SILVIO SANO: Eu era tão feliz e não sabia

“Quando criança, acha­va que padre não pecava, professor sabia de tudo, médico curava qualquer doença, polícial não roubava, correio cuidava apenas de correspondências, padaria fazia apenas pão, barbeiro apenas barba e cabelo, etc., etc. Até que um dia eu cresci.” Assim foi o primeiro prágrafo de uma crônica que escrevi há muitos anos e faz parte de uma antologia (Confrontos & Conflitos) que publiquei em 2006.

 

Hoje, devido a outro momento que passamos, apesar de não muito diferente do que escrevi semanas atrás quando tratei da Comissão da Verdade, acho que posso acrescentar àquela frase mais um item logo após o “… polícia não roubava,…” já que se trata de item que também merece ênfase: “juiz era justo”. Isso, devido ao atual bafafá de uma possível interpelação do ex-presidente Lula ao ministro do STF Gilmar Mendes no processo do mensalão.

 

Não estou afirmando que o ministro não seja justo e nem que os demais do Superior Tribunal não os sejam, mas apenas que trouxe à discussão esse fato. Quem não se lembra de Lalau, o juiz presidente do TRT-SP? Ele foi julgado, condenado e provado que não era… justo! Aliás, não apenas injusto…

 

O assunto veio à baila, lógico, devido a essa interpelação porque se for verdade o ex-presidente é que os acha injustos… senão não o faria. E se não for verdade, o ministro, então, é que seria mentiroso… injusto?

 

De qualquer forma, nós, cidadãos, agora adultos e, portanto, cientes de que aquela minha frase acima, infelizmente, trata-se apenas uma impressão infantil, temos, pois, de ficar atentos com o transcorrer dessa história que acaba de se aflorar e, para o bem da nação, cobrarmos para que se ponha a limpo…

 

O título do artigo foi tirado da música de um compositor brasileiro, já falecido, Ataulpho Alves. Desde que aprendi a letra, até hoje, nunca mais a esqueci mesmo após o… “Até que um dia eu cresci”. Mas, que fique claro: não sou saudosista. As coisas do passado devem se constituir apenas em elementos que reforçam os alicerces de nossa formação a fim de que possamos suportar até certos efeitos abaladores como esses. Né, não?
*Silvio Sano é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

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