COMUNIDADE: Cônsul Fukushima se emociona em sua despedida: ‘Aqui senti orgulho de ser japonês’

A cerimônia de despedida do cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima, co-realizada pelas principais entidades nipo-brasileiras no último dia 23, no Espaço Multiuso do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), teve um momento inesperado. Ainda na fala do presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, Fukushima já se mostrava bastante emocionado. No início de seu discurso, porém, o cônsul não se conteve e foi às lágrimas.Foi aplaudido de pé pelo público por longos minutos. “Espero vê-los em breve algum dia, em algum lugar”, disse um Fukushima bastante emocionado.

 

Noriteru Fukushima se despediu da comunidade com homenagens e em clima de muita emoção (Foto: Aldo Shiguti)

Noriteru Fukushima se despediu da comunidade com homenagens e em clima de muita emoção (Foto: Aldo Shiguti)

 

Em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, Noriteru Fukushima disse que, desde que desembarcou em território brasileiro, em setembro de 2012, participou de inúmeras atividades da comunidade nipo-brasileira em sua jurisdição, que abrange os Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que o deixaram impressionado. Precisamente, foram 153 cidades visitadas em dois anos e meio.

 

Fukushima recebe homenagem de Kazoshi Shiraishi, da Noroeste (Foto: Aldo Shiguti)

Fukushima recebe homenagem de Kazoshi Shiraishi, da Noroeste (Foto: Aldo Shiguti)

 

Indagado sobre qual o momento mais marcante de sua passagem pelo país, Fukushima não titubeou. Disse que a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe, em agosto do ano passado, a oportunidade de recepcionar a seleção japonesa que disputou a Copa do Mundo e poder contribuição para o desfile da escola de samba Águia de Ouro, que este ano prestou uma bela homenagem ao Japão com o enredo “Brasil e Japão – 120 Anos de União” – abrindo oficialmente as comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, foram importantes.

 

Cônsul abriu as portas de sua residência para a comunidade (Foto: Jiro Mochizuki)

Cônsul abriu as portas de sua residência para a comunidade (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Frustração – “Mas para mim, o que mais me marcou foram as visitas que fiz as colônias.  Em todas fui recebido calorosamente, com os grupos de senhoras me preparando comidas e doces. A forma carinhosa como fui recebido por todos vocês foi o mais importante para mim”, afirmou Fukushima, que em breve assumirá como Embaixador na Argentina.

Sempre muito carismático, o cônsul explicou, no entanto, que deixa o país “frustrado”. “Saio frustrado por deixar muitas coisas ainda por fazer. Em julho deste ano teremos as comemorações dos 100 anos da instalação do Consulado Geral do Japão em São Paulo, e em setembro o espetáculo de queima de fogos de artifício, eventos que eu gostaria muito de estar presente. Saio muito triste por não poder concluir esses projetos e por isso peço desculpas”, justificou Fukushima, lembrando que em 2016 está previsto a abertura da Japan House (nome provisório) em São Paulo.

 

Entidades homenageiam Fukushima com um quadro de Handa (Foto: Jiro Mochizuki)

Entidades homenageiam Fukushima com um quadro de Handa (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Orgulho – Para o cônsul, que se emocionou e deixou o público emocionado em sua despedida, resta levar o sentimento de gratidão à comunidade nipo-brasileira. “Como japonês, aprendi muitas coisas do Japão porque aqui estão os verdadeiros japoneses. Aqui senti orgulho de ser japonês”, garantiu o cônsul, que em seu discurso agradeceu todos os representantes das entidades que “contribuem para divulgar a cultura japonesa”, aos políticos nikkeis – lembrou especialmente o encontro com prefeitos nipo-brasileiros eleitos em 2012 no Estado de São Paulo – e à comunidade da Águia de Ouro, representada pelo presidente Sidnei Carriuolo.

 

Ken Mabe, Fukushima, Dan e Rafael Jun Mabe na casa do cônsul (Foto: Jiro Mochizuki)

Ken Mabe, Fukushima, Dan e Rafael Jun Mabe na casa do cônsul (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Referindo-se aos seinens (grupos de jovens) das diversas associações nikkeis, Fukushima afirmou que sente-se tranquilo em relação ao futuro pois as novas gerações saberão dar conta do recado. Por fim, disse que, apesar de não estar fisicamente no Brasil, estará trabalhando para melhorar o intercâmbio entre o Brasil e o Japão.

