COMUNIDADE: Família Taniguchi: uma história de sacrifício e determinação

Noriyuki Taniguchi, sua esposa  Setsuko Taniguchi, e os três filhos pequenos saíram no quarto grupo de imigrantes da Província de Hiroshima, no Japão de navio na década 1956 com destino Guamá na grande Belém (PA), com a promessa de emprego garantido na lavoura. A trajetória da família Taniguchi pode ser confundida como a de tantas outras famílias de imigrantes japoneses que deixaram sua terra natal em busca de melhores oportunidades no Brasil.

 

A família Taniguchi reunida: “Aqui não tem terromoto nem tsunami”, diz a matriarca (Arquivo Pessoal)

A família Taniguchi reunida: “Aqui não tem terromoto nem tsunami”, diz a matriarca (Arquivo Pessoal)

 

Eles saíram de Hiroshima após a queda da bomba atômica. “O Japão estava em estado de calamidade, não tinha nada, só destruição, gente passando sede e fome. Sem perspectiva de futuro para meus filhos”, lembra. “Soubemos que no Brasil tinha terras para plantar e tivemos a oportunidade de vir para a região Norte com a minha esposa e meus três filhos pequenos com incentivo do governo japonês. Pensei em ser fazendeiro”, conta Taniguchi que na ocasião era contador no Japão.

 

O casal com os filhos em Piedade (foto: Arquivo Pessoal)

O casal com os filhos em Piedade (foto: Arquivo Pessoal)

 

O casal Taniguchi veio para o Brasil através do sogro que já estava no estado do Amapá no cultivo de seringueiras, porém o casal instalou-se em palafitas no núcleo de colonização de Guamá, no estado do Pará. “Quando cheguei a Guamá só tinha floresta, desmatei a floresta para fazer a plantação de arroz, contudo muitas doenças assolavam a nossa comunidade, como malária e a tuberculose. Mas era melhor que qualquer lugar na Ásia”, afirma. “Na ocasião todos os imigrantes japoneses falavam que Guamá era cruel, porém nada comparado a Sibéria onde fiquei como prisioneiro sendo torturado, passando frio e fome”, relata Taniguchi.

 

O casal numa foto em família (Foto: Arquivo Pessoal)

O casal numa foto em família (Foto: Arquivo Pessoal)

 

De acordo com esposa Setsuko Taniguchi, foi difícil a adaptação ao Norte brasileiro, era muito quente, muito mato e doenças. Então eles decidiram se mudar para Santo André na Grande São Paulo, onde residiram por dez meses. Mais tarde se mudaram para Piedade, no interior paulista, onde nasceu à quarta filha. Firmaram residência por 40 anos, trabalhando na agricultura no cultivo de morango, nêspera, abacate e verduras variadas. “Trabalhamos muito duro para educar os nossos quatro filhos, construímos a nossa casa e nossa vida com muito trabalho e sacrifício na lavoura”, comenta dona Setsuko.

“Hoje residimos em São Paulo, os filhos Hiroshi Taniguchi, o mais velho é técnico industrial, Maiyumi Taniguchi é massagista, Otomi Taniguchi é empresária e a caçula Áurea Nami Taniguchi é farmacêutica e permanece em Piedade”, explica.  A matriarca completa dizendo que não sente saudades de Belém, e tão pouco do Japão, mas enfatiza em dizer que ‘gosta muito do Brasil’. “Já me acostumei ao clima e cultura brasileira. É um país grande, livre e muito rico em recursos naturais. Aqui não tem terremoto e nem tsunami”.

(Luci Júdice Yizima)

 

 

Related Post

3º Seminário e Festival de Hyogen Taisso A Associção Kenko Hyogen Taisso do Brasil irá promover no próximo dia 25  o 3ø Seminário e Festival de Hyogen Taisso, modalidade de ginástica relaxant...
ELEIÇÕES 2016: Em Campo Grande (MS), jornalista Sí... A eleição municipal de 2016 mostrou que a população nipônica de Campo Grande (MS) quer renovação. Prova disso é o resultado da disputa entre os candid...
COMUNIDADE: Obra coordenada por Harada busca ‘proj... Com o objetivo de “dar cumprimento” ao que está determinado no Estatuto do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social –...
BRASIL-JAPÃO: No Bunkyo, cônsul Takahiro Nakamae s... Os últimos dias de Takahiro Nakamae como cônsul geral do Japão em São Paulo foram marcados por homenagens e despedidas. Como a que aconteceu no último...

Faça seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *