SILVIO SANO: O Kohaku Utagassen, da NAK

 

Apesar do desconforto do auditório do Bunkyo-SP, pelo deficiente sistema de ar condicionado (?), poltronas duras e insuficiência de sanitários, a 18ª edição do Kohaku Utagassen do Instituto NAK do Brasil (INB) foi realizada sem incidentes e com vitória da equipe feminina, apesar do placar geral, ainda adverso, de 10 a 8 para os homens. No formato original da NHK japonesa de apresentação dos cantores, aos pares, mas diferenciados na forma de julgamento, por uma exagerada comissão de convidados especiais, independentemente de conhecimento musical até porque o espírito é o do entretenimento, o evento foi do agrado geral. Diferentemente do anterior comentado aqui, o deste tem recurso e mesmo com entrada franca, graças a patrocinadores e contribuições individuais conseguem ainda contemplar alguma entidade filantrópica que, no caso do deste ano, foi a Ação Solidária Contra o Câncer Infantil – ASCCI.

Mas, voltemos ao evento em si que comemorava também o Jubileu de Ouro da vinda do Maestro Akihisa Kitagawa ao Brasil. Quando se fala em ter recurso, no que se refere à comunidade japonesa não implica na realização de algo profissional e grandioso, mas em suficiência para se realizá-lo, até porque sempre conta com a extraordinária cultura do voluntarismo nikkei presente nas comissões organizadoras. Em função disso, o esquema naturalmente amador é sempre compensado pela enorme vontade de agradar ao público dos protagonistas que dão tudo de si nos poucos ensaios e no capricho dos figurinos e coreografias, razão pela qual chegaram ao 18º ano de realização, com “casa cheia”.

E no deste, ainda, contou com a presença do letrista japonês prof. Shohei Mozu, parceiro na música do prof. Kitagawa, Doko ni Saitemo Hana wa Hana, apresentada ao público pela cantora nikkei Mari Nishimura, bastante animada por sinal. Acompanhando o prof. Mozu, ainda em campanha para o reerguimento da moral japonesa devido à catástrofe do tsunami, veio a cantora Hanako Takahashi, que levantou o público em sua apresentação do Gambarê Enka. Somando-se à disputa tradicional entre homens e mulheres, intercalados por apresentações outras, como danças japonesas, clássicas e coral, diferenciou-se do anterior pelo público alvo, o próprio… enquanto aquele visou a integração, público, protagonistas e comissão.

 

 

*Silvio Sano é arquiteto e escritor. E-mail: silviossam@gmail.com

 

 

 

 

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