COMUNIDADE: ‘Como amigo do Brasil, quero acompanhar o futuro desta grande nação em transformação’, diz Umeda

Diversas entidades nipo-brasileiras, entre elas o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira São Paulo), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, realizaram no último dia 29, no Salão Nobre do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo, cerimônia de despedida do embaixador do Japão no Brasil, Kunio Umeda, e sua esposa, a embaixatriz Keiko.

 

‘Como amigo do Brasil, quero acompanhar o futuro desta grande nação em transformação’, diz Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

‘Como amigo do Brasil, quero acompanhar o futuro desta grande nação em transformação’, diz Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

 

Kunio Umeda, que antes de se despedir da comunidade nikkei de São Paulo no Bunkyo esteve no Monumento em Homenagem aos Pioneiros da Imigração Japonesa no Brasil, no Parque do Ibirapuera, e na redação do Jornal Nippak, retorna no início de outubro para o Japão. Ao Jornal Nippak, disse que seu desejo é atuar em algum país em desenvolvimento da Ásia.

Ele deixa o cargo depois de dois anos e sete meses no Brasil. Nesse período, viajou 76 vezes pelo país, percorrendo 18 das 27 unidades federativas (incluindo o Distrito Federal). São Paulo foi o Estado que mais visitou – 39 ocasiões – seguido do Rio de Janeiro, onde esteve 15 vezes.

 

Foto: Jiro Mochizuki

No Bunkyo, em sua despedida do país, Kunio Umeda prevê mudanças no Brasil ‘no bom sentido’. Foto: Jiro Mochizuki

 

Estiveram presentes presidentes das entidades co- promotoras – como André Korosue (Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono), Tadayosi Wada (Associação Harmonia de Educação e Cultura), Hirofumi Ikesaki (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Erisson Thompson de Lima Júnior (Associação Ikebana do Brasil), Roberto Nishio (Instituto Brasil-Japão de Integração Cultural e Social), Shodi Nomura (Câmara Júnior Brasil-Japão) e Hiroyuki Hirasaki (Centro Cultural Hiroshima do Brasil), além do cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, da cônsul geral adjunto, Hitomi Sekiguchi, dos ex-presidentes do Bunkyo – Kihatiro Kita, Kokei Uehara e Atushi Yamauchi e do atual presidente do Conselho Deliberativo, jurista Kiyoshi Harada.

 

Koji Kondo (Câmara de Comércio), Yokio Oshiro (Aliança Cultural) com Kunio e Keiko Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

Koji Kondo (Câmara de Comércio), Yokio Oshiro (Aliança Cultural) com Kunio e Keiko Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

 

Gratidão – Em seu discurso, a presidente do Bunkyo, Harumi Goya, disse que participava da cerimônia “carregando uma mistura de sentimentos”. “De um lado, de pesar ao se despedir do mais alto representante do Japão em nossa terra, o qual passamos a admirar à medida de nossa convivência nesse dois anos. E, de outro, de gratidão por ter podido testemunhar sua atenção à nossa comunidade e dedicação aos assuntos relacionados ao Brasil-Japão”, destacou Goya lembrando que a estadia do embaixador no Brasil “foi muito intensa”. Tão logo que assumiu o posto, em junho de  2014, conta a presidente, Kunio Umeda já estava envolvido com a Copa Mundial de Futebol, “ocasião em que, além da seleção japonesa, recepcionou a princesa Takamado, que veio especialmente para o evento”.

“Depois, no início de agosto, houve a visita do primeiro ministro Shinzo Abe e no ano seguinte aconteceu a comemoração dos 120 anos do Tratado de Amizade Brasil-Japão”, disse ela, destacando que, entre inúmeros eventos, “o ponto alto foi a visita do príncipe e princesa Akishino, que chegaram ao Brasil no dia 28 de outubro e, durante 11 dias, realizaram uma turnê de norte a sul”.

Por fim, explicou que este ano foram realizados os Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Rio de Janeiro e a representação diplomática japonesa teve uma incumbência especial diante da responsabilidade de sediar a próxima edição dos Jogos, em 2020.

 

O casal esteve no Monumento em Homenagem aos Pioneiros. Foto: Jiro Mchizuki

O casal esteve no Monumento em Homenagem aos Pioneiros. Foto: Jiro Mchizuki

 

Interesse – Em relação à atuação voltada à comunidade nipo-brasileira, Harumi Goya citou a presença do embaixador nas comemorações do centenário da imigração japonesa em Lins, na região noroeste do Estado de São Paulo, no último dia 21 de abril, ocasião que teve o “privilégio de acompanhar sua ida a Promissão, município que, pela primeira vez, recebeu a visita de um embaixador do Japão”. “Inicialmente, esteve no mausoléu de Shuhei Uetsuka, seguiu para a Praça Shuhei Uetsuka na entrada da cidade e, depois, foi para a imponente Igreja Cristo Rei, construída pelas mãos dos imigrantes japoneses, inaugurada em 1938. Em todos esses locais, observei o carinho e atenção dele com seus interlocutores e suas reivindicações, bem como seu interesse em aprender mais sobre a história local”, disse a presidente do Bunkyo que agradeceu à consideração especial que o embaixador teve para com o Bunkyo, “que nos possibilitou realizar o show beneficente da cantora Márcia, no último dia 23 de julho, com os recursos revertidos ao Espaço Cultural Bunkyo”.

