COMUNIDADE: 20ª edição do Festival do Japão terá número recorde de kenjinkais

Considerado atualmente o maior evento da cultura japonesa do mundo, o Festival do Japão chega este ano ao “número mágico” de 20 edições com um recorde “antecipado”. Dos 47 kenjinkais (associações de províncias), apenas um – Tóquio – não estará representado nos dias 7, 8 e 9 de julho no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (antigo Centro de Exposições Imiigrantes), na zona Sul de São Paulo. “Para nós é um motivo de imensa alegria”, comemora o presidente do 20º Festival do Japão, Toshio Ichiakawa.

 

Festival do Japão é considerado o maior evento da cultura japonesa do mundo. Foto: Aldo Shiguti

 

Para Yasuo Yamada, presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade responsável pela realização do evento – trata-se de uma conquista que mostra o amadurecimento e o grau de profissionalismo alcançado pelo Festival do Japão nessas duas décadas. Trajetória que será o tema de 2017. Com “20 Anos de Integração, Harmonia e Cultura”, os organizadores pretendem relembrar toda a história do Festival do Japão, do início – na Marquise do Ibirapuera, passando pela Assembleia Legislativa – , até o endereço atual, palco do evento desde a oitava edição, em 2005.

Nos primórdios, conta Ichikawa, antes mesmo de se pensar em Festival do Japão propriamente dito, a intenção era apresentar apenas o folclore japonês. “A gastronomia veio depois”, explica, acrescentando que foi na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo que o evento começou a ganhar o formato atual.

Membro da Comissão Executiva, José Taniguti (Wakayama) lembra que, “naquela época minha ideia era que tínhamos potencial para crescer”. “E foi o que aconteceu. Mas é claro que não conseguíriamos enxergar o festival que é feito hoje porque a cada ano que passa a gente quer acrescentar algo novo. E daqui para frente vamos precisar de muita imaginação”, diz Taniguti.

Para Ichikawa, o Festival do Japão cresceu tanto que “extrapolou a comunidade nipo-brasileira”. Apesar de estar no mesmo endereço há 13 edições, ele observa que “no ano passado foi a primeira vez que realizamos o festival num ambiente totalmente novo”. “Depois que a administração passou para o Grupo GL events, nós fomos o primeiro inquilino de grande porte a inaugurar o novo centro”, disse ele. Mas até atingir esse status não foi fácil.

 

Toshio Ichikawa, Yasuo Yamada e José Taniguti. Foto: Aldo Shiguti

 

Profissionalismo – Basta olhar para um passado não muito distante. “Em 2015, ano que coincidiu com os festejos dos 120 anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, choveu. Foi um ano difícil, para falar a verdade, um terror, com estacionamento cheio de água e barro para todo lado. Em 2015, mudamos para dentro do Pavilhão, mas a repercussão não foi muito legal porque o local ainda estava em reforma. Ano passado foi o primeiro que usufruimos de toda a infraestrutura. Tivemos sorte? Acho que tivemos porque foi ano dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e com a escolha de Tóquio para sede de 2020, construímos uma entrada bonita e o governo do Japão, apoiou de forma efetiva”, disse Ichikawa.

Para ele, 2016 foi uma espécie de “divisor de água” do festival. “Foi aí que mostramos toda a grandeza do Festival do Japão e, de evento, o festival tornou-se um megaevento, mesmo em termos de Estado de São Paulo. É um evento que não tem problemas, tem estacionamento e o acesso é fácil. Acho que o primeiro evento consolidado foi no ano passado”, explicou Ichikawa, que defende uma uma visão mais profisisonal para o festival.

Segundo ele, ganha o festival, ganha os kenjinkais. “Mas para isso temos que trazer profissionais para algumas áreas e a gente não consegue identificar esses profisisonais nos kenjinkais. Sabemos que tem, como ex-executivos e  ex-diretores de empresas, só que eles não participam muito das atividades. Com os membros atuais é um pouco difícil a gente dar um passo para frente. Para um megaevento, precisamos de pelo menos uma agência e, na verdade, essa missão acaba sobrando para nós, que tentamos transformar os voluntários e passar, à vista dos patrocinadores, essa imagem de profissionalismo. Felizmente estamos consegundo transmitir essa imagem, mas temos que gerar um banco de dados e sistematizar nosso trabalho”, conta Ichikawa, lembrando que , no Festival do Japão, o patrocínio é diferebnte de “kifu”

“Nos matsuris, a maioria é doação. Aqui, como megaevento, não esperamos doação – porque o valor é pequeno – nós queremos patrocínio. Mas para ter patrocínio você precisa oferecer contrapartida. E não é só aparecer na mídia. É mais que isso. Mesmo se for somente para aparecer na mídia, você tem um teto de valor. Para subir, você tem que agregar mais valores para os patrocinadores, como números e público diferenciado”, explica Ichikawa. Para Taniguti, “o cara precisa sentir que valeu a pena investir”.

