COMUNIDADE / FESTIVAL DO JAPÃO: Kenren revê contas, divulga saldo positivo e anuncia 19ª edição

O Kenren – Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil –, entidade responsável pela realização do Festival do Japão – que este ano chegou a sua 18ª edição nos dias 24, 25 e 26 de julho, no  São Paulo Expo Exhibition & Convention Center – divulgou duas boas notícias. A primeira refere-se à edição deste ano, que atraiu um público estimado pelos organizadores em cerca de 150 mil pessoas. Diferentemente do que havia sido anunciado, ou seja, um prejuízo na casa “dos três dígitos”, acabou não se confirmando.

“Peço desculpas, mas houve uma precipitação da nossa parte em relação aos números anunciados inicialmente”, justificou o vice-presidente da Comissão Executiva, Toshio Ichikawa. Segundo ele, as “oscilações” apresentaram um resultado final positivo entre R$ 40 e R$ 70 mil. Ichikawa explica que três itens provocaram essa mudança.

 

 

resized_S0308410

Toshio Ichikawa e Yasuo Yamada, vice-presidente e presidente da Comissão Executiva do 18º Festival (Foto: Aldo Shiguti)

 

A primeira diz respeito à conta de luz e água. “Estimavámos um aumento brutal na ordem de 30 a 40% para este ano. Felizmente, isso não aconteceu, talvez pelo fato de a GL events –  grupo francês que administra o espaço – não ter repassado o reajuste e cobrado, basicamente, a inflação do ano passado”, argumenta Ichikawa, lembrando que o Festival do Japão realizado em 2014 consumiu cerca de R$ 230 mil entre energia e água.

O segundo item refere-se às indenizações, isto é, às reposições causadas por avarias na infraestrutura. No ano passado, essas despesas foram de R$ 25 mil. Este ano, explica Ichikawa, foram de apenas R$ 1 mil. “Apenas esses dois itens abriu um número em torno de cerca de R$ 80 mil em relação a nossa expectativa inicial”, admite, acrescentando que o terceiro e último item refere-se à venda de ingressos antecipados. “Somando tudo isso gerou um  resultado final positivo”, assegura, que confirma, no entanto, uma redução nas receitas dos kenjinkais e dos bazaristas em função da queda do número de visitantes, de quase 40 mil em relação aos anos anteriores.

Ichikawa disse que foram vários os fatores que contribuíram para a queda do número de visitantes neste ano. Um deles foi a crise econômica do país. Outros problemas, foram pontuais, como a chuva, o estacionamento e o acesso até o local que, devido às obras de modernização do espaço prejudicaram a circulação dos carros. “Como hoje o sistema de informação é em tempo real, isso nos afetou muito”, acredita.

 

resized_DSCF9336

Este ano, evento recebeu um público estimado em cerca de 150 mil visitantes (Foto: Aldo Shiguti)

 

19º Festival – Fora esses problemas, Ichikawa revela que, “embora pequeno, esse resultado positivo abriu uma boa expectativa e condições para avaliarmos a realização do 19º Festival do Japão”.

O primeiro passo nesse sentido já foi dado no dia 20 de agosto, com a realização de uma reunião extraordinária que contou com a presença dos presidentes dos kenjinkais. Na pauta, a análise da previsão orçamentária – que leva em consideração a projeção do cenário político e aspectos econômicos. Nesse cenário, não foram considerados os benefícios provenientes do setor público, o que incluiu as chamadas emendas parlamentares – o que também não ocorreu nesse ano. “Consideramos apenas as emendas municipais que contemplam estruturas de palco, iluminação e banheiros químicos”, esclarece Ichikawa, afirmando que ficou decidido não só pela realização da 19ª edição como também foi sugerida a criação de uma Comissão Executiva Provisória que terá a missão de conduzir as atividades até março de 2016, quando ocorre a eleição que definirá a nova Diretoria do Kenren.

