COMUNIDADE: Bunkyo planeja atividades para ‘alavancar’ receitas

Conforme antecipou o Jornal Nippak na edição de 27 de agosto a 2 de setembro, o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) está em campanha para atrair novos sócios. Em visita ao Jornal Nippak acompanhado do presidente do Conselho Deliberativo, Kiyoshi Harada, a presidente da entidade, Harumi Goya, explicou que cada um dos 30 diretores, incluindo os presidentes das Comissões, foram incumbidos de conquistar a adesão de, “pelo menos”, 12 novos associados, sendo dez pessoas físicas e duas jurídicas.

 

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya, e o presidente do Conselho Deliberativo, Kiyoshi Harada (Foto: Aldo Shiguti)

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya, e o presidente do Conselho Deliberativo, Kiyoshi Harada (Foto: Aldo Shiguti)

 

Para isso, a ideia é tornar o Bunkyo “mais atrativo”. Um dos projetos prevê a realização de ações de preservação e restauro de uma área de cerca de 1.400 metros quadrados onde antes ficava o ambulatório médico do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo). O projeto prevê a criação de um Espaço Cultural, que deve abrigar um Centro de Difusão da Gastronomia e Culinária Japonesa, além de promover eventos culturais como a cerimônia do chá e exposições periódicas de peças do acervo do Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (MHIJB).

Segundo Goya, o acesso, pela Rua Galvão Bueno, funcionará também como uma “chamada” para o museu que, na sua opinião, pode e deve ter mais visibilidade. Dos R$ 2 milhões autorizados pelo Ministério da Cultura como aplicável à Lei Rouanet, a entidade conseguiu captar R$ 1 mi. Ou seja, ainda falta metade.

 

Projeto do Espaço Cultural deve ficar pronto apenas em 2016 (Foto: Reprodução)

Projeto do Espaço Cultural deve ficar pronto apenas em 2016 (Foto: Reprodução)

 

Dificuldade – Até a visita do príncipe Akishino e da princesa Kiko, marcada para o dia 28 de outubro, o espaço deve estar “apresentável”. Mas o término da reforma vai depender dos recursos. “Nossa vontade é concluir as obras até medados do ano que vem”, conta Goya, lembrando que este ano foi bastante difícil para as empresas patrocinarem projetos.

“Somente podem contribuir empresas que obtiverem lucro, como este ano foi difícil para todo mundo…”, lamenta a presidente, lembrando que a entidade também está investindo em obras de acessibilidade, como melhorias tanto para pessoas portadoras de necessidades especiais como para idosos. Outra preocupação constante, conta Kiyoshi Harada, refere-se às obras de segurança exigidas pelo Corpo de Bombeiros. “Temos ainda cerca de 17 mil metros quadrados que precisam ser readaptados”, assegura Goya, acrescentando que, em 2015, além dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, a entidade também está comemorando 60 anos de fundação.

Em relação aos 120 Anos, o Bunkyo foi contemplado pela Comissão Organizadora Nacional dos 120 Anos de Amizade Japão-Brasil com o restauro do Pavilhão Japonês, localizado no Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo). Construído conjuntmente pelo governo japonês e pela comunidade nipo-brasileira, o Pavilhão Japonês foi doado à cidade de São Paulo, em 1954,  por ocasião das comemorações do IV Centenário de sua fundação. Trata-se de um monumento símbolo de amizade e intercâmbio entre os dois países.

 

Guardião –A madeira, vinda especialmente do Japão, já está no Brasil. Proprietário da empresa japonesa Nakashima Komuten, Norio Nakashima – carinhosamente chamado de Guardião do Pavilhão Japonês – coordenará pessoalmente as obras de restauro. Responsável pelas três intervenções anteriores – em 1988, em 1998 e em 2013 – Nakashima deve desembarcar em novembro para comandar os trabalhos. “Temos o dinheiro para pagar a passagem e a mão de obra”, garante Goya.

Também como parte das comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, o Bunkyo recepcionará o príncipe Akishino e a princesa Kiko, como antecipou com exclusividade o Jornal Nippak em sua última edição.

 

Príncipe – Harumi Goya confirmou o que o Jornal Nippak já havia publicado. Após visitar o Pavilhão Japonês e o Hospital Santa Cruz, o casal de príncipes se reunirá com a comunidade no Bunkyo. Está previsto um encontro reservado com cerca de cem representantes de associações e entidades nipo-brasileiras, além de políticos da comunidade nikkei.

Em seguida, o príncipe e a princesa serão recepcionados pela comunidade no Grande Auditório da entidade, que comporta 1200 pessoas. A programação contará com a participação do Coral Bunkyo e discurso de um(a) jovem estudante. Na entrada do prédio, o casal será recebido por alunos de escolas particulares e da rede pública de ensino.

Segundo Goya, as cinco principais entidades nipo-brasileiras, (Bunkyo, Enkyo, Kenren, Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil) devem se reunir entre hoje e amanhã para definir a distribuição dos convites.

Outro fato que está mexendo com a entidade é a comemoração do Jubileu de Diamante. Para isso, foram programadas uma série de atividades. De 19 a 30 deste mês, está prevista a Exposição da “A Moradia dos Imigrantes Japoneses”. A mostra, apresentada em 2013 no 17º Festival das Cerejeiras Bunkyos, no Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, em São Roque, e no Festival do Japão daquele ano, será realiazada desta vez na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A Alesp também devbe receber, em novembro, a exposição comemorativa dos 60 Anos do Bunkyo.

