Assim começou o excelente documentário “Barão de Coubertin, o visionário olímpico” exibido no Sportv, dias antes da abertura dos jogos londrinos.

Batalhou por suas idéias por muitos anos sem convencer os franceses. Quando as descobertas arqueológicas da Grécia causaram sensação na Europa, especialmente a escavação em Olímpia, Coubertin resolveu levar a idéia dos jogos ao país que os criara. Em 1894, foi criado o primeiro comitê olímpico que decidiu que os primeiros jogo seriam na Grécia. Sem dinheiro, a história se repete hoje, as autoridades negaram o pedido do barão que convenceu os gregos ricos a viabilizar o evento que ocorreu em 1896. Como toda novidade, houve muitos desacertos, porém foi um sucesso, tanto que os gregos queriam que a sede das olimpíadas fosse sempre em Atenas.

Coubertin esclareceu que a ideia era internacionalizar o evento que aconteceria em outra cidade, de quatro em quatro anos. Em 1900, Paris acolheu os atletas mas, devido à má organização, ficou conhecida como “olimpíadas cômicas” por conta de modalidades bizarras como natação com obstáculo e tiro aos pombos. Como foram filmados, nos primórdios da cinematografia, os jogos parisienses repercutiram favoravelmente.

Em 1904, as olimpíadas ocorreram em Saint Louis-EUA. Presidido por um desafeto de Coubertin, James Sullivan, o evento foi conturbado mas atraiu um bom público. Assim, aos trancos e barrancos, com a primeira guerra mundial no meio, os jogos foram crescendo e atraindo multidões. Finda a guerra, morre o pai de Coubertin que lhe deixa uma pequena fortuna. Para consolidar o seu sonho olímpico, ele investe quase todo o seu dinheiro nos

Jogos, desagradando a esposa que previa, com razão, a ruína familiar. Nos Jogos da Antuérpia, ele lançou os cinco anéis que acabou se transformando na bandeira da humanidade. Em 1928, em Amsterdam,as mulheres estreiam, como atletas, contrariando o fundador que gradualmente foi perdendo espaço no comitê olímpico.

Em 1927, teve uma grande alegria: os gregos erguerarm uma coluna, em Olímpia, e colocaram o nome de Coubertin que, agradecido, declarou, em seu testamento, que gostaria que o seu coração fosse enterrado nessa coluna.

Em 1936, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por seu trabalho em prol da humanidade, sem sucesso. Neste ano, os jogos foram em Berlim, coincidindo com a subida do nazismo. Como foi um dos organizadores, o nome de Pierre de Coubertin acabou associado a esta página nefasta da história mundial.

No dia 2 de setembro de 1937, Coubertin morreu vítima de um ataque cardíaco. Tinha 74 anos, pobre e solitário, morava de favor no alojamento do Comitê Olímpico, em Lausanne, Suiça. Partiu inconformado pois julgava que suas Olimpíadas fazia parte de sua arte inacabada. Seu coração foi enterrado naquela coluna, em Atenas.

O mundo agradece pelo grande legado que nos deixou. Sua profecia cumpriu-se: “que, através do esporte, haja mais tolerância, paz e harmonia no mundo”. É o que vemos nos undokais e nos atuais jogos em Londres. Thanks, Arigatô, Merci, Pierre Coubertin!

 


*Jorge Nagao é colunista do site Primeiro Programa (www.primeiroprograma.com.br). E-mail: jlcnagao@uol.com.br

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