COMUNIDADE: Harumi Goya quer contar com a ajuda de voluntárias para tornar o atendimento ‘mais amigável’

A presença de jornalistas do Jornal Utiná Press – veículo de comunicação dirigido à comunidade okinawana residente no Brasil – na 148ª Reunião Ordinária do Conselho Deliberativo do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social – no último dia 25, era indício de que havia novidades no ar. Afinal, a entidade estava vivendo um momento histórico ao eleger, por aclamação – estiveram presentes 63 conselheiros, além de 15 por procuração –, a chapa da situação denominada “Integração e Progresso”, encabeçada por uma mulher – a primeira a tomar posse como presidente do Bunkyo em 60 anos de história. E também pelo fato de Harumi Goya ser a segunda presidente de origem okinawana – o primeiro foi justamente seu “mentor”, o professor Kokei Uehara que, aliás, estava presente à reunião.

 

Primeira mulher a comandar a entidade, Harumi Goya apresenta os novos diretores do Bunkyo (Foto: Aldo Shiguti)

Primeira mulher a comandar a entidade, Harumi Goya apresenta os novos diretores do Bunkyo (Foto: Aldo Shiguti)

 

Na ocasião, também foram empossados os dirigentes do novo Conselho Deliberativo, que mais uma vez terá à frente o jurista Kiyoshi Harada. Chamou a atenção o fato de, na reunião, tanto Harada como o 1º vice-presidente, Masato Ninomiya, e o 2º, Raul Raul Takaki (que na nova composição inverteram os papeis) estarem ausentes por motivos particulares. Coube a Lidia Shimizu e Oridio Shimizu, respectivamente, 3ª vice-presidente e 1º secretário do Conselho Deliberativo, comandarem os trabalhos da Mesa.

Em seu último discurso como presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita mais uma vez destacou a união do go-dantai – Bunkyo, Enkyo, Aliança Cultural Brasil-Japão, Kenren e Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil – e de mais 30 entidades parceiras que servem de “sustentáculo para a realização, no Bunkyo, de numerosas cerimônias de homenagem e boas-vindas a variadas personalidades”. Citou, como exemplo, a recepção à seleção japonesa que disputou a Copa do Mundo e a visita do primeiro-ministro Shinzo Abe.

 

Reunião do Conselho contou com a presença de 63 conselheiros (Foto: Aldo Shiguti)

Reunião do Conselho contou com a presença de 63 conselheiros (Foto: Aldo Shiguti)

 

Solidariedade – Segundo ele, ao longo desses seis anos no comando da entidade, teve oportunidade de vivenciar “vários momentos marcantes”, como a campanha de de arrecadação de recursos em prol das vítimas do terremoto seguido de tsunami que devastou a costa do Japão em março de 2011, deixando  mais de 15 mil mortos e um rastro de destruição.

Kita destacou também as obras de modernização do edifício Bunkyo e lembrou os esforços para transformar o Centro Esportivo Kokushikan Daigaku, localizado no município de São Roque (SP), em Centro Bunkyo de Cultura Nipo-Brasileira Kokushikan. Por sinal, um de seus últimos atos como presidente foi assinar um contrato de cessão de direito de uso em comodato com a Associação Cotia Seinen Kyoguikai, semelhamte ao contrato assinado com a Associação Mallet Golf Kokushikan.

Antes de desejar sucesso à nova diretoria, Kita relatou o andamento dos processos referentes ao IPTU, ao INSS, aos certificados de assistência social, de utilidade pública e certidão negativa da Previdência Social.

 

Kita: “Gostaria de ter feito mais” (Foto: Aldo Shiguti)

Kita: “Gostaria de ter feito mais” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Trajetória – Eram exatamente 10h40 quando a chapa “Integração e Progresso” foi proclamada votiriosa. Antes da apresentação de cada um dos membros de sua equipe, Harumi Arashiro Goya, de 62 anos, fez um breve relato de sua carreira e agradeceu o marido, que a apoiou em sua decisão, e o professor Kokei Uehara, que presidiu o Bunkyo entre 2003 e 2008.

