COMUNIDADE: Entidades nikkeis homenageiam condecorados de Outono pelo Governo Japonês

Diversas entidades nipo-brasileiras, entre elas o Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Enkyo (Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil), Câmara de Comércio e Indústria Brasileira Japonesa do Brasil e Aliança Cultural Brasil-Japão, realizaram no último dia 14, no Salão Nobre do Bunkyo, no bairro da Liberdade, Cerimônia de Homenagem aos Condecorados de Outono do 28º Ano da Era Heisei.

 

Recepção no Bunkyo foi organizado por diversas entidades e associações nipo-brasileiras. Foto: Jiro Mochizuki

 

Realizado à noite, após a entrega solene na residência oficial do cônsul geral do Japão em São Paulo, no bairro do Morumbi (zona Sul de São Paulo), o evento reuniu os seis condecorados da regional de São Paulo do Consulado Geral do Japão, cujo anúncio foi oficializado no último dia 3 de novembro. São eles:

Massami Uyeda, 74 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Estrela de Ouro e Prata, ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, doutor em Direito (USP) e membro-fundador do Instituto de Direito Comparado Brasil-Japão.

Kihatiro Kita, 72 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raio de Ouro com Roseta, que foi presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social e diretor-presidente da Sociedade Beneficente Casa da Esperança. Tem como fato meritório a contribuição para o desenvolvimento da assistência social da sociedade nipo-brasileira.

José Kiyoshi Taniguchi, 61 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata, chefe da 1ª Seção do Estado Maior Responsável pelo Planejamento e Controle de Efetivo da Polícia Militar de São Paulo e tem como fato meritório a contribuição para a promoção da cooperação policial entre o Japão e o Brasil.

Osamu Matsuo, 78 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Ouro e Prata, que foi presidente da Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil e atualmente é vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social e tem como fato meritório a contribuição para a assistência social dos japoneses residentes.

Massao Shinohara, 92 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata, judoca, ex-técnico da Seleção Masculina Brasileira de Judô, e tem como fato meritório a contribuição na difusão do judô.

Sadao Onishi, 73 anos, condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata, que foi presidente da Associação Cultural Assistencial da Liberdade, atual vice-presidente da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, e tem como fato meritório a contribuição para a assistência social dos japoneses residentes.

 

Os condecorados na residência oficial do cônsul. Foto: Jiro Mochizuki

 

Referência – Dos seis, Massami Ueyda receberá sua homenagem no dia 25 de janeiro de 2017, durante cerimônia a ser realizada na Embaixada do Japão no Brasil, em Brasília, em evento que também irá celebrar a entrada do ano novo.

Em seu discurso, a cônsul geral adjunto do Consulado Geral do Japão em São Paulo, Hitomi Sekiguchi, parabenizou os condecorados e destacou o trabalho de todos em prol do fortalecimento dos laços de amizade entre os dois países.

 

Osamu Matsuo com familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

“Abreviando” sua fala, Osamu Matsuo disse que veio ao Brasil em 1955, em 1959 ingressou no extinto Banco América do Sul e posteriormente foi para a seguradora Yasuda, totalizando 43 anos de trabalho. “Mesmo após a aposentadoria continuei trabalhando como voluntário na Aliança Cultural Brasil-Japão, no Bunkyo, no Kenren, como presidente do Comitê Executivo da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil e depois retornei novamente para o Bunkyo. Ao longo desses 61 anos de Brasil, recebi apoio e orientação de muita gente e gostaria de poder cumprimentar um a um. Continuarei lutando em prol da comunidade nikkei  porque esta comenda me dá ainda mais fôlego para continuar nessa jornada”, disse Matsuo.

 

Coronel José Taniguchi com familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Sorte – Já o coronel aposentado da PM, José Kiyoshi Taniguchi espera que sua homenagem sirva de exemplo para as novas gerações. “A gente não trabalha para receber este tipo de condecoração. No meu caso, nem imaginaria que um dia pudesse receber homenagem como esta. Para mim tem muito valor, ainda mais vindo do governo japonês, apesar de achar que eu não tenha trabalhado para ser merecedor. Mas que isso siva de incentivo aos demais, não só na minha área, mas a todos, indistintamente, para que também alcancem a outorga desta medalha”, disse Tanighuchi, lembrando que teve “sorte” por falar o idioma japonês. “Isso para mim foi muito útil pois consegui servir de elo de ligação entre a PM do Estado de São Paulo e a polícia japonesa”, contou Taniguchi, acrescentando que até hoje preserva as amizades que construiu do outro lado do mundo.

