COMPORTAMENTO: No Japão, tatuagens são recusadas em banhos públicos e alguns pontos turísticos

Chegou à nossa redação, a notícia de que um descendente japonês que fazia turismo pelo Japão e foi  proibido de entrar em um banho público por causa de sua tatuagem. No Brasil, muitos jovens usam tatuagem como moda, mas, no Japão, existe o costume de associar as pessoas tatuadas à Yakuza – a máfia japonesa. Por esta razão, balneários termais e banhos públicos em pontos turísticos, muitas vezes recusam a entrada de pessoas com tatuagens. Com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Japão se esforça para atrair turistas estrangeiros, porém, ao mesmo tempo, terá de tomar alguma medida como: “ser um pouco mais tolerante com as diferenças culturais” ou “divulgar mais amplamente antes que os turistas cheguem ao país”.

O portal da Agência Japonesa de Turismo elaborou uma seção com o objetivo de melhorar o atendimento de estrangeiros em termas e banhos públicos. As sugestões descritas sob o título: “Atendimento em banhos públicos aos turistas estrangeiros usando tatuagens” (http:/ /www.mlit.go.jp/kankocho/ topics05_000183.html) foram baseadas em pesquisa realizada pela própria Agência. No site, a página descreve os pontos de atenção e dá exemplos de como recepcionar um turista estrangeiro tatuado num banho público. Porém, como está escrito somente em japonês, não parece ser um conteúdo direcionado para os próprios turistas.

 

No Japão, muitos lugares proíbem entrada de pessoas tatuadas.
Reprodução

 

Em uma entrevista coletiva com a imprensa em 16 de março de 2016, o presidente da Agência, Akihiko Tamura, pediu compreensão aos turistas devido à “dificuldade de se definir uma norma comum que consiga satisfazer todas as partes, uma vez que existem vários pontos a serem considerados, tais como as ideias e restrições particulares que o país associa à imagem das pessoas de tatuagem, cujas justificativas podem ser morais, higiênicas e de segurança”.

O site dá sugestões às instalações balneárias como por exemplo: 1) pedir para colocar adesivos que cubram as partes tatuadas; 2) criar horários diferenciados; e 3) sugerir o uso de banhos privativos.

Toshio Shimada (42, descendente de japonês de 3ª geração) tatuador especializado na técnica tradicional japonesa – wabori, aprendeu a técnica no Japão em 1995 e atualmente administra o “Shimada Tatoo” na Rua Galvão Bueno, no bairro oriental.

Shimada explica o modo como a sociedade japonesa encara o costume, dizendo que “apesar de fazer parte da cultura, os japoneses associam fortemente o uso da tatuagem aos mafiosos, independente do desenho. Portanto, muitos não gostam nem de ver, mesmo sem ter justificativa”.

 

Consulado – A reportagem procurou o Consulado Japonês em São Paulo, responsável pela emissão do visto de turismo: “O guichê de atendimento (para emissão de vistos ou de divulgação cultural) não dá nenhum tipo de orientação específica quanto às limitações que as pessoas tatuadas podem sofrer”. Percebe-se que orientações em português para turistas brasileiros sobre as tatuagens são praticamente inexistentes.

Se algum filho, neto ou amigo seu for viajar ao Japão, talvez seja recomendável aconselhá-lo a verificar com antecedência se o hotel ou pousada com terma que deseje reservar autoriza a entrada de pessoas tatuadas nas instalações.

 

Colunas relacionadas – No site de opiniões “Tatoo Spot” (tattoo-spot.jp/) há uma lista de instalações japonesas que aceitam a entrada de pessoas tatuadas. As instalações, subdivididas em 11 categorias, desde banhos públicos/termas a parques de diversão, podem ser classificadas com 1 estrela, que significa “não permitida a entrada de pessoas tatuadas”, até 5 estrelas, que significa “basicamente sem restrições”.

Os banhos e termas categorizados como “sem restrições” são os seguintes:

Província de Gunma: “Nishi no Kawahara Roten Buro” (Azuma-gun, Kusatsu-cho, Kusatsu 521-3); “Ikaho Ishidan no Yu” (Shibukawa-shi, Ikaho-cho, Ikaho 36)

Tóquio: Muitas instalações de banho que autorizam a entrada de pessoas tatuadas se concentram na região leste como o “Tsuru no yu” (Tokyo-to, Edogawa-ku, Funabori 2-11-16);

Província de Kyoto: “Nishiki-yu” (Kyoto-fu, Kyoto-shi, Nakagyo-ku, Sakaimachi Dori, Nishikikoji Sagaru Yaoya-cho 535)

Província de Osaka: “Shimizu-yu” (Osaka-fu, Osaka-shi, Chuo-ku, Nishi-Shinsaibashi 1-4-18) e outros.

 

(Traduzido do Nikkey Shimbun)

 

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