Formada em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia de Barretos, Harumi foi aprovada em concurso público para a Secretaria Estadual da Fazenda como Agente Fiscal de Renda em 1986. Junto à Secretaria, em 1998, criou e implantou o Departamento de Tecnologia da Informação no governo Mário Covas (1995~2001). De 2002 a 2006 foi a primeira mulher a ocupar a presidência da ABJICA (Associação dos Ex-Bolsistas da JICA) e desde 2005 vem participando das atividades da Associação Okinawa Kenjin do Brasil como diretora.

Experiências que considera valiosas em sua nova empreitada. Nascida em Okinawa, no Japão, a nova presidente do Bunkyo lembrou que sua trajetória no Bunkyo teve início 2003 quando foi convidada a participar da diretoria do Bunkyo pelo professor Kokei Uehara como 2ª tesoureira, cargo que ocupou por seis anos. Depois, já na gestão de Kihatiro Kita, foi 4ª vice-presidente e, finalmente, a 1ª vice-presidente.

 

Harumi Goya: “Por um Bunkyo mais charmoso” (Foto: Aldo Shiguti)

Harumi Goya: “Por um Bunkyo mais charmoso” (Foto: Aldo Shiguti)

 

Mais charme – Em entrevista ao Jornal Nippak, logo após a posse, Harumi Goya disse que pretende implantar um projeto de modernização na entidade. O projeto, que já foi apresentado pelos jovens, consiste em profisisonalizar a parte administrativa, além de estimular a participação de voluntárias na entidade que, segundo Harumi, “são poucas aproveitadas”.

“O professor Kokei Uehara sempre citava o exemplo da Sociedade Beneficente de Senhoras, que fundou o Hospital Sírio-Libanês. A ideia é fazer um rodízio no atendimento dos associados, tornando esse relacionamento mais amigável e mais próximo dos associados”, explicou Harumi, que na segunda-feira visitou a redação do Jornal Nippak já na condição de presidente do Bunkyo acompanhada do agora ex-presidente Kihatiro Kita, que passa a ser presidente honorário da entidade.

Para Harumi, outro aspecto que deve receber uma atenção especial em sua gestão é a parte de comunicação e informatização, incluindo as redes sociais. Outras mudanças também deverão ser notadas pelos frequentadores. Segundo ela, as obras de modernização promovidas na gestão de seu antecessor vieram em boa hora, mas nas reformas um detalhe ficou esquecido: os banheiros femininos e a cozinha. De acordo com a presidente, o prédio, em si, é “masculino”. Afinal, foram 60 anos sob o comando de homens. Por isso, também está em seus planos aumentar o número de vagas nos banheiros femininos para evitar as longas filas que se formam por ocasiões de eventos.

“Vamos mudar a cara do Bunkyo, deixando a entidade menos sisuda e mais charmosa. Vamos deixar o Bunkyo diferente e para isso vamos contar com a força das mulheres”, conta Harumi, acrescentando que a proposta, no entanto, é “trabalhar com os pés no chão”.

“Vamos avaliar para saber qual a real situação do Bunkyo e o que temos que fazer para buscar recursos”, explicou.

 

Kokei Uehara, Harumi Goya, Kihatiro Kita e Eiki Shimabukuro (Foto: Aldo Shiguti)

Kokei Uehara, Harumi Goya, Kihatiro Kita e Eiki Shimabukuro (Foto: Aldo Shiguti)

 

Sem sustos – Pelo menos ela já sabe que a situação não é muito animadora. “Gostaria de ter diexado o Bunkyo em melhores condições financeiras”, disse Kita, para depois afirmar: “Quem vai administrar o Bunkyo não pode ter somente esse pensamento pois sempre vai esbarrar na questão financeira. O ideial seria tornar o Bunkyo auto-sustentável”, destacou o ex-presidente, acrescentando que entrega o Bunkyo “praticamente nas mesmas condições que peguei”.

