SHIGUEYU YOSHIKUMI: Jogar como passatempo

Se há alguém econômico, pão-duro até, é o bancário. Principalmente se foi caixa. O centavo para ele tem muito valor. Nesse caso – aquele ditado que não se pode generalizar – não se aplica. Morávamos perto da fronteira do Paraguai, funcionários do BB. Apesar do nosso apego a ninharia, talvez por isso, tivemos uma ideia insensata, mas para nós grandiosa. Com quatro colegas, bolamos um plano de ganhar dinheiro se divertindo. E foi justo em um cassino paraguaio. De início, ficávamos só olhando, em grupo separado, estudando o ambiente. Dois para o carteado, dois para a roleta e fiquei com o caça-níqueis. Não tinha muita paciência nem sangue frio ou rapidez de raciocínio. Fiquei de olho numa máquina. E percebi que o jogador perdia três vezes em seguida e ganhava na quarta. Às vezes a ordem se alterava. Mas o esquema sempre repetia. Foi só ficar atrás de algum jogador. Se ele desistisse na terceira, colocava a moeda e puxava a alavanca. Não dava outra. Ganhei muitas vezes, mas valores insignificantes. Eles não deixavam moedas se acumularem nas máquinas.
O mais difícil de ganhar foi no carteado. Os colegas eram bom no blefe, jogadores exímios que eram do truco. Pouco, mas saíram lucrando.
A roleta foi a que mais lucro deu. Também um era formado em Física. Outro com pós em Cálculo. Não sei como, por intermédio de fórmulas matemáticas da probabilidade, adivinhavam o número dezenas de vezes.
A contabilidade do grupo era eu que fazia. Tínhamos estipulado determinado capital. Se perdêssemos tudo, parávamos de vez. O balancete apontava boa vantagem. Os vigilantes do cassino e os crupiês ficavam em cima da gente, desconfiados. Achavam que estávamos aprontando alguma. Era hora de parar de brincar. Destinamos a bolada a uma entidade beneficente. Foi divertido pelo tempo que durou. Às vezes trocamos e-mails, os cinco. E rimos muito.
*Shigueyuki Yoshikumi

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