COMUNIDADE: Governo japonês investirá US$ 30 milhões no Japan House; ideia é ‘redescobrir’ o Japão

A partir do ano que vem, os paulistanos e turistas que visitarem a capital paulista ganharão um moderno centro multiuso para divulgar não só a cultura japonesa como também abrirá suas portas para negócios e para o que há de mais moderno em termos de tecnologia. Trata-se do projeto batizado com o nome provisório de “Japan House”. A apresentação aconteceu na semana passada, com uma série de ações promovidas pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo, envolvendo as jovens lideranças da comunidade e os representantes de entidades nikkeis, um coquetel e uma coletiva com a imprensa na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), além de um debate aberto no Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand).

 

Naoto Nakahara, Nakamae, Angela Hirata, Thomaz Zanoto, Kenya Hara, Kuma, Dantas e Nely Caixeta (Foto: Aldo Shiguti)

Naoto Nakahara, Nakamae, Angela Hirata, Thomaz Zanoto, Kenya Hara, Kuma, Dantas e Nely Caixeta (Foto: Aldo Shiguti)

 

O premiado arquiteto Kengo Kuma - Foto: divulgação

O premiado arquiteto Kengo Kuma – Foto: divulgação

O pré-lançamento contou com a presença do premiado arquiteto japonês Kengo Kuma, do designer  Kenya Hara e do diretor Escritório de Comunicação Estratégica do Ministério dos Negíocios Estrangeiros, Naoto Nakahara, além da diretora executiva Ângela Hirata, do diretor de planejamento Marcello Dantas e da diretora de mídia e comunicação, Nely Caixeta.

O designer Kenya Hara: “Novos caminhos” - Foto: divulgação

O designer Kenya Hara: “Novos caminhos” – Foto: divulgação

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae presidirá um Comitê Supervisor formado por personalidades brasileiras como o ex-jogador Zico, a cantora Fernanda Takai, a empresária Chieko Aoki, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil, Toshifumi Murata e o ex-desembargador Kazuo Watanabe, entre outras.

O projeto é uma iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo japonês, que investirá US$ 30 milhões até 2019. Além de São Paulo, apenas outras duas metrópoles foram selecionadas pelo governo japonês para receber a Japan House: Londres, na Inglaterra, e Los Angeles, nos Estados Unidos.

As obras da Japan House – que será instalada na Avenida Paulista, 52 – já começaram. Conforme antecipou o Jornal Nippak, a inauguração está prevista para março de 2017. Antes, em novembro deste ano, está marcada uma inauguração provisória. O Jornal Nippak apurou que a mesma apresentação realizada em São Paulo deve ocorrer entre março e abril em Londres e Los Angeles.

A expectativa é que a instalação de Londres seja inaugurada praticamente no mesmo mês da Japan House em São Paulo, ficando a de Los Angeles para abril ou maio de 2017. A determinação do governo japonês é para que as três casas entrem em funcionamento até o primeiro semestre do ano que vem.

 

Casa terá quatro pavimentos para mostrar o “verdadeiro Japão” - Foto: divulgação

Casa terá quatro pavimentos para mostrar o “verdadeiro Japão” – Foto: divulgação

 

Diferente de tudo – Para a execução do projeto, o governo japonês contratou um consórcio de empresas privadas e grupos que inclui a agência japonesa Dentsu, a empresa de consultoria Suriana, a Construtora Toda do Brasil (responsável pelo projeto arquitetônico) e o escritório Kengo Kuma & Associates, encarregado da supervisão.

Na apresentação, o cônsul explicou que São Paulo foi a cidade escolhida para receber o projeto porque a capital paulista concentra a maior comunidade de nikkeis do país e também por ser o principal centro econômico da América Latina, além de um polo importante de produção artística e cultural. Em relação à Paulista, o local foi escolhido por ter um intenso trânsito de pessoas e ser de fácil acesso, com equipamentos culturais próximos, como a Casa das Rosas.

Quando estiver pronta, a Japan House, conforme palavras de Marcello Dantas, “será diferente de tudo que já se viu em São Paulo”. Ou, na definição de Kenya Hara, “será uma instalação que surpreenderá os próprios japoneses”. “O governo japonês não medirá esforços para que se torne um empreendimento admirável”, endossou o cônsul, explicando que o objetivo é criar um centro de transmissão de informações do Japão onde os visitantes se sintam no próprio país. E, claro, que desperte no visitante a vontade de conhecer o Japão.

 

Casa ocupará mais de 2500 metros quadrados: para quem conhece e ainda não conhece o Japão - Foto: divulgação

Casa ocupará mais de 2500 metros quadrados: para quem conhece e ainda não conhece o Japão – Foto: divulgação

 

Bairro Oriental – Durante a coletiva, o cônsul teve que responder várias vezes sobre a relação da casa com a comunidade nipo-brasileira. Indagado pelo Jornal Nippak se a Japan House “complementaria” as informações do Bairro Oriental, considerado hoje a principal referência para os brasileiros quando o assunto é Japão, Nakamae disse que “a fonte de origem será a mesma” mas a “abordagem” será diferente.

