COMUNIDADE: Encontro de aliancenses completa 50 anos repleto de histórias e com direito a livro

Histórias. Muitas histórias. É o que se espera quando três aliancenses se reúnem. O que dizer então quando cerca 500 deles, incluindo muitos herdeiros e simpatizantes, marcam um encontro? Mais hitórias, é claro. É o que acontecerá no próximo dia 30 de agosto, a partir das 10 horas, na Associação Okinawa Kenjin do Brasil, no bairro da Liberdade, em São Paulo, quando será realizado o 50º Encontro da Aliança Kyoyuu-Kai, com a participação conjunta das Três Alianças (Mirandópolis).

 

Isao Kurioka, Toshio Ichikawa e Nagato Hara: Encontro para trocar figurinhas e matar saudades (Foto: Aldo Shiguti)

Isao Kurioka, Toshio Ichikawa e Nagato Hara: Encontro para trocar figurinhas e matar saudades (Foto: Aldo Shiguti)

 

“Costumamos nos reunir todos os anos em sistema de rodízio, ou seja, uma vez lá e outra aqui na Capital”, conta o presidente da Comissão Organizadora do Encontro,  Toshio Ichikawa, que preside também a Associação Toyama Kenjin do Brasil. Segundo ele, por se tratar de uma data especial, este ano a Comissão Organizadora – que conta ainda com Yukio Hashiura, Shigetoshi Yamada, Oscar Hiramatsu, Isao Kurioka, Mitsuro Sato e Satiko Kurioka – decidiu caprichar na programação.

Foram convidados o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; o deputado federal Walter Ihoshi (PSD-SP); o vereador Ushitaro Kamia (PSD); a presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –, Harumi Goya; o ex-presidente da Assistência Social Dom José Gaspar – Ikoi-No-Sono, Reimei Yoshioka (que nasceu na 3ª Aliança) e  o presidente do Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil (Kenren), Mikihisa Motohashi; além do presidente da Zen Aliança, Isao Sato; o presidente da Associação da 1ª Aliança, Yuzo Mochizuki; o presidente da Associação da 2ª Aliança, Teruno Yaoita; e o presidente da Associação da 3ª Aliança, Kiyoshi Shimazaki.

 

Matar saudades – Além dos discursos habituais, a programação prevê homenagens a Yukio Hashiura, Shigetoshi Yamada, Tokio Suguita, Takako Yamada, Masao Shimazaki, Eizo Niizu e Koichi Tanaka. Haverá ainda apresentações de danças, palestras, karaokês, sorteios e bingos. O almoço será no sistema motiyori. “O churrasco ficará a cargo dos atuais moradores de lá”, explica Ichikawa, lembrando que será uma ocasião propícia para “trocar informações” e “matar saudades”.

Saudades dos tempos em que as Alianças costumavam revelar talentos para o esporte. “De lá saíram ótimos jogadores de beisebol, mas praticava-se quase todas as modalidades, em especial o atletismo”, observa Nagato Hara, que saiu da 3ª Aliança com apenas 12 anos de idade.

“Era o caminho natural de todos os aliancenses. Como tínhamos só até o primário, o ginasial tinha que ser feito no município de Mirandópolis, que ficava distante cerca de 30 quilômetros. Como o ônibus só passava de manhã e voltava à noite, não compensava ir todos os dias, por isso, o melhor era ficar na cidade, que tinha uma pensão para nihonjins”, lembra Hara, acrescentando que “somente em 1955 começou a passar um caminhão “pau de arara” (meio de transporte muito comum no interior).

 

Time de beisebol da Aliança de 1928 retratado no livro (Reprodução)

Time de beisebol da Aliança de 1928 retratado no livro (Reprodução)

 

Voluntário e coletivo – Isao Kurioka lembra que foram distribuídos pouco mais de 400 convites. “Como no auge, há mais ou menos 50 anos, tinha umas 800 famílias morando nas três Alianças, certamente temos muitas que não estão cadastradas e que gostaríamos muito que estivessem presentes”, destaca Kurioka, afirmando que uma das “marcas registradas” dos aliancenses é o espírito de voluntariedade e de coletividade.

“Quem nasceu nas três Alianças tem muito forte essa característica, de querer ajudar ao próximo, por isso muitos prestam serviço voluntário em entidades assistenciais. Acredito que é pelo fato de termos nascidos debaixo de assentamento e as dificuldades terem sido as mesmas para todos”, diz Nagato Hara.

Segundo eles, os laços de amizade entre os aliancenses são renovados desde 1965, quando ocorreu o primeiro encontro na capital paulista. “Essa longevidade parece ser um mistério, mas quem nasceu nas Alianças conhece esse sentimento que corre em nossos corações”, dizem.

 

Livro – Esse sentimento está presente também no livro “Aliança – A Terra da Cooperação” (Editora Jornalística União Nikkei, 360 páginas), de Kai Kimura, traduzido em português por Arnaldo Massato Oka.

Representante de um famoso grupo teatral japonês, Kai Kimura investigou essa história por mais de uma década. “O autor é um pesquisador meticuloso e conta a história de uma forma que consegue prender o leitor, mesmo aqueles que não nasceram nas Alianças. Percebe-se que nascemos na ‘Terra da Cooperação’, ou seja, temos sentimento de cooperação e união, daí essa longevidade de 50 anos do Encontro”, explicam os organizadores.

A obra estará à venda no dia por R$ 30,00 cada – quem adquirir quatro livros pagará somente R$ 100,00.

(Aldo Shiguti)

 


 

 

50º Encontro Anual da Aliança Kyoyuu-Kai

Quando: Dia 30 de agosto, a partir das 10 horas

Onde: Associação Okinawa Kenjin do Brasil: Rua Thomas de Lima, 72, Liberdade, São Paulo (SP)

Informações pelos telefones:

11/3242-6092 ou 99242-8276 (Isao Kurioka); 11/5572-6240 ou 99

 

 

 

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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