COMUNIDADE: Fundação Kunito Miyasaka busca parceiros para concluir obras no Parque Ecológico Imigrantes

Previsto para ser inaugurado em 2018 como um “presente” da comunidade japonesa ao país, o Parque Ecológico Imigrantes entra, agora, em sua terceira fase, a de captação de recursos para a conclusão das obras, como a construção das “células” –  como são chamados os futuros centros tecnológicos de estudo e consulta, que deverão ser equipados com uma plataforma multimídia para monitoramento remoto. As duas primeiras etapas, de construção do portal e tratamento de efluentes e o acesso para a área, com a construção de passarelas e do fenicular (bondinho), já estão concluídas, como constatou a reportagem do Jornal Nippak nesta segunda-feira (10) durante visita ao local a convite da Fundação Kunito Miyasaka, responsável pelo projeto.

 

Parque Ecológico Imigrantes busca parceiros para concluir obras. Foto: Jiro Mochizuki

Parque Ecológico Imigrantes busca
parceiros para concluir obras. Foto: Jiro Mochizuki

 

Segundo presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio, até agora foram investidos cerca de R$ 10 milhões. Para concluir as obras, conforme apurou o Jornal Nippak, serão necessários mais R$ 3 milhões. O ano da inauguração não foi escolhido por acaso. Em 2018, a Fundação Kunito Miyasaka estará comemorando 20 anos de fundação e também serão celebrados os 110 anos da imigração japonesa no Brasil.

 

Representantes da comunidade nipo-brasileira em visita ao Parque Ecológico Imigrantes. Foto: Jiro Mochizuki

Representantes da comunidade nipo-brasileira em visita ao Parque Ecológico Imigrantes. Foto: Jiro Mochizuki

 

O terreno, que foi adquirido em 1971 pela Companhia Produtrores de Armazéns Gerais, um dos braços do extinto Banco América do Sul, foi transferido para a Fundação Kunito Miyasaka por volta de 2010. As obras, propriamente ditas, tiveram início em 2013.

 

Funcionários e membros do Comitê Executivo do Parque Imigrantes. Foto: Jiro Mochizuki

Funcionários e membros do Comitê Executivo do Parque Imigrantes. Foto: Jiro Mochizuki

 

Distante cerca de uma hora da Capital, o Parque Ecológico Imigrantes está localizado no Km 33 da Rodovia dos Imigrantes, no município de São Bernardo do Campo (Região do ABC paulista). Possui uma área de 20 alqueires (484 mil metros quadrados), em plena Mata Atântica. No dia que a reportagem do Nippak esteve no local – estiveram presentes também o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae, a presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Goya, o presidente da Associação Latino-Americana de Ex-Bolsistas do Gaimusho Kenshusei, Kiyoshi Harada, o presidente da Aliança Cultural Brasil-Japão, Yokio Oshiro e o presidente do Hospital Santa Cruz, Renato Ishikawa, entre outros, o tempo estava nublado, mas foi possível percorrer todo o percurso sem pisar em poças d’água, graças aos quase 500 metros de passarelas suspensas e ao bondinho, que levará os visitantes até a trilha sensorial – uma espécie de túnel coberto por maracujá – e as “células”.

 

Cônsul Takahiro Nakamae registra passeio no parque. Foto: Aldo Shiguti

Cônsul Takahiro Nakamae registra passeio no parque. Foto: Aldo Shiguti

 

Gratuito – Como alternativa às passarelas suspensas e ao bondinho, os mais aventureiros podem optar pela trilha. Quem preferir as passarelas poderá observar a floração das copas de algumas árvores já que os pontos mais altos da passarelas chegam a  mais de 7 metros de altura do solo. Nos dois casos, com um pouco de sorte, será possível ver alguns animais que habitam a mata, como antas, veados e macacos bugios, além de muitos pássaros.