“Temos uma reserva de mais ou menos R$ 480 mil. O problema será o final do ano”, disse Kita, afirmando que também está deixando cerca de R$ 50 mil – dinheiro arrecadado no Jantar Comemorativo e lançamento do livro – para serem usados nas comemorações dos 60 anos da entidade.

“Isso não me assusta. Nada que me faça perder o sono”, garantiu Harumi após ouvir atentamente as palavras de seu antecessor.

(Aldo Shiguti)

 


 

 

Leia a íntegra da mensagem do presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, Kiyoshi Harada

 

Prezadíssimos

 

Senhores Conselheiros:

 

  1. Quero apresentar as minhas sinceras desculpas pela ausência nesta importante reunião do Conselho pelas razões adiante mencionadas. No ano passado assumi o compromisso com a Universidade da comunidade da região de Chapecó (SC), de ajudar na  implantação do curso de pós-graduação em Direito Tributário e ministrar algumas aulas sobre temas mais importantes do Direito Tributário. Infelizmente, pelo calendário do curso aprovado pela direção da Universidade, as minhas aulas foram marcadas para a partir do dia 24 de abril, encerrando-se no final de maio de 2015.
  2. Coincidentemente, o primeiro vice-presidente, o professor Masato Ninomiya e o segundo vice-presidente, o dr. Raul Takaki estão no Japão tratando de assuntos profissionais. Pode até parecer um descaso da Diretoria do Conselho, mas, trata-se de uma infeliz coincidência. Todos os diretores do Conselho têm o maior respeito e consideração pelos senhores conselheiros que têm dado grande contribuição para o Bunkyo. Renovo as minhas desculpas por esse episódio.
  3. Notamos que os associados do Bunkyo estão cada vez mais distanciados das atividades da entidade, como revelam o baixíssimo índice de participação de apenas 412 votantes de um total de mais de 1.400 associados em condições de votar. Desses 412 votantes, 389 votaram pelo correio e apenas 23 compareceram à urnas. Isso revela uma participação de menos de um terço dos associados ativos. E mais, do total de 2.229 associados, 837 tornaram-se inadimplentes, isto é, perderam interesse pelo Bunkyo, o que representa uma perda de 37,55% do quadro social.
  4.  abe a este Conselho reconquistar a confiança e o interesse dos associados, funcionando como uma caixa de ressonância da vontade soberana dos associados. O Conselho é o segundo órgão na ordem hierárquica desta instituição pairando acima dele apenas a Assembleia Geral, que delegou as principais atribuições que lhe são próprias para o Conselho Deliberativo. Deve o conselho exercer em sua plenitude as atribuições do estatuto.
  5. Ao Conselho Deliberativo cabe a relevante função de definir a diretrizes para a elaboração do plano de atividades pela diretoria executiva do Bunkyo e avaliar o seu desempenho mediante tomada de contas. Outrossim, cabe à diretoria do Conselho, de comum acordo com a Diretoria Executiva, preencher os cargos de nomeação dentre os quais os de representantes das regionais, de membros do conselho superior e de diretores sem pasta.
  6. Para o Conselho atuar com eficiência e deliberar sobre o plano de atividade e o plano orçamentário apresentados pela Diretoria Executiva, algumas modificações estatutárias precisam ser promovidas e com urgência, para adequar à realidade de hoje, sob pena de o Bunkyo se deparar com problemas de difícil solução a médio e longo prazos.
  7. Temos um grande trabalho pela frente nestes dois anos de mandato. Precisamos do empenho e colaboração de todos os conselheiros e dos suplentes que vierem a assumir o cargo de conselheiro.
  8. Neste Colegiado não há oposicionistas, nem situacionistas, mas simplesmente conselheiros com direitos e prerrogativas iguais. É preciso criar com urgência um “núcleo de inteligência” no âmbito deste conselho unindo a experiência e a prudência dos mais antigos e os conhecimentos tecnológicos e o entusiasmo dos mais jovens.

 

Saudações respeitosas

 

Kiyoshi Harada

Presidente do Conselho Deliberativo

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