COMUNIDADE: Em cerimônia concorrida, comunidade se despede do casal Obe com um ‘até breve’

Em uma cerimônia simples – como marcou sua estada no País – mas não menos concorrida, a comunidade nipo-brasileira se despediu do cônsul Kazuaki Obe e da consulesa Eiko Obe após três anos e meio de convivência. Organizado pelas principais entidades representativas nikkeis, evento realizado na noite desta terça-feira (26), no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), contou com a presença de cerca de 350 pessoas.

 

Liria Nakayama, Eiko Obe, Kazuaki Obe e Kiyoji Nakayama (foto: Aldo Shiguti)

 

Como lembrou o secretário administrativo da entidade, Eduardo Goo Nakashima, “foi uma das despedidas de cônsules mais concorridas dos últimos anos”. “Acho que, idêntica, somente a do Kiyotaka Akasaka (final de 2001 a 2003)”, conta Nakashima, lembrando que, na época, o secretário administrativo do Bunkyo era Senichi Adachi.

Para se ter uma ideia, estavam presentes representantes de associações e entidades das mais diversas localidades, uma retribuição à visita do diplomata. Afinal, como o próprio Kazuaki Obe disse em seu discurso, desde que assumiu suas funções no Consulado Geral do Japão em São Paulo, ele visitou 106 cidades de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Triângulo Mineiro em 164 viagens, quase sempre acompanhada da consulesa, Eiko Obe.

Lideranças como o presidente da Acenbo (Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Osasco), Sussumu Araki. “O município de Osasco sempre foi muito prestigiado por todos os cônsules, mas nunca estivemos um relacionamento tão próximo como com o que tivemos com o cônsul Kazuaki Obe”, disse Araki, que recebeu a visita do casal Obe em duas edições do Japan Matsuri.

 

Cônsul e consulesa brindam no hall do Bunkyo (foto: Aldo Shiguti)

 

“Mais sorte” teve Mogi das Cruzes, visitada quatro vezes pelo cônsul e pela consulesa. “As visitas trouxeram cultura e incentivo à região. Por isso, somos muito agradecidos”, explicou o presidente da Associação Cultural de Mogi das Cruzes, Kiyoji Nakayama que, ao lado da esposa, Líria Nakayama, entregou uma placa ao cônsul.

O vice-presidente do Instituto Cultural Nipo-Brasileiro de Campinas, Tadayoshi Hanada, destacou “a maneira um pouco diferente dos cônsules anteriores”. “A companhia da consulesa em praticamente todos os eventos foi uma espécie de marca registrada”, explicou. “Tivemos o privilégio de recebê-los em duas edições do Festival do Japão e esta convivência nos deixou bastante próximos”, observou Hanada.

Já o presidente da Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste, Kazoshi Shiraishi, tinha razões de sobras para percorrer os mais de 500 quilômetros que separam Araçatuba da capital paulista em plena noite de terça-feira – a van com a comitiva da Noroeste deixou o Bunkyo pouco mais das 22 horas – somente para prestigiar a cerimônia.

Com orgulho, Shiraishi enumerou todas as cidades da região visitadas pelo cônsul. “Ele [Kazuaki Obe] andou por quase toda a Noroeste. Esteve em Lins, Bauru, Cafelândia, Colônia Hirano, Promissão – onde visitou a Igreja Cristo-Rei (construída por imigrantes japoneses) –, Penápolis, Birigui, Araçatuba, Bilac, Valparaíso, Guararapes, Mirandópolis, Três Alianças e Pereira Barreto”. Shiraishi conta que a primeira vez foi por ocasião das comemorações dos 50 anos da Federação da Noroeste. “Disse ao cônsul que a região era considerada a terra dos imigrantes, de onde os pioneiros saíram para outros lugares”, explicou o presidente.

Para ele, que acompanhou o cônsul em várias destas viagens, a lembrança mais marcante que deve guardar são seus “gestos” e “atitudes”. “Certa ocasião, levamos um choque quando o cônsul e a consulesa cumprimentaram os presentes um a um e, principalmente, quando ele se agachou para ajudar aqueles que tinham dificuldade de se locomover. São gestos assim que mostram o seu valor”, explicou Shiraishi.

 

Marisa Kikuchi, esposa do presidente do Enkyo, entrega um buque de flores para a consulesa (Foto: Aldo Shiguti)

 

 

Belíssimo exemplo – O casal Obe, que embarca nesta quinta (28) para o Japão, não deixará saudades apenas por sua passagem no interior paulista. “Espontaneidade” e “humildade” são algumas das qualidades destacadas pelo presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita. “O cônsul Kazuaki Obe foi um dos responsáveis por aglutinar e mobilizar representantes dos mais variados segmentos”, observou Kita.

O presidente do Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Akinori Sonoda, chamou a atenção para o desempenho do cônsul Kazuaki Obe no fortalecimento das cinco principais entidades nikkeis (Bunkyo, Enkyo, Kenren, Aliança Cultural Brasil-Japão e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil). “Ele convocava reuniões com todos os presidentes e isso, além de nos aproximar mais, serviu para encurtar distâncias. Quando precisávamos de algo, pedíamos direto ao cônsul”, afirmou Sonoda.

Para o vereador Ushitaro Kamia (PSD), Kazuaki Obe “cativou os membros da comunidade e construiu muitas amizades em sua permanência no País”. “Ele não foi uma pessoa difícil, apesar do cargo que ocupava. Ao contrário, estava sempre acessível. Isso explica a presença de tantas pessoas em sua despedida”, ressaltou Kamia.

Para o deputado estadual Jooji Hato (PMDB), Kazuaki Obe é um “belíssimo exemplo de homem público, que marcou nossos corações”. “O amor e respeito que ele sente pelo Japão foram demonstrados em suas visitas à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Sentimentos que temos pelos imigrantes japoneses que aqui vieram com o sonho de ficar rico mas acabaram fincando raízes”.

 

Jantar Solidário – O deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP) lembrou que o casal Obe desembarcou no país no final de 2008, praticamente no momento pós-Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. “Mesmo assim ele construiu uma relação muito próxima com a nossa comunidade”. Para o parlamentar, a atuação do cônsul Kazuaki Obe marcou não só pela “competência” e “interatividade com a comunidade” mas também pelo “calor humano”. “Uma das passagens mais marcantes foi durante o Jantar Solidário no Hotel Unique, quando a comunidade uniu forças em solidariedade ao povo japonês. Lembro do discurso emocionado do cônsul e do gesto da consulesa, que distribuiu um tsuru para cada um dos presentes. Naquele momento, ele deixava de ser um mero diplomata para se tornar um grande amigo da comunidade”, disse Ihoshi.

(Aldo Shiguti)

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