COMUNIDADE: Festival do Japão trabalha para transmitir ‘a cultura que não aparece’

Você certamente já deve ter ouvido falar em cosplay, mangá, taiko e cerimônia do chá. Mas termos como “omotenashi”, “kaizen” e “mottainai” podem parecer estranho  para o público que for ao 20º Festival do Japão, que acontece nos dias 7, 8 e julho, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo. Para o Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) – entidade responsável pela realização do evento e que reúne as 47 províncias japonesas – tão importante quanto apresentar a milenar cultura japonesa ou o que há de mais moderno em termos de tecnologia, é transmitir “a cultura que não aparece”.

 

Apresentação de Taikô. Foto: Aldo Shiguti

 

Pelo menos foi o que ficou claro na coletiva de imprensa realizada no último dia 4, na Japan House São Paulo, na Avenida Paulista (região da Bela Vista). O evento contou com a presença de autoridades e patrocinadores: Yasuo Yamada, presidente do Kenren; Toshio Ichikawa, presidente da Comissão Executiva do Festival do Japão; Guillermo Muro, vice-presidente institucional da Japan House São Paulo; Daniel Galante, diretor de operações do São Paulo Expo; Olavo Mitsuo Kimura, gerente executivo do Bradesco Nikkey; Celso Simomura, vice-presidente da Toyota do Brasil; e Luiz Akuta, gerente de desenvolvimento de negócios da Mitsubishi Eletric.

 

Apresentação de Yosakoi Soran. Foto: Aldo Shiguti

 

Na abertura, foi apresentado o teaser do 20º Festival do Japão, que mostra a nova estrutura do São Paulo Expo, com novos acessos, garagem coberta com capacidade para 4.500 veículos, elevadores, além da facilidade em chegar ao local pelo ônibus gratuito oferecido nos dias de evento.

 

O presidente do Kenren, Yasuo Yamada faz apresentação do 20º Festival do Japão durante coletiva. Foto: Aldo Shiguti

 

O presidente Yamada abriu a coletiva com palavras de agradecimento em japonês e português. Em seguida, Ichikawa falou sobre os tradicionais conceitos japoneses que são usados no Festival do Japão e sobre as estratégias de organização do evento, que conta com a ajuda e o carinho de 6 mil voluntários.

 

E tudo teve início com a gastronomia das províncias. Foto: Aldo Shiguti

 

De acordo com Ichikawa, o Festival do Japão nasceu na Marquise do Parque do Ibirapuera (zona Sul de São Paulo) para ser divulgado como festival. “Hoje, passados 20 anos, já ultrapassou essa marca de festival e estamos trabalhando como sendo um megaevento cujo objetivo é divulgar a cultura japonesa. Mas o que é essa cultura japonesa? A gratidão em relação a outra pessoa, por exemplo, é típico da cultura japonesa e que nós chamamos de omotenashi. Quando você vai em qualquer loja japonesa, lá está o presidente na porta recebendo todos os visitantes. Não é só um aceno de cabeça, ele tem uma postura de tronco. Essa prática nós também utilizamos no festival. Todos os voluntários recebem os visitantes com um sorriso. Na Praça de alimentação todos estão com um visual bonito, sorridentes e orgulhosos de estar apresentando sua culinária regional e esperando também um sorriso após a pessoa consumir aquela comida. Tudo isso faz parte da cultura que nós estamos colocando no festival mas que não aparece. Nós da organização estamos bastante atentos para que essa cultura também seja divulgada”, explicou Ichikawa, que lembrou ainda um episódio que se tornou uma “marca registrada dos torcedores japoneses” presentes nos estádios brasileiros durante os jogos da seleção nipônica na Copa do Mundo de 2014.

 

Toshio Ichikawa, presidente do Festival. Foto: Aldo Shiguti

 

Mottainai – “Após os jogos da seleção japonesa, os torcedores promoviam uma limpeza geral nos estádios. Isso faz parte da cultura japonesa. E junto com isso também vem a palavra mottainai, que é reciclar, não desperdiçar aquilo que a natureza oferece para a gente. Também nós do festival estamos criando um aquário com o que antes – há uns três anos – eram chamados de catadores de lixo e hoje são pessoas que reciclam os resíduos. Fizemos uma gaiola com mais ou menos 50 cooperadas que trabalham para fazer a seleção de resíduos. Nós geramos mais ou menos 38 caçambas grandes de lixo que antes eram simplesmente ignoradas. Hoje não. Só jogamos 9 caçambas, na verdade, 8, se conseguir 9 pagamos um prêmio de mil reais para cooperativa como forma de estimulo. Então, são 50 cooperadas, e se cada família tiver 5 membros, são 250 pessoas que o festival estará contribuindo para aumentar sua renda mensal dentro do conceito mottainai”, destacou Ichikawa, afirmando que “nós utilizamos diversos conceitos da cultura japonesa para elaborar o projeto do festival e mostrar para o público em geral os valores que vem desses conceitos”.

