COMUNIDADE: Bunkyo promete concluir obras realizadas com dinheiro de doação de empresário até dezembro

Praticamente dois anos após o anúncio da doação do empresário japonês Minoru Otsuka para obras de manutenção e reforma no edifício-sede do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – a diretoria da entidade convocou uma coletiva de imprensa na semana passada com jornalistas da comunidade nipo-brasileira para uma “prestação de contas” com direito a vistoria nas obras. Estiveram presentes o presidente e o vice da entidade, respectivamente, Kihatiro Kita e Jorge Yamashitra, e o jornalista Yoshitake Kusakano, que intermediou a negociação.

 

Diretores da entidade no Ginásio de Esportes, que também passa por reformas (foto: Aldo Shiguti)

Diretores da entidade no Ginásio de Esportes, que também passa por reformas (foto: Aldo Shiguti)

 

A doação, de 100 milhões de ienes, foi feita pessoalmente pelo próprio Otsuka ao presidente do Bunkyo em uma cerimônia realizada no dia 28 de março do ano passado no escritório da Embaixada do Brasil em Tóquio e que contou com a presença do então embaixador Marcos Bezerra Abbott Galvão.

A quantia – de acordo com Kita foram depositados R$ 2.050.000,00 – contemplaram quatro projetos: melhorias no Grande Auditório e reformas no Museu de Histórico da Imigração Japonesa no Brasil e no Ginásio de Esportes, além do Pavilhão Japonês, localizado no Parque do Ibirapuera.

Desse total, o Grande Auditório e o Ginásio de Esportes – que o presidente do Bunkyo prefere chamar de espaço multiuso – receberam R$ 750 mil cada um. Outros R$ 500 mil foram destinados à reforma do museu – e R$ 50 mil serão investidos no Pavilhão Japonês.

 

Salão Multiuso ganhará piso de porcelanato depois de pronto (foto: Aldo Shiguti)

Salão Multiuso ganhará piso de porcelanato depois de pronto (foto: Aldo Shiguti)

 

80% – Kita disse que cerca de 80% das obras estão concluídas. Os 20% restantes referem-se a obras de acabamento, como a pintura. Pelo que constatou a reportagem do Jornal Nippak, a preocupação maior é com o ginásio e o salão que faz ligação com o Grande Auditório. No dia da visita, os funcionários contratados ainda estavam quebrando o piso do salão, que, depois de pronto, receberá piso de porcelanato. Faltavam também colocar o forro no ginásio de esportes, que ganhará ainda uma nova cozinha, além de banheiros.

A previsão é entregar todas as obras prontas no dia 12 de dezembro deste ano. A previsão inicial era concluir a reforma até o final de 2013. A nova data foi escolhida para coincidir com a visita do filho do empresário e de seu secretário particular. “Mas em função de imprevistos não será possível”, disse Kita, acrescentando que chegou a ser cogitada a ideia de contar com a presença do próprio benfeitor no dia da inaguração. “Não foi possível devido a sua idade avançada – Otsuka está com 92 anos”, explicou o presidente, destacando que a data da inauguração será mantida para honrar a promessa feita ao empresário.

 

O cabeamento, "que pouca gente vê mas custa uma fortuna" (foto: Aldo Shiguti)

O cabeamento, “que pouca gente vê mas custa uma fortuna” (foto: Aldo Shiguti)

 

Segundo ele, Otsuka era avisado periodicamente sobre o andamento das obras através de relatórios e pessoalmente, como fizeram em ocasiões distintas o sétimo vice-presidente da entidade, Osamu Matsuo, e o jornalista Kusakano – que embarcou novamente nesta segunda-feira (3) para o Japão com o objetivo de levar “a última informação”.

“Sempre fizemos questão de expor claramente os motivos, diga-se de passagem – alheios a nossa vontade – que causaram um sensível atraso no cronograma”, conta Kita, afirmando que “em nenhum momento” Otsuka deu sinais de insatisfação. “Ao contrário, conta, “ele ficou feliz ao saber que a demora ora foi causada pela necessidade de atender as exigências do Corpo de Bombeiros, ora pela necessidade de interrompermos por ocasião de grandes eventos, como a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe”.

 

Jorge Yamashita mostra os novos armários deslizantes do 3º andar (foto: Aldo Shiguti)

Jorge Yamashita mostra os novos armários deslizantes do 3º andar (foto: Aldo Shiguti)

 

 

Imprevistos – Para Jorge Yamashita, antes de se criticar a demora, “é bom considerar que estamos cumprindo um cronograma dentro de um espaço já em operação”. “É uma tarefa extremamente difícil conciliar as reformas com os grandes acontecimentos realizados ao longo do ano, como a visita do primeiro-ministro e a realização dos Festivais Folclóricos de Música e Dança, entre outros. Além disso, quem lida com reformas sabe que imprevistos acontecem, pois não se trata de um empreendimento único”, justificou Yamashita, admitindo que cogitou-se paralisar temporariamente as atividades do Bunkyo por um tempo determinado em detrimento das obras.

“Mas não era viável porque tínhamos compromissos para honrar e, além disso, a paralisação acabaria comprometendo as finanças da entidade”, disse Yamashita, para quem a solução ideal foi “fazer um mapeamento para saber o melhor momento de intervir”.

 

Um dos geradores adquiridos pela entidade (foto: Aldo Shiguti)

Um dos geradores adquiridos pela entidade (foto: Aldo Shiguti)

 

Visibilidade – Para Kita, uma das queixas é que a maioria das obras deve passar despercebida dos freqüentadores. Por enquanto, a reforma que mais chama a atenção é a do terceiro andar, onde fica a reserva técnica do museu. O espaço foi ampliado com o remanejamento do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros (Jinmonken) e ganhou quatro salas com armários deslizantes. Serão instalados ainda computadores e totens de consulta na novíssima sala de recepção.

“Aqui é onde fica 95% do acervo do museu.O que está exposto no sétimo, oitavo e nono andares é apenas 5%”, explica a vice-presidente da Comissão de Administração do Museu, Lidia Yamashita. Segundo ela, o público poderá ter acesso ao local, desde que agendem as visitas com antecedência.

 

Dia e noite – Os mais atentos também devem notar que o corrimão e o piso da escadaria que dá acesso ao hall de entrada da entidade foram trocados. A obra, explica Kita, não estava no projeto inicial e consumiram cerca de R$ 63 mil do orçamento previsto para a reforma do Grande Auditório. Os cerca de R$ 576 mil investidos até agora no Grande Auditório incluem ainda gastos com as reformas das poltronas, colocação de carpete e pintura antichamas e, é lógico, a instalação de equipamentos de ar condicionado, que já entraram em ação durante a visita do premiê japonês.

“Também adquirimos  dois geradores que não estavam nos planos”, conta Kita, que atenta para o cabeamento, “que custa uma fortuna e ninguém vê”. “Vamos fazer todo esforço e, se for preciso, trabalharemos dia e noite para entregarmos a obra dentro do prazo estipulado”, conta o presidente, garantindo que investirá “até o último centavo” do valor doado nas reformas. “Foi o compromisso que assumimos”, explicou.

(Aldo Shiguti)

 

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