COMUNIDADE: 17ª edição já tem data e local definidos

 

Uma boa notícia não só para a comunidade nipo-brasileira mas também para os aficionados pela cultura japonesa. Considerado o maior evento da cultura nipônica da América Latina e que recebe, em média, cerca de 180 mil visitantes todos os anos, o Festival do Japão, que em 2014 atingirá sua 17º edição, já tem data e local definidos. Será no dias 4, 5 e 6 de julho, no Centro de Exposições Imigrantes, onde o evento já é realizado desde2005. Adecisão foi tomada pelo Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade que reúne as 47 associações de província japonesas no país e responsável pela organização do Festival – durante reunião mensal realizada no dia 31 de outubro, quando representantes e presidentes de kenjinkais optaram pela realização do evento, mesmo que a medida gere um déficit para os cofres da entidade.

 

Festival do Japão é realizado desde 2005 no Centro de Exposições Imigrantes (foto: divulgação)

 

O impasse foi criado com a mudança de donos do Centro de Exposições Imigrantes, onde o Festival do Japão é realizado desde 2005, ou seja, desde a oitava edição, que passou a ser controlado pelo grupo francês GL Events e que fará a gestão do espaço nos próximos 30 anos.

Com os antigos administradores, o grupo brasileiro Consórcio Agrocentro, o Kenren recebia um tratamento “diferenciado” e pagava cerca de R$ 300 mil por 12 dias de aluguel. Com os novos administradores, a primeira conversa girou em algo em torno de R$ 1 milhão pelo mesmo período. A data disponível também não coincidia com as pretensões do Kenren, que costuma realizar o Festival do Japão em meados de julho por causa das férias escolares. Além disso, 2014 será um ano atípico, com a realização da Copa do Mundo.

A GL ainda abaixou a pedida para R$ 720 mil enquanto o Kenren apresentou uma contra proposta de R$ 510 mil. Na última conversa, Kenren e o grupo francês chegaram aos R$ 580 mil por 11 dias, mas com um impasse: o pagamento de horas extras, cerca de R$ 5 mil por cada hora extra.

Pela experiência adquirida, o Kenren calcula que a montagem do Festival do Japão costuma consumir, aproximadamente, 33 horas adicionais, o que representaria um gasto a mais de R$ 175 mil. Finalmente o martelo foi batido com o não pagamento destas horas. Falta, ainda, assinar o contrato,o que deve ser feito até o final deste mês.

 

Festival do Japão considerado o maior evento da cultura japonesa da América Latina (foto: divulgação)

 

O alto valor pedido inicialmente pela GL assustou o Kenren, que cogitou transferir a realização do Festival do Japão em 2014 para um novo local, conforme publicou o Jornal Nippak em sua edição de03 a 09 de outubro.

“Na reunião, colocamos em votação duas opções. A primeira, de realizarmos o Festival do Japão mesmo que haja um valor deficitário de R$ 250 mil; e a segunda, de suspendermos sua realização em 2014 e voltarmos a realizá-lo em2015”, disse um dos diretores do Kenren, Toshio Ichikawa, acrescentando que os presidentes e representantes dos kenjinkais, em sua maioria, aprovaram a primeira opção. “Se parássemos, seria difícil retomarmos depois”, admite Ichikawa, explicando que os R$ 250 mil referem-se justamente à diferença entre o que o Kenren pagava e o valor que terá que desembolsar.

Por precaução, conforme revelou o Jornal Nippak, o Kenren já havia sondado outros lugares, como o Center Norte, o Anhembi, o Campo de Marte e o Parque Esportivo dos Trabalhadores (antigo Ceret), todos na zona Norte de São Paulo. Na zona Sul, a área estudada foi o Clube da Eletropaulo,em Santo Amaro, próximo à represa Guarapiranga e que já recebe outro festival japonês, o JapanSul.

“Achávamos que, tendo um espaço, conseguiríamos organizar o festival. Mas não é bem assim que ocorre, sem o mínimo de infraestrutura, somando todos os custos adicionais, teríamos algo próximo se alugássemos um local com a estrutura já montada”, disse Ichikawa, explicando que o Centro de Exposições Imigrantes deve receber melhorias para 2014. Uma delas deve ser o aumento do número de vagas do estacionamento e a outra, que também geram muitas reclamações, é o acesso, que deve ser facilitado.

Além do aluguel, outra preocupação pontual da diretoria do Kenren é quanto a Copa do Mundo de 2014, que acontece entre 12 de junho e 13 de julho. Por isso, desde o início a entidade procurou evitar a antecipação do evento para junho por coincidir com as provas escolares.

No entanto, uma ala da diretoria acredita que, se a Copa do Mundo pode atrapalhar, por outro lado pode também servir de “vitrine”, já que nesse período o Brsil receberá jornalistas e turistas do mundo todo, em especial do Japão, primeiro país a carimbar seu passaporte, no campo, para o Brasil.

Agora, segundo Ichikawa, o próximo desafio do Kenren será o de “minimizar” o que terá que pagar a mais pelo aluguel.

 

Participação dos voluntários é fundamental para o sucesso do festival (foto: divulgação)

 

 

Símbolo – Um caminho encontrado pela entidade foi tentar assegurar pelo menos uma emenda parlamentar. Para isso, o Jornal Nippak apurou que houve uma primeira visita ao Gabinete do deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB). Outra medida é buscar atrair novos patrocinadores e uma terceira seria contar com o empenho do Consulado Geral do Japãoem São Paulopara tentar fazer o marketing do Festival do Japão junto às empresas japonesas.

“O Festival do Japão nunca visou lucro, mas para os kenjinkais é de fundamental importância sua realização não só pelo fato de ser a única fonte de renda para muitos kenjinkais durante o ano mas também porque o Festival do Japão serve para revigorá-los, o que particularmente prezo muito”, explicou Ichikawa.

Acrescente a isso, outro dado. Poucos eventos no mundo conseguem reunir 200 mil pessoas num só local. Perdê-lo, seria uma mostra de fraqueza, não só do Kenren. Cabe a comunidade também se empenhar para a continuidade do Festival do Japão, de certa forma, um dos poucos símbolos que restam da presença japonesa no Brasil.

 

(Aldo Shiguti)

 

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One Comment

  1. Parabens Aldo pelo texto! Abraços!

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