 

Massao Shinohara, um ícone do judô brasileiro. Foto: Jiro Mochizuki

 

Ícone – Referência quando o assunto é judô, mestre Massao Shinohara foi condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Raios de Prata. Judoca, ex-técnico da Seleção Masculina Brasileira de Judô, dedicou mais de 70 anos em prol do judô brasileiro. Ao Jornal Nippak, o presidente da Federação Paulista de Judô (FPJ), Alessandro Puglia, destacou que o sentimento é de gratidão. “Como representante de todos os judocas não só do Estado de São Paulo como também de todo o Brasil, trago a minha gratidão ao sensei Shinohara. Gratidão é a melhor palavra que a gente pode usar para agradecer uma pessoa que passou toda sua vida ensinando e educando através do judô, que é hoje um dos esportes mais praticados no país”.

 

O ex-presidente do Bunkyo Kihatiro Kita com familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Retribuição – Condecorado por sua participação na área de assistência social na sociedade nipo-brasileira, o ex-presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, explicou que sua atuação e contribuição nas entidades, foi a forma que encontrou para retribuir “o privilégio e a gratidão que tive e continuo obtendo  na comunidade nikkei”.

“Tudo foi possível graças ao apoio incondicional dos companheiros, parceiros, colaboradores, voluntários e verdadeiros amigos, além do incentivo da família. Assim, dedico esta honraria a todos que lutaram e participaram comigo ombro a ombro. Portanto, serei um simples depositário, que guardarei com muito carinho”, disse Kita, lembrando que desde pequeno se identificou com a cultura japonesa.

 

Massami Uyeda com Hitomi Sekiguchi e ex-bolsistas do Gaimusho. Foto: Jiro Mochizuki

 

Brasil-Japão – Condecorado com a Ordem do Sol Nascente, Estrela de Ouro e Prata, o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Massami Uyeda destacou que, “dentre as graduações, esta homenagem é a segunda mais elevada e no Ocidente equivale ao grau de grande oficial”.

“No Brasil, até hoje, só houve um homenageado com essa medalha que foi o senhor Kunito Miysaka, um grande nome e que foi homenageado após a sua morte. A classe Estrela de Ouro e Prata é conferida a quem, de certa maneira, representou ou contribuiu de maneira muito intensa para o fortalecimento das relações entre os dois países. No meu caso, como ministro do STJ, fui o primeiro a integrar um tribunal superior brasileiro. E também é verdade que em 2007 estive no Japão e tive oportunidade de esclarecer aspectos da legislação judiciária brasileira porque na época havia muita incompreensão, muita dificuldade de entendimento. E se isso não fosse bem esclarecido, poderia dificultar o relacionamento entre os dois países. Com os esclarecimentos que prestei, parece que a coisa ficou bem clara, mas não poderia imaginar que depois de dez anos fosse escolhido para receber esta condecoração, que, embora dirigida a minha pessoa, credito também à comunidade nikkei, familiares, amigos e professores”, explicou Uyeda, que compara a atual crise pela qual passa o país a um “doente”.

 

Sadao Onishi com familiares e amigos. Foto: Jiro Mochizuki

 

Crise – “Este recrudescimento a que chegamos é porque, até então, os usos e costumes negativos acabaram se corporificando como se fosse uma prática comum. Mas como todo abuso, há um momento em que aquilo se torna um ponto de saturação, ou seja, o próprio cidadão já não aguenta mais. É como um doente acometido de uma moléstia muita grave em que o corpo reage através da febre. A pessoa passa mal, mas a febre, na verdade, é uma reação do organismo na tentativa de restaurar o equilíbrio. O Brasil está passando por um momento muito difícil, em que o corpo social está debilitado, em ebulição, mas, que, sem dúvida, com todas essas descobertas de mal feitos, as bactérias negativas estão sendo colocadas para fora.  Apesar de ser o clímax de uma situação extremamente negativa, vejo isso com otimismo porque representa uma depuração que vai expor todas as bactérias para fora”, explicou Massami Uyeda.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
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