 

Valor de mercado – Segundo Ichikawa, “como “megaevento, a gente tem que estar com olho no valor de mercado do Festival do Japão”. “Se o valor do Festival do Japão for muito alto os patrocinadores vão investir mais, se o valor de mercado for baixo, isto é, atinge só a comudade nikkei, eles vão investir pouco. É isso que estou tentando transmitir para os presidentes dos Kenjinais, que nós temos que trabalhar para aumentarmos o valor de mercado”, diz Ichikawa, cuja outra preocupação é tentar fazer com que os kenjinkais assimilem a ideia que o Festival do Japão não é responsabilidade única e exclusiva do Kenren, mas de todos os kenjinkais.

“No ano passado, foi a primeira vez a gente fez o que chamamos de Sala 101, onde todos os kenjinkais prepararam uma comida típica de sua província para receber os patrocinadores. O ambiente ficou muito bonito e eu sinto que ali mudou um pouquinho a cabeça dos kenjinkais. Ao recepcionar os patrocinadores que permitem a gente realizar o festival, eles passaram  a sentir que o evento pertence a eles e fiquei muito feliz”, disse.

 

No ano passado, cerca de 170 mil pessos visitaram o festival. Foto: Aldo Shiguti

 

Lava Jato – Para Taniguti, “é o Kenren que organiza o evento, mas o Kenren precisa dos kenjinkais porque se eles não participarem o evento não fica bonito”. “É uma questão de confiança mútua, tem que ter seriedade acima de tudo. A alma de tudo está na seriedade desse grupo”, afirma Taniguti.

Por esse, raciocínio, a 20ª edição promete. Afinal, será o “segundo Festival do Japão de um novo ciclo”. “A gente não pode alegar nenhuma dificuldade de infraestrutura como desculpa”, diz Ichikawa, que coloca apenas um parênteses.

“A Lava Jato acabou afetando também o Festival do Japão deste ano porque dependemos do Ministério da Cultura para o projeto da Lei Rouanet. E o Ministério da Cultura sofreu uma auditoria rigorosa e os projetos estão passando por pente fino, Ou seja, a análise e a aprovação estão mais demorados. E este ano já demorou mais que o normal, inclusive, para dificultar ainda mais, saiu uma nova norma onde o relatório tem que ser muito mais detalhado. Para nós isso é bom, dá mais trabalho, mas por outro lado mostra exatamente esse lado profisisonal que o Festival do Japão atingiu”, diz Ichikawa, acrescentando que é a 14ª vez que o Festival recorre ao mecanismo de incentivos fiscais.

 

Números – Para este ano, a expectativa é atrair um público superior a 150 mil pessoas. Em 2016, cerca de 170 mil visitantes visitaram o evento. De acordo com uma pesquisa realizada pelos organizadores, cerca de 75% dos visitantes já estiveram no festival mais de uma vez. “Esse número é importante para nós. Entre milhares de visitantes porque eles retornaram? Imagino que gostam da organização, das novidades, da comida, enfim, de tudo que estamos apresentando. Essa é a leitura que nós fazemos. Como organização, a gente tem uma reponsabilidade muito grande porque, se esse número começar a cair, significa que o festival não está agradando. Então existe uma preocupação no sentido de estarmos sempre crescendo para que as pessoas voltem várias vezes”, explica Ichikawa, antecipando que o público poderá conferir atrações nacionais e internacionais, que estarão se apresentando nos dois palcos do festival, que este ano estarão montados dentro do pavilhão.

 

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    20º FESTIVAL DO JAPÃO

    20 Anos de Integração, Harmonia e Cultura

    Quando: Dias 7, 8 9 de julho. Sexta, das 12 às 21 horas; sábado, das 10 às 21 horas e domingo, 10 às 18 horas

    Onde: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo)

     

    Ingressos:

    R$ 22 (antecipado e online), R$ 25 (bilheteria no dia) e
    R$ 12 (meia-entrada, venda apenas na bilheteria)

     

    Estacionamento no local (terceirizado) – R$ 45

    Transporte gratuito do metrô Jabaquara, das 8 às 22 horas

    *Ingressos antecipados à venda nos pontos de vendas oficiais e pelo site, a partir de maio/2017.

    * Entrada gratuita para crianças até 08 anos, mulheres acima de 60 anos e homens acima de 65 anos

    * Meia-entrada apenas na bilheteria, mediante documento de comprovação

     

    Informações:

    www.festivaldojapao.com

    Tel: (11) 3277-6108/3277-8569

    Facebook: www.facebook.com/festivaldojapao

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