JORGE NAGAO: Galinhada Na Virada

Anunciaram e garantiram que na Virada Cultural Paulistana haveria uma galinhada. Galinhada? Isso não é coisa de pobre?- assim reagiram alguns habituês da Virada. Mas, e se ela for preparada pelo Chef Alex Atala, do D.O.M., quarto melhor restaurante do mundo? Ah, nesse caso, pode ser um sucesso. Por causa disso muita gente, em Sampa, começou a salivar. O atendimento em seu restaurante, nos Jardins, é tranquilo mas como seria lá, no Minhocão? Programada para a madrugada de domingo, uma hora antes, a fila já estava formada. Quinhentas senhas seriam entregues à moçada que iria à badalada balada. Cada felizardo daquela boca livre, que poderia ser cobrada até R$15, degustaria a quentinha, feliz da vida, naquela noite estrelada. Uma coisa, porém, é a planejada, outra, é a realidade. Outros 21 chefs sabiam que seriam coadjuvantes do astro do evento, o Milad Alexandre Mack Atala, o Alex Atala, 43 anos, que sonha em levar ao mundo temperos e sabores bem brasileiros.
O acesso à barraca da galinhada seria por uma rampa determinada. As pessoas, muitas pessoas, milhares delas, na base do empurra-empurra chegaram por todas as rampas. Gente prensada e desesperada naquela zoada e a danada da galinhada, que é bom, nada! Resultado: barrigas vazias e vaias para a Virada. Vaiada cultural. Planejada para ser uma festa animada, a tal da galinhada virou uma chanchada da “Atalântida”. Ficou encurralada, “atalantada”, a adorada e idolatrada, salve, salve-se quem puder, equipe do Atala. Também pudera, no entorno da barraca havia mais gente do que em muitos shows da Virada.
A solução foi entregar a galinhada, àquela negada próxima da barraca (da classe A à D), a iguaria negada à maioria daquela gente alucinada. Não ficou assim como um pau de galinheiro, a imagem da Virada, mas certamente foi maculada depois desta presepada. O Minhocão virou o micão da Virada. Mal comparando, foi como um minhocão que caiu no galinheiro e apenas uma galinha o devorou para desespero da galinhada. A grande atração anunciada, enfim, virou piada. José Simão, na Folha, escreveu que a galinhada virou frango de macumba. A galinhada não tinha e agora não tem. O prefeito está prometendo agora uma Virada Gastronômica. Precisa, antes, decifrar a charada: como organizar esta salada & cia? Depois dessa, a gente nunKassab o que pode acontecer.
Para limpar a sua barra, o gourmet Atala, com o ombro direito contundido, levou o seu braço direito o promissor nikkei Meguru (Atala é o meu guru!), para preparar a guloseima na cozinha da Ana Maria Braga. Enquanto a nova Virada não vem, prepare a Galinhada Atalada em seu lar, em segredo, para não aparecer vizinhos e parentes que podem transformar a sua casa num Minhocão lotado. Não quero atá-la à cozinha, amiga, mas garanto que você ganhará uma goleada de elogios mesmo levando um frango.
Galinhada Atalada
No sábado, à noite, corte em pedaços uma galinha caipira, de preferência, degolada (ó coitada!) e sem as unhas. Aproveite tudo, miúdos, pés, pescoço. Cubra os pedaços com água, adicione 2 colheres de sal grosso, ervas (3 fls de louro, 10 fls de hortelã, um bocadito de coentro e 20 gr de manjericão), 1 cebola picada em cubos, 2 dentes de alho, dê uma mexida e guarde o recipiente na geladeira. No domingo de manhã, faça a marinada: separe os pedaços de frango e coloque quatro tomates cortados em cubo, 4 cebolas cortadas em 4, 6 dentes de alho, 1 pimenta de cheiro, 100 gr de coentro, 40 gr de manjericão,10 fl de hortelã, 1 fl de louro, sacuda isso tudo e guarde na geladeira por 4 a 5 horas. Doure os pedaços de frango e depois devolva-os à panela com a marinada e cozinhe por 20 minutos. Sirva com arroz, farofa, quiabo cozido com o caldo da marinada, pirão também feito com o caldo, e pronto. Bon appétit, mademoiselle! Hummm!!!

 

*Jorge Nagao é colunista do site Primeiro Programa (www.primeiroprograma.com.br). E-mail: jlcnagao@uol.com.br

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