 

Exposição de Ikebana é uma das atrações do Festival do Japão. Foto: Aldo Shiguti

 

Kaizen – “A cada ano que passa o pessoal vai ver que isso é natural. Hoje nós temos exemplos de crianças nas escolas que já tem uma consciência da importância de reciclar materiais e economizar bens naturais. Ou seja, nós começamos a ter gerações que já estão pensando nisso. E é gratificante saber que o festival contribui para consolidar esses conceitos que já existem nos jovens”, disse Ichikawa, explicando que “a síntese da fórmula” para satisfazer os visitantes do Festival do Japão é a expressão “kaizen”, que para os organizadores do festival pode ser traduzido como uma melhora constante e renovação do conteúdo a cada evento.

 

Daniel Galante, do São Paulo Expo. Foto: Aldo Shiguti

 

Parceria – Tanta preocupação não passou despercebida da GL event, grupo francês que administra o São Paulo Expo. Para Daniel Galante, “a cada ano a gente aprende muito com a cultura japonesa”. “No primeiro ano, quando fui trabalhar com eles e me disseram que teriam 6 mil voluntários pensei que seria um caos. Os voluntários vem com a intenção de ajudar mas quando você fala em três seguidos de evento e ainda chegar antes e muitas vezes sair depois de todo mundo, a pessoa acaba desistindo no meio do caminho. Não porque ele não tem vontade, mas o voluntário acaba cansando porque não tem obrigação. Foi assim nos Jogos Olímpicos. Mas acabei me surpreendendo porque eles não só chegavam antes e participavam até o final como atendiam todo mundo sorrindo. E talvez estivessem trabalhando melhor que os funcionários contratados. Isso foi um aprendizado que nós tivemos da cultura japonesa, isto é, quando você se compromete, você tem que fazer pois há outras pessoas que dependem disso. A cada ano a cultura japonesa ensina muito para a gente, em tudo. Não é a toa que as indústrias japonesas fazem  sucesso em todos os países que atuam”, destacou Galante.

 

Culinária japonesa foi reconhecida como Patrimônio Cultural Intangível pela Unesco por priorizar ingredientes sazonais. Foto: Aldo Shiguti

 

Para Ichikawa, a parceria com a GL está sendo muito importante para a continuidade do festival. “Estamos no quinto ano de parceria com a GL. É uma parceria de longa data que só tenho a agradecer. Há dois anos nós temos recebido apoio cultural muito significativo que permite que a gente consiga fazer um grande festival. Sem esse apoio cultural com certeza seria muito difícil para a gente”, disse Ichikawa, afirmando que “a GL está acreditando que o festival contribui como um megavento para a cidade de São Paulo e, de certa forma, também beneficia a São Paulo Expo em sua grandeza”.

 

Guilherme Muro, vice-presidente da Japan House SP. Foto: Aldo Shiguti

 

Tema – Este ano, com o tema “20 Anos de Integração,. Harmonia e Cultura”, o Festival do Japão apresentará shows musicais, atrações culturais, danças típicas, culinária regional das províncias japonesas, exposições culturais, workshops, cerimônia do chá e atividades gratuitas para as crianças, jovens, adultos e idosos, utilizando 40 mil m² de área totalmente coberta, dentro do São Paulo Expo Exhibition & Convention Center.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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    20º FESTIVAL DO JAPÃO

    Quando: Dias 7, 8 e 9 de julho. Sexta, das 12 às 21 horas; sábado, das 10 às 21 horas; domingo, das 10 às 18 horas

    Onde: São Paulo Expo Exhibition & Convention Center (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo)

    Ingressos: R$ 22 (antecipado e online), R$ 25 (bilheteria no dia) e R$ 12 (meia-entrada, venda online e na bilheteria)

    Estacionamento no local (terceirizado) – R$ 45

    Transporte gratuito do metrô Jabaquara, das 8 às 22 horas

    * Ingressos antecipados à venda nos pontos de vendas oficiais e pelo site

    * Entrada gratuita para crianças até 08 anos, mulheres acima de 60 anos e homens acima de 65 anos (meia-entrada para homens entre 60 a 65 anos)

    * Meia-entrada pelo site e na bilheteria. Será exigido documento de comprovação no acesso ao evento.

     

    Informações:

    Site: www.festivaldojapao.com

    Tel: (11) 3277-6108/3277-8569

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    One Comment

    1. Loanny Carneiro says:

      Pra mim o Festival do Japão é um evento que realmente representa a cultura do Nihon. Fui para o festival em 2012 e achei tudo maravilhoso! Lembro que fiquei muito emocionada ao ouvir a Melissa Kuniyoshi, cantado Ai san san da Misora Hibari. Foi lindo demais. Havia sido a minha primeira vez em São Paulo, justamente para prestigiar o evento. Com certeza a edição de 2017 será fantástica, não tenho dúvida! Uma pena que não posso ir esse ano. Abraço!

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