Provisoriamente, a Comissão Executiva é composta pelo presidente Toshio Ichikawa e pelos vices: Minoru Nishiyama (Sociedade Cultural Saga Ken do Brasil), Maximiliano Matsumura (Associação Cultural Kagoshima do Brasil) e José Taniguchi (Associação Wakayama Kenjin do Brasil)

Caberá ao presidente da entidade – comandada atualmente por Mikihisa Motohashi – indicar os membros da Comissão Executiva do 19º Festival do Japão.

 

Preço especial – Segundo Ichikawa, um fator que foi decisivo para a continuidade do Festival do Japão, considerado hoje o principal evento da comunidade nipo-brasileira e também a maior festa da cultura japonesa do mundo, foi o preço do aluguel proposto pelos adminstradores do espaço. “Eles vão cobrar um preço especial pois querem nos prestigiar nos próximos anos. Em relação ao que foi pago este ano será cobrado apenas um aumento inflacionário”, conta Ichikawa, admitindo que “nossa expectativa era de um aumento significativo em função das reformas que devem transformar o São Paulo Expo Exhibition & Convention Center no maior centro de exposições do Brasil”.

De acordo com Ichikawa, a ideia é firmar uma parceria a longo e médio prazo. “Eles ficaram de apresentar uma proposta nesse sentido. Se vamos aceitar ou não vai depender do que for decidido pela maioria”, conta Ichikawa, acrescentando que, “de qualquer forma, teríamos que usurfruir das reformas por pelo menos um ano”. “Não faria sentido termos enfrentado o pior ano da reforma e sair justamente quando s obras tivessem sido concluidas”, argumenta ele, afirmando que o grupo GL pretende investir R$ 300 milhões nos primeiros 54 meses, incluindo a construção do maior estacionamento coberto do Brasil, com capacidade para abrigar 4,5 mil veículos e que deve ficar pronto em 2016.

“Mas a continuidade do Festival do Japão também parte de pressupostos importantes, como o fato de todos os kenjinkais se sentirem responsáveis pela sua realização, e não achar que se trata de um evento do Kenren”, conta ele, afirmando que a participação dos kenjikais “melhorou bastante nos dois últimos anos”.

 

Profissionalização – “Nosso principal desafio será o de motivar os kenjinkais para que ocorra, efetivamente, uma renovação de seus membros. Outra proposta para os próximos anos é aumentar o conhecimento do pessoal que trabalha na praça de alimentação. Não só no manuseio dos produtos como também na postura e forma de atendimento. A ideia é fazer com que o público sinta algo a mais na hora do atendimento”, diz Ichikawa, acrescentando que “caberá a cada kenjikai capacitar os voluntários.

A profissionalização deve passar, necessariamente, pela preparação dos voluntários. “A intenção é elevar o Festival do Japão ao mesmo patamar dos grandes eventos realizados em São Paulo, oferecendo um nível maior de satisfação aos visitantes. Vamos usar uma infraestrutura de primeira linha e temos todas as condições de concorrer com qualquer outro evento importante de São Paulo”, acredita Ichikawa.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
ALDO SHIGUTI

Últimos posts por ALDO SHIGUTI (exibir todos)

     

    Related Post

    ARAÇATUBA/SP: Federação das Associações Culturais ... A Federação das Associações Culturais Nipo-Brasileiras da Noroeste estuda a possibilidade de criar um logotipo para ser usado nos eventos e atividades...
    Sesc Carmo Traz Espetáculo Teatral “Uirapuru” para... Imaginário popular amazônico representado em peça musicada, inspirada em poema de Villa-Lobos e opereta popular de D. Noêmia, compositora paraen...
    BEISEBOL: Atibaia é campeão do 66º Campeonato Bras...   A equipe de Atibaia sagrou-se campeã do 66º Campeonato Brasileiro de Beisebol Interclubes, competição realizada nos dias 28 e 29, no Nikkey ...
    SOCIAL: MASAHARU TANIGUCHI MASAHARU TANIGUCHI – A Igreja Seicho-no-Ie Masaharu Taniguchi realizou no dia 13 de novembro, no Grande Auditório do Bunkyo (Sociedade Brasileira de C...

    Faça seu comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *