COMUNIDADE: Cônsul Noriteru Fukushima completa um ano de gestão e conquista a Comunidade Nipo-Brasileira

 

Após a bem sucedida e carismática gestão do casal Obe, pairava no ar um suspense de quem viria assumir o cargo tão importante e expressivo para a comunidade nipo-brasileira. Em setembro faz um ano que o nipo-mexicano Cônsul Geral do Japãoem São Paulo, Noriteru Fukushima, foi apresentado à comunidade Nikkeiem São Paulo.Aos 55 anos de idade, com uma carreira diplomática invejável, um jeito irreverente de ser (teve uma participação discreta na apoteose do carnaval paulistano no Anhembi à moda japonesa, é claro! Fez apresentação na mesma performance na Sociedade Beneficente Casa da Esperança – Kibo-No-Ie), simpático, sempre solícito, sem dúvida nenhuma vem conquistando a comunidade nipo-brasileira com suas ações.

 

Cônsul Noriteru Fukushima (foto: Luci Judice Yizima)

 

Em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, o cônsul Fukushima abre as portas do seu escritório para contar um pouco da sua história e quais as suas perspectivasem São Paulo. Confiraa entrevista:

 

Jornal Nippak: Qual a sua formação acadêmica?

Cônsul Noriteru Fukushima: Sou Graduado em Direito pela Universidade de Kyoto, ingressei no Ministério dos Negócios Estrangeiros em 1981. E depois fui para a Escola Diplomática da Espanha.

 

Jornal Nippak: Onde o Senhor nasceu?

Cônsul Noriteru Fukushima: No México, na cidade do México. Sou a segunda geração de nikkeis.

 

Jornal Nippak: Na culinária japonesa, qual seu prato predileto? Dentro da culinária brasileira, qual o prato que o Senhor mais aprecia?

Cônsul Noriteru Fukushima: Na culinária japonesa, meu prato predileto é o tonkatsu e sukiyaki. Dentro da culinária brasileira gosto de churrasco e bife a cavalo com arroz, feijão e ovo frito.

 

Jornal Nippak: Quais os países que o Senhor já foi cônsul?

Cônsul Noriteru Fukushima: Como cônsul o primeiro país foi o Brasil. Comecei minha carreira diplomática em janeiro de 1996 passei a ocupar o cargo de 1º Secretário da Embaixada do Japão na Argentina, sendo que dois anos depois (janeiro de 1998) fui promovido ao posto de Conselheiro. Passei pelas embaixadas da Argentina, México, Espanha, Itália e Estados Unidos.

 

Jornal Nippak: Qual desses países o senhor mais gostou?

Cônsul Noriteru Fukushima: No México, por ser a minha terra natal. Mas todos os lugares têm a sua beleza particular.

 

Jornal Nippak: Qual o maior desafio de ser um cônsul?

Cônsul Noriteru Fukushima: O meu maior desafio é conhecer a comunidade japonesa no Brasil e ouvir as suas necessidades, e poder ajudá-la da melhor forma possível. Esse é um grande desafio e muito importante.

 

Jornal Nippak: Já conhecia o Brasil?

Cônsul Noriteru Fukushima: Sim. Quando era diretor da Primeira Divisão da América Latinaem Tóquio. Hoje, estou conhecendo várias comunidades no interior de São Paulo, e fora do estado também. Percebo o esforço das comunidades para preservar e manter a cultura japonesa viva no Brasil é maravilhoso. Cada localidade tem uma história diferente que mexe com pessoas idosas, jovens e crianças é muito bonito, é um esforço contagiante.

 

Jornal Nippak: Quando foi indicado a vir ao Brasil, qual foi a sua primeira preocupação?

Cônsul Noriteru Fukushima: Não tive preocupação, pois já estive em vários países da America Latina, morei em Santiago do Chile, na Argentina e Peru quando houve a invasão na embaixada. Apesar da violência que paira as grandes cidades brasileiras, o país tem coisas muito positivas para oferecer. O Brasil é um país maravilhoso, com uma economia muito promissora.

 

 

Jornal Nippak: Devido à dimensão do Brasil, o Senhor tinha noção que a comunidade nipo-brasileira atingisse todo o território nacional?

Cônsul Noriteru Fukushima: Já tinha essa noção mais ou menos, mais fiquei impressionado morando aqui a gente tem outra visão, é mais real. É impressionante.

 

Jornal Nippak: Qual sua opinião sobre as manifestações no Brasil nas últimas semanas?

Cônsul Noriteru Fukushima: Fiquei surpreso com as manifestações. Por outro lado vejo as manifestações como ações de forma positiva. O governo está com as atenções voltadas para o povo. O protesto se faz necessário, porém sem o vandalismo.

 

Jornal Nippak: O que o Senhor achou do cancelamento da viagem ao Japão da presidente Dilma?

Cônsul Noriteru Fukushima: Foi uma pena, lamentável. Preparamos tanto para a recepção, mas quem sabe futuramente.

 

Jornal Nippak: As manifestações atrapalharam algum tipo de investimento japonês no Brasil?

Cônsul Noriteru Fukushima: Não. Tive falando com vários empresários japoneses e eles estão investindo massiçamente no Brasil. Esse é um efeito positivo para o Japão e Brasil, as manifestações foi uma resposta positiva da população a má atuação dos governos. A insatisfação das pessoas para com a administração do governo brasileiro. Acredito que terá grandes reformas na educação, na economia, na saúde e outras mais.

 

Jornal Nippak: Tem alguma coisa no Brasil que o Senhor se identificou? Por exemplo: a música, a arte, o clima tropical.

Cônsul Noriteru Fukushima: Com a Comunidade japonesa.

 

Jornal Nippak: O Senhor deve ter conhecimento que o casal Obe teve uma popularidade muito boa aquiem São Paulo, conquistou a comunidade com simpatia e carisma. O Senhor acredita que se sua esposa estivesse ao seu lado facilitaria uma aproximação maior para com a comunidade nipo-brasileira? Ou uma figura feminina não interfere?

Cônsul Noriteru Fukushima: Sim, se minha esposa estivesse aqui facilitaria muito, participaria de mais atividades e trabalhos. Se ela estivesse presente daria para dividir as atividades. Daria para atender e participar mais das manifestações da comunidade. A figura feminina és muito importante. Eu fiquei muito impressionado e surpreso com os trabalhos desenvolvidos nos kenjinkais, das participações das senhoras, principalmente na cozinha, é um trabalho belíssimo.

 

Jornal Nippak: Para finalizar, o Senhor está completando um ano de Brasil, qual o balanço que o Senhor faz de sua gestão?

Cônsul Noriteru Fukushima: Ainda tenho muito por fazer, tenho que atender muitas empresas japonesas. Temos que investir mais para promover a cultura, as relações entre Japão e Brasil. Devemos dar mais informações aos empresários japoneses. Agora és um momento muito importante para a comunidade japonesa, há muita mudança, precisamos atrair e dar mais atenção aos jovens dekassegues que estão voltando do Japão. Também estamos trabalhando com outras organizações governamentais, empresas para fomentar a inserção desses jovens.

 

A gestão do cônsul Noriteru Fukushima atende aos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, sem dúvida nenhuma vem rendendo bons frutos, o seu empenho superou as expectativas, já visitou oitenta e oito cidades. O diplomata pretende manter dinâmicas as suas visitas às comunidades nikkeis conhecendo e fortalecendo ainda mais as relações bilaterais entre Japão e Brasil.

 

 

(Luci Judice Yizima)

 

 

 

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