As comemorações prosseguem com a Exposição “Olhar do Japão no Brasil”, uma parceria com a Nissan e que reunirá art craf, música japonesa, ikebana e bonsai, entre os dias 16 de novembro e 3 de dezembro, no Pavilhão Japonês.

Encerrando a série de atividades, no dia 17 de dezembro (data da fundação do Bunkyo), acontece a cerimônia oficial, com coquetel, shows e homenagem a 60 personalidades que contribuíram com a entidade ao longo dessas seis décadas. Na ocasião, será apresentada a obra coletiva “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”, coordenada pelo jurista Kiyoshi Harada (veja box).

 

Departamento Jurídico – De acordo com Harada, paralelamente, a entidade também estuda a possibilidade de transformar a Comissão Jurídica em Departamento Jurídico. “A ideia é tornar a entidade mais útil no atendimento à comunidade de uma forma geral”, conta o jurista, que explica a diferença entre Comissão Juriídica e Departamento Jurídico.

“Uma Comissão é algo informal enquanto um Departamento está habilitado a atuar tanto na consultoria como representar legalmente uma pessoa que não tenha condições de arcar com as despesas”, destaca Harada firmando que a criação ainda depende do crivo da Diretoria. “Desta forma estaremos justificando o nome de assistência social que o Bunkyo ostenta”, afirma Harada, que também está auxiliando os trabalhos da Comissão de Reforma do Estatuto do Bunkyo, cujo objetivo é “reconquistar o interesse dos associados pela entidade, além de buscar uma participação maior de sanseis e yonseis e de todos aqueles que tenham afinidade com a cultura japonesa, independente de sua origem étnica”.

ALDO SHIGUTI

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    Para Harada, obra coletiva reúne “nata da sociedade”

     

    Prevista para ser concluída em 2016 – mas como parte das comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão – a obra coletiva “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”, coordenada pelo presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, jurista Kiyoshi, “é um intercâmbio começando pelos autores”. Segundo Harada, além de servir como marco para a entidade, a proposta é projetar a  imagem do Bunkyo no cenário nacional e “assim assegurar a sua continuidade histórica e geracional”.

     

    Kiyoshi Harada, que está coordenando a obra coletiva (Foto: Aldo Shiguti)

    Kiyoshi Harada, que está coordenando a obra coletiva (Foto: Aldo Shiguti)

     

    Segundo Harada, que também coordenou os livros “O Nikkei no Brasil” – que já se encontra em sua terceira edição – e “60 Anos de Bunkyo: Passado, Presente e Futuro” – lançado em março deste ano –, o objetivo da obra é o de dar cumprimento a um dos principais objetivos do Bunkyo, que é difundir as culturas do Brasil e do Japão, promovendo o confronto delas nos mais diversos setores da atividade abarcando ciências; tecnologia; sistemas de saúde, de educação, de transportes, de segurança e jurídico; artes; esportes; culinária; meio ambiente; artesanato; ética; etiqueta; religião; cinema; teatro; literatura; museus e música, entre outras”.

    “Creio que a difusão da cultura japonesa no Brasil está sendo feita a contento pela entidade ao longo de seus 60 anos de existência, mas,  a recíproca, isto é, a divulgação da cultura brasileira no Japão não está sendo feita materialmente por ausência entidades congêneres naquele país”, destaca Harada.

    A obra reúne colaboradores dos mais variados segmentos, desde professores acadêmicos e profisisonais liberais a universitários. “É a nata da sociedade”, define Harada. Participam autores como:

    Juristas e acadêmicos: Ives Gandra da Silva Martins. Maria Garcia, Kiyoshi Harada

    Magistrados: Sydney Sanches (ex-ministro). Massami Ueyda (ex-ministro), juiz Marcos Onodera

    Líderes Comunitários: Roberto Nishio, Anacleto Hanashiro, Isidoro Yamanaka, Lé Ota, Lídia Yamashita, Eduardo Nakashima, Carlos Kendi Fukuhara, Harumi Goya, Reimei Yoshioka, Nagato Hara, Carlos Takahashi

    Kenshuseis: Armando Kihara, Oscar Urushibata, Raimundo Uezono, Victor Kobayashi

    Professores Universitários: Shozo Motoyama, Sedi Hirano, Masato Ninomiya, Mirza Pelliciota, Lili Kawamura, Liria Yuri Sato, Marly Mieko Yamauchi

    Profissionais Liberais: Kyoko Nakagawa, Rosana Chiavassa, Ricardo Nishimura, Aline Tavares, Marcelo Harada, Renato Shimmi, Marcos Kazuo Yamauchi, Orlando Sato

    Empresários: Paulo Skaf, Abram Szajman, Jun Sakamoto, Toshio Ichikawa, Renato Ishikawa

    Autoridades Públicas: João Carlos Meireles (secretário de Energia do Estado de São Paulo) e Edson Simões (conselheiro do Tribunal de Contas do Município)

    Representantes de Profissionais Jovens: Rodolfo Wada, Rafael Jun Mabe, Rafael Sato, Flavio Jun Kamiya e Érika Tamura (colaboradora do Jornal Nippak

    Políticos: Walter Ihoshi (deputado federal pelo PSD-SP) e Aurélio Nomura (vereador do PSDB)

    Outros: Takao Miyagui (jornalista) e Nelson Fukai (colaborador da Revista Mundo OK)

     

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