COMUNIDADE: Em tom de despedida, cônsul Takahiro Nakamae se emociona ao falar do trabalho da Kibô-no-Iê

“Sei o quanto é trabalhoso organizar um evento como esse, com três ou quatro mil pessoas. Não consigo imaginar como conseguem elaborar um evento que, na verdade, é uma adição extra ao já trabalho de voluntários de cuidar dos residentes. Só posso imaginar que diretores e voluntários sacrificaram e sacrificam suas vidas, seu tempo e seus esforços, sempre com a compreensão de seus familiares. Acho que isso é algo único em São Paulo”. O depoimento, emocionado, foi feito pelo cônsul geral do Japão em São Paulo com exclusividade ao Jornal Nippak no último dia 4, durante a realização da 15ª edição da Festa Junina com Boi no Rolete da Sociedade Beneficente Casa da Esperança “Kibô-no-Iê”, em Itaquaquecetuba.

 

Cônsul Nakamae com diretores da Kibô-no-Iê. Foto: Jiro Mochizuki

 

Nakamae, que deve embarcar de volta para o Japão no dia 9 de julho depois de cumprir dois anos como cônsul geral do Japão em São Paulo, observou  que “este esforço da Kibô-no-Iê, de atingir a comunidade, é algo que devemos respeitar”. “Trata-se de uma entidade de assistência a pessoas com necessidades especiais, mas o que respeito na Kibô-no-Iê é que ela não fica só nisso. Ela faz uma apresentação das atividades de beneficência realizadas aqui, inclusive através das mídias sociais”, disse Nakamae, afirmando que está seguindo com muito interesse e muita admiração as redes sociais da Kibô-no-Iê.

“É muito impressionante olhar as fotos e mensagens tão positivas contando a felicidade dos residentes e as atividades tão atuantes da equipe. Sabemos de todos os esforços da diretoria, mas o importante é que a sociedade brasileira e a comunidade nipo-brasileira saibam do trabalho que é realizado e sou testemunha que eles fazem isso na prática”, afirmou Nakamae que deve cumprir como uma de suas últimas agendas na condição de cônsul a participação na cerimônia de abertura do 20º Festival do Japão.

 

Autoridades e convidados presentes à cerimônia de abertura. Foto: Jiro Mochizuki

 

Comprometimento – O depoimento do cônsul, que emocionou também o vice-presidente da Kibô-no-Iê, Tério Uehara, e o ex-presidente Nivaldo Odo, não foi o único momento marcante do evento. Na cerimônia de abertura, que contou com as presenças do deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB); do líder do Governo na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Aurélio Nomura; do presidente do Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Akeo Yogui; do presidente da Assistência Social Dom José Gaspar – Ikoi-no-Sono –, Sunao Sato; do presidente da Associação Pró-Excepcionais Kodomo-no-Sono, André Korosue e do “sempre deputado” Hatiro Shimomoto, entre outros, a vice-presidente da Kibô-no-Iê, Dirce Shimomoto, não conteve as lágrimas ao falar sobre o presidente, Mario Nakamura, que não pode estar presente pois encontrava-se hospitalizado, e dedicou o evento deste ano a ele.

 

Deputado estadual Hélio Nishimoto. Foto: Jiro Mochizuki

 

Já o coordenador da festa, Danilo Fujita, lembrou que a Festa Junina, uma das principais fontes de arrecadação da entidade, vem crescendo a cada ano que passa. “No ano passado recebemos cerca de 2500 visitantes e neste ano a presença de público foi de 3.500 pessoas”, disse Fujita, destacando que “este ano fomos abençoados com um dia agradável [o dia seguinte amanheceu debaixo de muita chuva e continuou assim ao longo do dia]”.

 

O vereador Aurélio Nomura. Foto: Jiro Mochizuki

 

Para ele, além do tempo, outro fato importante que ajudou a superar as expectativas dos organizadores foram os patrocinadores, “que mantiveram o apoio de todos os anos”. “E contamos ainda com alguns novos patrocinadores”, explicou Fujita, que elogiou também o comprometimento de todos os diretores.

 

 

Dirce Shimomoto e Danilo Fujita. Foto: Jiro Mochizuki

 

Gratidão – “Contamos com uma equipe com perfis diferentes e essa multidisciplinaridade faz a diferença, pois cada um tem expertise na comissão responsável. Além disso, todos os funcionários correram muito para deixar tudo organizado”, afirmou o coordenador, acrescentando que, “as festas, no fundo, são uma forma de retribuir às pessoas que colaboram com a Kibô-no-Iê”. “Existe o lado da receita, mas a única forma da entidade conseguir retribuir alguma coisa alguma coisa é organizando uma festa”, conta o Fujita, acrescentando que o ponto alto da festa foi o show com os irmãos Jair Oliveira e Luciana Mello, que interpretaram sucessos do pai, Jair Rodrigues, além de canções de seus próprios repertórios.

