SHIGUEYUKI YOSHIKUNI: Sumô

Devo estar ficando velho. Até há poucos anos, gozava os colegas que assistiam a essa luta. Agora, estou gostando e torcendo. E perco umas horas por semana vendo aqueles lutadores enormes no ringue. Sei que não é nada estético vê-los usando apenas uma faixa de tecido, tipo fio dental. A finalidade é mostrar que os lutadores têm as mãos limpas e serve também para ser agarrado para efetuar golpes.
Perde aquele que tocar o chão com qualquer parte do corpo – menos os pés, é claro – ser jogado fora do ringue e usar de meios ilícitos.

Vai pedir desculpas? (Arquivo Pessoal)

Há os profissionais e os amadores. E o feminino. Pensava que as mulheres lutassem seminuas. Nada disso. Usam maiôs inteiriços, sem dispensar a faixa. E são grandonas.

Dizem que esses lutadores vivem poucos, em virtude do excesso de peso. Quem quiser ser lutador tem que começar cedo e com regime especial para adquirir aquela musculatura.
E como há apreciadores. O estádio fica lotado. O público é composto de homens, mulheres e crianças.
O jogador vencedor ganha uma bolada – o juiz entrega os envelopes com o dinheiro – cujo valor depende das apostas e da renda.
Só não sei o porquê de tanto jogar sal para cima. E o início ser tantas vezes adiado pelo juiz, vestido com traje de palhaço.
Esta lutadora de sumô, Midori o nome dela (foto), foi a minha primeira namorada, lá em Capituva. O amor é cego, não é Letícia? Por que não deu certo? É que por coisinhas à toa – com um golpe – ela me jogava ao chão. E colocava o pé tamanho 44 sobre a minha barriga e perguntava: Vai pedir desculpas? E eu, rápido: gomen, gomen (desculpe-me, desculpe-me).
Mas o que me deixava p. da vida era quando ela me mandava limpar a bunda dela. Ela não conseguia por causa da obesidade. Não dava para agüentar. O pior é que todos os anos, ao se aproximar o 12 de junho, lembro-me da Midori, com saudades.

*Shigueyuki Yoshikumi é jornalista e reside em Lins (SP)

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