Segundo ele, há mais de um século a Liberdade vem sendo um importante espaço de propagação da cultura japonesa. Destacou, porém, que a a proposta da Japan House é mostrar as novas descobertas do Japão, isto é, a ideia é oferecer aos visitantes panorama de como o país é hoje. Em contrapartida, deixou claro que “o legado” da Liberdade não será esquecido e que eventualmente a Japan House deve buscar um diálogo com a Liberdade.

Uma das responsáveis pela estratégia de internacionalização da marca Havaianas, Angela Hirata disse que “a escolha de São Paulo para receber a construção reafirma a importância que o governo japonês atribui ao relacionamento com o Brasil”.

 

Fachada do Japan House - Foto: divulgação

Fachada do Japan House – Foto: divulgação

 

Construção – E o primeiro passo para mostrar “o verdadeiro Japão” será deixar o prédio que hoje abriga uma agência do Bradesco, “excitante” e “empolgante”.

Para tanto, o arquiteto Kuma promete imprimir sua marca com o uso de  materiais  naturais, como a madeira e o papel, para criar espaços de leveza e luminosidade. A madeira a ser utilizada é a hinoki. Considerada mais forte e resistente, o hinoki é a mesma madeira utilizada no Santuário de Ise, na província de Mie, e no Pavilhão Japonês, no Parque do Ibirapuera – cuja construção foi muito comentada por Kuma.

Segundo o arquiteto, foram feitos cálculos em simuladores e a maderia provou ser resistente até mesmo em terremotos. Será, o que Hara chamou, de “uma armação do inferno”.  A construção vai combinar traços japoneses com brasileiros. A casa ocupará mais de 2.500 metros quadrados de espaço útil, distribuídos em um piso térreo e mais três andares.

Não haverá paredes fixas separando os ambientes. Kuma optou por utilizar grandes portas deslizantes, chamadas de fusuma na arquitetura tradicional japonesa, que poderão delimitar ambientes, quando fechadas, ou criar espaços mais amplos, se mantidas abertas.

 

Leveza e luminosidade são marcas registradas nas obras de Kuma - Foto: divulgação

Leveza e luminosidade são marcas registradas nas obras de Kuma – Foto: divulgação

 

Os ambientes – O espaço abrigará um restaurante/cafeteria de gastronomia, biblioteca, ponto  de informações turísticas e uma loja de artesanato e manufaturas japonesas. O primeiro andar será ocupado por um amplo salão de seminários. O segundo andar, mais distante do ruído da rua, foi reservado para mostras e exposições. O piso terá uma cozinha, de modo a ser usada também, para recepções e eventos de gastronomia. Haverá ainda um terceiro andar que não fará parte do espaço público da casa e será, eventualmente, ocupado por outras entidades do governo japonês presentes em São Paulo.

A programação também promete chamar a atenção, com novidades constantes. O designer japonês e produtor executivo Kenya Hara dará as diretrizes gerais para as Japan House de todo o mundo, que serão desenvolvidas pelas equipes locais de cada casa. No Brasil, esse trabalho ficará por conta de Marcello Dantas, ex-diretor artístico do Museu da Língua Portuguesa.

Segundo ele, a casa abrirá seis dias por semana. O espaço abrigará atividades gratuitas – eventualmente haverá cobrança de ingresso – como exposições, palestras, seminários, eventos culturais e performances artísticas. A casa vai trazer ao Brasil personalidades japonesas de perfis variados — de artistas a cientistas, de esportistas a homens de negócios, de chefs de cozinha a líderes da sociedade civil —, para encontros, workshops e masterclasses.

 

Sala Multimidia da Japan House com biblioteca e vista para jardim - Foto: divulgação

Sala Multimidia da Japan House com biblioteca e vista para jardim – Foto: divulgação

 

Redescoberta – E Dantas está bastante empolgado com o projeto. A ideia, explica, é que a casa seja um “território de fertilidade”. A proposta, conta, é mesclar a “essência japonesa”, como a cerimônia do chá e o ikebana, com “algo que os próprios japoneses ainda não conheçam”.

Professor da Universidade de Artes de Musashino, Kenya Hara conta que “o Japão que os paulistanos enxergam e o Japão que os japoneses enxergam são diferentes”. “O Japão tem 1800 anos de história. Fazemos parte de uma geração que não entende bem o que é ser japonês, insensibilizados, talvez, para aquilo que somos. É momento de buscarmos novos caminhos, um novo senso estético e podemos utilizar isso como insumo para o futuro. Na prática é redescobrir o Japão, ou seja, ajudar a quebrar conceitos pré-concebidos que temos sobre o próprio país”, disse Hara.

 

Diversão – Para Kuma, cujo projeto para o Estádio Nacional do Japão foi o escolhido como palco central dos Jogos Olímpicos de 2020, combinar o papel washi com alta tecnologia é algo que não seria possível no Japão. “Trata-se de uma construção que só será viável por estar em São Paulo”, afirmou o arquiteto, que vê a casa muito além de um simples projeto arquitetônico. “A grande diversão será reunir pessoas de tantos segmentos diferentes”, explicou Kuma, que pretende visitar o Brasil regularmente para supervisionar as obras.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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