 

Os irmãos Jair Oliveira e Luciana Mello abrilhantaram ainda mais o evento da Kibô-no-Iê. Foto: Aldo Shiguti

 

Selfies – Jair Oliveira, aliás, protagonizou outro momento emocionante do dia ao atender uma fã, que pediu para que o canto lembrasse os tempos do Balão Mágico. Ficou sabendo depois que a música servira de fundo para que uma antiga amizade fosse reatada.

Ao lado da irmã, Luciana Mello, Jair Oliveira deu um show de profissionalismo e, mesmo abrindo mão do cachê – como seu pai fazia – cantou mais que as 14 músicas programadas. E para surpresa de sua equipe, desceu do palco para cumprimentar a plateia, que aproveitou para tirar selfie com o cantor.

 

Foto: Aldo Shiguti

 

Sangue japonês – Em entrevista exclusiva ao Jornal Nippak, Jair Oliveira lembrou que “tenho sangue japonês”. “Minha avó materna, Maria Ikenouchi, saiu do Japão quando tinha de dois para três anos e foi morar na Bolívia”, disse Jairzinho, garantindo que é um admirador da cultura japonesa. “Admiraria a comunidade japonesa mesmo se não tivesse essa herança. Tenho uma ligação afetiva enorme porque acho um povo extraordinário. Em todos os lugares do mundo, onde quer que você encontre uma comunidade japonesa, vai encontrar sempre uma comunidade maravilhosa, que tem muito a nos ensinar”, diz Jairzinho, lembrando que esteve no Japão em duas ocasiões.

 

Jair Oliveira. Foto: Aldo Shiguti

 

“A primeira foi com meu pai, em 1996, e a outra foi em 2006, para fazer uma casa de show em Tóquio chamada Blue Note ao lado do Simoninha e de uma cantora chamada Sônia Rosa. Na verdade, minha esposa ficou sabendo que estava grávida da nossa primeira filha, que hoje está com dez anos, no Japão. Então, além disso, tem essa história bonita para contar. Foi uma energia incrível. Fui duas vezes mas tenho vontade de voltar novamente”, afirma o cantor, explicando que uma das características que mais admira nos japoneses é “o grau de integração social que a sociedade japonesa tem para com todos os seus cidadãos”.

 

Foto: Aldo Shiguti

 

“Eu fico até com uma certa vontade que isso aconteça no Brasil também. É um senso de responsabilidade impressionante. O Japão já passou por tragédias naturais e viveu situação de guerra, enfim, coisas que poderiam ser absolutamente devastadoras para o país, mas por conta deste respeito pelos valores, a sociedade japonesa sempre conseguiu se reerguer com uma velocidade incrível. E nós poderíamos aprender muito”, disse Jairzinho, acrescentando que, “apesar de não termos desastres naturais nem enfrentar situação de guerra como o Japão, o país vive mergulhado em crises que ninguém sabe como sair”.

 

Foto: Aldo Shiguti

 

Respeito – “No Brasil, cada um vive vendo seu próprio umbigo enquanto os japoneses tem essa capacidade de observar as coisas de um jeito maior, de não restringir somente ao próprio umbigo”, disse o artista, afirmando que “essa festa que acontece aqui é muito por conta dessa organização, desse respeito, dessa vontade de fazer que a situação melhore para todo mundo”.

 

Luciana Mello. Foto: Aldo Shiguti

 

“Espero que um dia a gente possa ter 10% dessa capacidade que os japoneses tem”, disse Jairzinho, explicando que aprendeu com sua avó e com seu pai “essa vontade de querer ajudar, de querer colaborar de alguma forma”.

 

Foto: Aldo Shiguti

 

Evento este ano recebeu cerca de 3500 visitantes

 

A entidade – Fundada em 1963 por Koko Ichikawa, a Kibô-no-Iê é uma entidade sem fins lucrativos de assistência e amparo à pessoa com deficiência intelectual. Atualmente cuida de 65 residentes – sendo 31 homens e 34 mulheres com idades entre 31 e 74 anos – em sua sede, em Itaquaquecetuba.

Para saber mais acesse: kibonoie.org.br

 

 

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 Fotos: Jiro Mochizuki

 

ALDO SHIGUTI

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