JORGE NAGAO: Saber Beber

 

É preciso saber viver, saber vender e também saber beber. O alcoolismo, infelizmente, tem crescido entre os jovens e até entre as mulheres. Que “reive” que me dá em saber que o álcool chega cada vez mais cedo aos ado(l)escentes. A nova geração que inventou o ficar, já quer ficar de fogo? Pula direto do toddynho pra vodkaice? Isto não é ficar auto-suficiente, mas “alto” o suficiente para fazer alguma bobagem. Garot@, desacelere. Deixe o “barato” pras baratas.

Beber é um negócio muito sério. Se para dirigir um carro você precisa de uma carteira de habilitação, para beber você deveria ter uma carteira de biritação. Dirigir um copo à boca requer muito controle da situação.

Seu corpo será um veículo movido a álcool ou flex. Tem gente que não dirige um carro, mas se dirige pelas ruas e calçadas esburacadas, ziguezagueando, podendo bater num poste ou capotar a qualquer momento. Aí cai no sono, na sarjeta, no conceito das pessoas.

Imagina uma aula de copo-escola. Num bar, o instrutor começa a “em cynar” o aluno caipirinha ou a aluna Maria-mole, de maior, a se dirigir. A aula-aperitivo é, literalmente, um porre:

-Cerveja bem, a champagne meu raciocínio, inicia ele. Em primeiro lugar, você deve estar bem regulado, bem alimentado. Tome um engov. Ao engatar a primeira dose, se solte devagar e preste atenção em quem vai e quem vem. Acelere e curta o primeiro frisson da viagem. Engate a segunda dose, sem pressa, sentindo a “brisa” que logo começa a bater.

Qualquer coisa, acio­ne o pára-“brisa”. Na terceira dose, fim da fase do esquenta, você já está calibrado, bem solto, mas precisa ficar ligado.

Na quarta, se a paisagem ficar embaçada, sinal vermelho. O pessoal vai buzinar no seu ouvido pra você parar. Então, freie. E go home! Boa ressaca!

Ao longo da existência, tive ótimos amigos movidos a álcool. Ou não.

Êta nóis! Tenho um amigo que bebia, parou e hoje ingere só sumo, o Yamaguchi. Sigueru teve uma cachaçaria, mas como não entendia do produto tomou uma bela dose de prejuízo; a cachaça fez mal pra ele, um abstêmio convicto. Hiroyuki era um sake-man, fotógrafo, hoje é um sushi-man e vive enrolando em Floripa. Tem o jornalista e humorista Mouzar Benedito que ostenta com orgulho em seu curriculum “jurado em um concurso de cachaças”. Um especialista, como o Lula. Fernando da Rosa Chagas, meu guru, ex-halterocopista, hoje, sossegado, cuida do pé-de-cana no quintal de sua casa. Outro tomou tanto que o álcool lhe tomou a dignidade, a coordenação motora e a vontade de viver. Acabou uísquezofrênico.

Aprecie com moderação é uma frase batida (de limão?), mas resume bem a questão. Qualquer excesso pode por tudo a perder. Perguntado sobre a famosa renúncia, o ex- Presidente Jânio Quadros, confessou: – Mé, a culpa! Mé, a culpa!

Como a saída para o alcoolismo é a saideira, vamos à ela: o irônico é que a sua próxima dose pode ser a gota d’água…

 

 
*Jorge Nagao é colunista do site Primeiro Programa (www.primeiroprograma.com.br). E-mail: jlcnagao@uol.com.br

 

 

 

 

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