O passeio, gratuito, deve ser pré-agendado e monitorado. Os grupos devem ter até 10 pessoas. E, quando estiver pronto, poderá receber até 300 pessoas por dia.

 

Trilha Sensorial está em fase de acabamento. Foto: Aldo Shiguti

Trilha Sensorial está em fase de acabamento. Foto: Aldo Shiguti

 

Sustentabilidade – Todo o parque foi pensado na sustentabilidade e no meio ambiente, com o uso de materiais e processos construtivos que minimizam os impactos de construção das edificações. As passarelas suspensas, por exemplo, são feitas de Madeplast – uma tecnologia que usa garrafas pets. A água da chuva recebe tratamento e é reusada na lavagem dos pisos, jardinagem e descarga de banheiros.

 

Passarelas suspensas são todas feitas com material reciclável. Foto: Jiro Mochizuki

Passarelas suspensas são todas feitas com material reciclável. Foto: Jiro Mochizuki

 

Preocupados com a acessibilidade, o local permite o acesso de portadores de necessidades especiais, com elevadores e rampas. A ideia é proporcionar aos visitantes um turismo de natureza, com toda biodiversidade da fauna e flora da Mata Atlântica, com ações de educação ambiental, pesquisas e preservação.

 

O percurso do bondinho tem cerca de 90 metros. Foto: Jiro Mochizuki

O percurso do bondinho tem cerca de 90 metros. Foto: Jiro Mochizuki

 

Trabalho social – Segundo os membros do Comitê Executivo do Parque Eclógico Imigrantes que falaram com o Jornal Nippak – Flávio Lessa, Ricardo Maluf e Hélio Oda – uma das grandes preocupações na elaboração do projeto foi o envolvimento dos moradores do entorno, em sua grande maioria da comunidade conhecida como Pós-Balsa do Riacho Grande.

Durante as obras, cerca de 80% dos trabalhadores eram moradores da região e com apoio da Prefeitura de São Bernardo do Campo, o curso “Formação de Monitores e Ecoturismo” capacitou 30 moradores da região para trabalharem no local.

 

 

 

Quem foi Kunito Miyasaka

Kunito Miyasaka nasceu em 15 de julho de 1889, na pequena aldeia de Fumide-Toyoda localizada na cidade de Suwa, província de Nagano no Japão. Desde a infância demonstrou vontade de conhecer novos horizontes, para tanto, dedicou-se nos estudos e se destacou como peça importante na imigração japonesa na América do Sul.

A primeira experiência fora do Japão foi no Peru e no Chile, entre 1913 e 1919, ao representar uma empresa japonesa de imigração, onde pôde auxiliar muitas pessoas. Chegou ao Brasil em 1931 para administrar as colônias japonesas que se instalaram principalmente em Tietê – atual Pereira Barreto -, Bastos, Aliança e Três Barras – atual Assai -. Foram 50 anos dedicando-se a ajudar o povo japonês.

Fundou o Banco América do Sul junto com o sr. Carlos Yoshiyuki Kato no ano de 1940, com o intuito de servir a colônia japonesa no Brasil. Em 1951, instituiu a Cia. Produtores de Armazéns Gerais afim de financiar produtores de café e, em 1959 inaugurou a Companhia de Seguros América do Sul. Miyasaka também foi presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo.

Morreu aos 88 anos, no dia 21 de março de 1977. Em dezembro do mesmo ano, o governo japonês lhe concedeu uma homenagem póstuma pelos relevantes serviços prestados ao país, condecorando-o com a Ordem do Tesouro Sagrado.

A Fundação Kunito Miyasaka, que leva o seu nome, foi criada em 21 de outubro de 1998 com o objetivo de contribuir para a integração entre o Brasil e o Japão, apoiando, preservando, promovendo causas humanitárias, culturais, sociais, esportivas e ambientais.

 

 

 

 

 

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One Comment

  1. Em 2018 desejamos contemplar a inauguração do Parque Ecológico Imigrantes!!!
    SUCESSO no andamento!!!

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