 

Entidades presentearam o casal com quadro de Tomie Ohtake. Foto: Jiro Mochizuki

Entidades presentearam o casal com quadro de Tomie Ohtake. Foto: Jiro Mochizuki

 

De coração – Kunio Umeda agradeceu, “de coração”, a homenagem e fez um breve balanço de sua passagem pelo país, como a recepção à seleção e aos torcedores japoneses durante a Copa do Mundo e a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe em agosto de 2014, quando, para sua surpresa, foi recebido por mais de mil pessoas no Bunkyo. “A visita do primeiro-ministro Shinzo Abe foi a primeira de um premiê em exercício depois de dez anos e reforçou ainda mais a cooperação com a comunidade nikkei”, disse Umeda, que destacou também a celebração dos 60 anos de Difusão do Chado Urasenke na América Latina e 60º aniversário da Associação Chado Urasenke Tankokai Brasil, realizadas em São Paulo, com a presença do Grão Mestre Sen Genshitsu.

Outros acontecimentos importantes que participou, disse Umeda, foram os 60 anos de imigração ao Brasil dos “Cotia-Seinen” (jovens japoneses entre 18 e 25 anos que emigraram do Japão rumo ao Brasil para suprir e qualificar mão-de-obra na agricultura brasileira, atendendo a uma demanda da então Cooperativa Agrícola de Cotia-CAC) e a celebração dos 120 anos do estabelecimento das relações diplomáticas entre Japão e Brasil, quando foram realizados mais de 500 eventos comemorativos em todo o Brasil.

Como ponto alto das comemorações, Kunio Umeda citou a visita de Suas Altezas Imperiais, o príncipe Akishino e a princesa, ocasião em que visitaram nove cidades em seis estados, e somando-se aos eventos com o Governo Federal, o Congresso Nacional e com os governadores, dentre outros, “realizaram animados intercâmbios com as comunidades nipo-brasileiras de cada lugar”. Para ele, a recepção em São Paulo, quando Suas Altezas foram recebidas por um grande número de pessoas no mesmo Bunkyo, “são recordações inesquecíveis”.

 

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya, discursa durante cerimônia. Foto: Jiro Mochizuki

A presidente do Bunkyo, Harumi Goya, discursa durante cerimônia. Foto: Jiro Mochizuki

 

Zika – Sobre os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, Umeda lembrou a série de preocupações que rondavam a realização dos eventos, como a falta de segurança, o terrorismo e a proliferação do zika vírus, entre outras. “Mas felizmente tudo foi coroado de pleno êxito e as notícias acerca do Brasil foram positivas. Não houve registro de um único incidente grave”, destacou o embaixador, que agradeceu em especial, não só a comunidade do Rio de Janeiro, como também as de Manaus, Salvador, São Paulo e  Sergipe pela “calorosa acolhida aos cerca de 10 mil atletas e turistas japoneses”.

Segundo Umeda, para o Japão, que irá sediar as próximas Olimpíadas e Paralimpíadas, o sucesso dos jogos no Rio era muito importante. “A participação do primeiro-ministro Shinzo Abe na cerimônia de encerramento das Olimpíadas, a passagem das bandeiras olímpica e paralímpica do prefeito do Rio Eduardo Paes para a governadora de Tóquio Yuriko Koike, enfim, o fato de o Japão ter podido colaborar no sucesso do Jogos no Rio é motivo de grande orgulho”, discursou o embaixador, afirmando que durante sua missão elegeu como meta o fortalecimento da colaboração com a comunidade nipo-brasileira.

 

Embaixador fez um balanço de sua passagem pelo Brasil. Foto: Jiro Mochizuki

Embaixador fez um balanço de sua passagem pelo Brasil. Foto: Jiro Mochizuki

 

Família imperial – Para ele, o carinho da família imperial, “principalmente do imperador e da imperatriz, o apoio de lideranças políticas como do primeiro-ministro Shinzo Abe, do ministro Taro Aso e Takeo Kawamura, constituem a força motriz para esta cooperação com os nipo-brasileiros”. Umeda destacou ainda ações de intercâmbio na área de língua japonesa, através do Centro de Língua Japonesa, na culinária japonesa, nos esportes (através do judô) e na saúde.

Lembrou que, como um de seus últimos atos como embaixador no Brasil, recebeu cerca de 250 convidados e entregou o Diploma de Honra ao Mérito dos Negócios Estrangeiros do Japão ao mestre de Judô Takeshi Miura, e Diplomas de Honra ao Mérito do Embaixador do Japão no Brasil a duas entidades nipo-brasileiras e a 10 grupos de senhoras de associações nipo-brasileiras que contribuíram para a difusão da cultura e culinária japonesas no Brasil.

 

Harumi Goya entre um buquê de flores a Keiko Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

Harumi Goya entre um buquê de flores a Keiko Umeda. Foto: Jiro Mochizuki

 

Laços especiais – Kunio Umeda finalizou seu discurso afirmando que Brasil e Japão são países unidos por “laços especiais”. “Pude sentir, em primeiro lugar, que o Brasil é uma grande potência e pude constatar que a comunidade nipo-brasileira contribui, sobremaneira, não somente para o desenvolvimento de todo o país, mas também para a criação de um sentimento de simpatia pelo Japão em todo o Brasil, através da difusão da cultura japonesa”.

Lamentou, apenas não poder acompanhar o processo de transformações pelo qual passa o Brasil. “Acredito que grandes mudanças no bom sentido vão ocorrer. A tarefa de acompanhar de perto essas mudanças é um bastão que irei passar ao meu sucessor. Mas, eu também, como amigo do Brasil, quero acompanhar o futuro desta grande nação em transformação com os olhos da esperança”, conclui Kunio Umeda.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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