“Aqui seguramente está a melhor comunidade japonesa do mundo. Depois de mais de cem anos de história, todos ainda estão contribuindo para o desenvolvimento desse país maravilhoso”, destacou. E se despediu com um “até breve”. “Espero vê-los algum dia, em algum lugar”, concluiu.

Estiveram presentes à recepção no Bunkyo o presidente da entidade, Kihatiro Kita, que no sábado passou o bastão para Harumi Goya (leia à página 4); o presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Mikihisa Motohashi; o presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Yoshiharu Kikuchi; o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Toshifumi Murata e Antão Ikgemi (representando a Aliança Cultural Brasil-Japão).

 

Noriteru Fukushima com o prefeito de Itu, Antonio Tuíze (Foto: Jiro Mochizuki)

Noriteru Fukushima com o prefeito de Itu, Antonio Tuíze (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Também participaram do evento o presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Kazoshi Shiraishi; o presidente da Associação Cultural de Mogi das Cruzes, Kiyoji Nakayama; o presidente do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas, Tadayoshi Hanada; o presidente de honra do Bunkyo, a presidente da Câmara Junior Brasil-Japão, Camila Stuck Kawauchi; o presidnete da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, Jorge Sototuka; o presidente da Fenivar (Federação das Entidades Nikkeis do Vale do Ribeira) e Uces (União Cultural e Esportiva Sudoeste), Toshiaki Yamamura e o presidente da Acal (Associação Cultural e Assistencial da Liberdade), Hirofumi Ikesaki, entre outros.

 

Fukushima com o artista plástico Kazuo Wakabayashi (Foto: Jiro Mochizuki)

Fukushima com o artista plástico Kazuo Wakabayashi (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Na residência – À tarde, o cônsul recebeu os convidados para uma confraternização em sua residência, no bairro do Morumbi (zona Sul de São Paulo), Estiveram presentes o prefeito de Itu, Antonio Tuize, o deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), o vereador Aurélio Nomura (PSDB) e o presidente do Conselho do Instituto Paulo Kobayashi, Victor Kobayashi.

 

(Aldo Shiguti)

 


 

 

‘Um cônsul que vai entrar para a história da comunidade nipo-brasileira’

 

“O cônsul Noriteru Fukushima teve uma atuação marcante no Vale do Ribeira. Ele visitou praticamente todos os Bunkyos e quis conhecer de perto a real situação de cada um. Ele fez questão de conhecer não só o bonito, mas também o que estava decadente. Ou seja, quis conhecer a realidade. Muitos receberam a visita de um cônsul pela primeira vez e por isso muitos choraram. Ele certamente vai entrar para a história do Vale do Ribeira”.

(Toshiaki Yamamura, presidente da Fenivar/Uces)

 

“O cônsul Noriteru Fukushima visitou todas as 30 associações da Noroeste, mesmo as que nunca tinham recebido a visita de um cônsul. Todos sentiram-se alegres e honrados com a sua visita e por isso fizeram questão de retribuir com uma placa de agradecimento. Só temos que dizer muito obrigado por tudo que ele fez pela região e que ele tenha muito sucesso em sua nova missão como Embaixador do Japão na Argentina”

(Kazoshi Shiraishi, presidnete da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste)

 

“Não tenho palavras para descrever a pessoa fantástica que ele é. Uma pessoa de mente aberta, positiva e muito dinâmica. Enfim, uma pessoa querida por todos, como estamos vendo nessa noite. Só tenho elogios e me tornei um grande admirador de sua pessoa. Fico muito triste que tenha que partir e espero que um dia ele volta como Embaixador do Japão no Brasil”.

(Sidnei Carriuolo, presidente da Águia de Ouro)

 

“Ele é uma pessoa admirável. Deu atenção a todos que o procuraram e contribuiu decisivamente para que em 2013 fosse retomada a bolsa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, que ficou estagnada entre 2009 e 2012, e mais que isso, empenhou esforços para sua consolidação ao lutar para que o número de bolsistas em 2016 seja o dobro e por privilegiar a participação dos jovens”.

(Jorge Sototuka, presidente da Associação Brasileira de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei)

 

 

 

 

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