SILVIO SANO: FACADA NAS COSTAS?

 

Volto a bater na tecla das não eleições de candidatos nikkeis e, dessa vez, extrapolando as fronteiras de Sampa. Acompanhei, no domingo, a contagem de votos até seu final, dando “passeadas” em algumas cidades onde a presença da comunidade é marcante. O que constatei, grosso modo, checando apenas candidatos por seus sobrenomes, serviu para consolidar minhas afirmações a respeito. Onde houve trabalho concentrado, eleição tranquila de candidatos (Registro, Marília e Londrina); e, penosa ou nenhuma candidatura eleita, onde pode ter havido o contrário (Campinas, Maringá e… São Paulo).

Embora Campinas não tenha presença destacada da comunidade, foi onde ficou mais clara essa questão. Tenho comigo, de algum tempo, que dois políticos nikkeis tem sido eleitos nessa cidade, um dos quais muito conhecido no meio do karaokê. Pois bem, neste ano, de repente, outra pessoa também forte no karaokê resolveu se candidatar. Resultado: obteve exatamente a diferença que faltou ao outro para ser eleito. Sou amigo de ambos, mas a atitude daquele foi uma grande “pisada na bola”, não detectada pelas lideranças locais.

Em São Paulo, à exceção de George Hato, não se pode dar crédito à comunidade por suas eleições. Mesmo neste caso, mérito ao pai que, desde há dois anos, tão logo eleito deputado estadual, vem comparecendo a quase todos os eventos da comunidade, além de contribuir positivamente com ações que lhes interessam. Aurélio Nomura, apesar da herança explícita do eleitorado do pai, somou-se a isso seu bom trabalho para a Cidade (vi Aloísio Nunes recomendando-o). Masataka Ota, sem medo de errar, teve 90%, ou mais, de votos vindos de “fora”, por sua… conhecida missão, de longa data.

Sempre afirmei que não se deve escolher representantes por etnia ou religião, mas se assim a comunidade o desejar há que se trabalhar para isso… tarefa natural às entidades líderes, principais interessadas, bem entendido. Assim, como não chamar de “facada nas costas” as não eleições de Ushitaro Kamia e Victor Kobayashi, depois de tudo que fizeram à elas, após constatar o total de mais de 220 mil votos aos candidatos nikkeis? Ainda que metade fosse de não nikkeis, com o tal do trabalho concentrado seria, facilmente, possível também reelegê-los. Né, não?!!

 

 

*Silvio Sano é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

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