COMUNIDADE: I Encontro de Gerações da Familia Sato de Junqueirópolis, interior de SP

 

 

 

Realizado no dia 06 de janeiro de 2013, no Kaikan de Nazaré em Atibaia-SP, um encontro emocionante e motivo de muito orgulho aos patriarcas da família Sato. Muito bem organizado, em que cada geração usou uma cor de camiseta, facilitando assim a identificação de muitos que há muito tempo não se encontravam. Alguns vieram do Japão para este evento! Fotos e uma história de como tudo começou foi posto em um mural para que todos pudessem entender mais sobre como os antepassados que chegaram ao Brasil. Em um ato que pode representar a história de muitas famílias nikkei no Brasil, cuja imigração comemora 105 anos este ano.

 

Árvore Geneaologica da Família Sato (foto: arquivo pessoal / Família Sato)

 

 

 

A Saga da Família Sato

 

01. CIDADE DE ORIGEM

ADAJI-GUN, na Província de FUKUSHIMA-KEN; na pequena cidade de Adaji-Gun, a família vivia precariamente dos serviços de carroceiro exercidos pelo Hi-Ditiam ZENTARO e pelo Ditiam ZENDI, lembrando de que não havia animais para puxar a carroça, ou seja, eram os próprios que faziam essa função. Naquela época o JAPÃO passava por uma grande crise econômica, havendo escassez de comida e trabalho. A Batiam KEYO trabalhou muitos anos em casa de família, quase como escrava e só saiu para se casar com o Ditiam lá pelos anos de 1920. Em 1934, já com 6 filhos e diante das dificuldades por que passavam, surgiu a oportunidade de mudarem a situação vindo para o BRASIL; o governo japonês sem recursos, incentivava a imigração para amenizar a situação dos mais pobres.

 

02. A VIAGEM

Em 1934, a FAMÍLIA SATO partiu do JAPÃO, pelo Porto de Kobe levando muita esperança e coragem para enfrentar o desconhecido do outro lado do mundo. Vieram para o BRASIL o Hi-Ditiam ZENTARO com 62 anos, o Ditiam ZENDI com 35 anos, a Batiam KEYO com 34 anos e os filhos ZENITI com 13, HATSUE com 10, SETSUKO, com 8, JISSAKU com 6, MISSAKO com 4 e ZENKI com apenas 2 anos de idade. Foram longos 58 dias de viagem a bordo do ARIZONA-MARU até atracarem no Porto de Santos; nessa viagem o Tio Zenki adoeceu e por falta de condições e médico ele quase não resistiu, no que seria jogado ao mar caso não sobrevivesse. Mas graças a Deus e de sua teimosia característica, não seria uma simples doença que iria abreviar sua vida.

 

03. “BURAJIRU”

Após desembarcarem no BRASIL, foram encaminhados para a região de Mogiana, município de Uberaba-MG, e lá trabalharam em lavoura de café por aproximadamente 2 anos. O trabalho e os primeiros contatos com a cultura brasileira foram terríveis, sendo que as condições de sobrevivência se assemelhavam às dos antigos escravos negros. Aí nasceu a 7ª filha: YOSHIKO em 1935. Em 1937 transferiram-se para a Fazenda ÁGUA DE GARRAFA, no município de PARAGUAÇÚ PAULISTA-SP, onde também lidaram com a cafeicultura. Em 1939 foram para o bairro de CAETANO, no mesmo município, onde cultivaram algodão e amendoim, já no regime de porcentagem, isto é, deixaram de ser empregados e dependiam de boas colheitas para terem uma boa renda. Nessa região a família prosperou e cresceu com a chegada de mais 4 filhos: YAEKO(1938), KUNIKO(1940), YOSHIO(1943) e TAKEO(1945). Mas também tiveram uma grande tristeza com a morte do Hi-Ditiam ZENTARO em 1945, aos 73 anos aproximadamente. Ele foi enterrado em Sapezal (Paraguaçú) e depois transferido para o cemitério de Junqueirópolis. Finalmente em 1949, a família realizou o grande sonho de se tornar proprietária de terras, adquirindo a FAZENDA SÃO CAETANO com 80 alqueires em JUNQUEIRÓPOLIS-SP, onde cultivaram amendoim, algodão e também se iniciaram na pecuária. Foi nessa fazenda que o Ditiam faleceu em 1950 aos 51 anos.

O trabalho e a prosperidade continuaram e em 1954 compraram o primeiro sítio que compunha a FAZENDA OURO VERDE, com 120 alqueires também em Junqueirópolis. Aqui também cultivaram amendoim, algodão, melancia, café e criaram gado. Em 1961 compraram a CHÁCARA SANTO ANTONIO com 19 alqueires a 1,5 km da cidade, que se tornou a sede da família desde então. Na Chácara havia café, granja para frango ou galinha, bicho-da-seda, etc. Foi na Chácara que a BÁ passou mais de 30 anos de sua vida sempre rodeada de muitos netos e pode compensar boa parte de seu sofrimento do passado. A Batiam viria a falecer na Chácara em 1995 aos 95 anos de idade.

 

04. CORAGEM E RESPONSABILIDADE

A FAMÍLIA SATO, como várias outras famílias japonesas que vieram ao Brasil em busca de melhores condições de vida e acumular riqueza para voltar ao Japão, passou por muitas dificuldades inimagináveis nos dias de hoje. Imaginem algo assim: terra estranha com gente esquisita, mas que na verdade você é o esquisito, com língua e costumes totalmente diferentes; e mais: você é posto para morar no meio do mato e a trabalhar numa cultura desconhecida e tratado como animal; é mais ou menos isso… Como se não bastasse tudo isso, o Hi-Ditiam já estava velho (naquela época viver mais do que 60 anos era um privilégio) e o Ditiam nunca foi um bom “gerente” familiar ou para os negócios, tinha lá suas fraquezas. Então sobrou para a Batiam e para os filhos mais velhos, e o ZENITI com muita CORAGEM e SERENIDADE assumiu o leme do navio e o conduziu, com ajuda dos irmãos, para águas seguras e calmas. Isso aos 18 anos de idade.

 

05. A FORTALEZA

Essa palavra resume bem o que era a BÁ: uma verdadeira FORTALEZA, construída de ternura, amor, e resignação. Foi alguém que viveu para os outros; desde pequena já a serviço de outros, depois vivendo para o marido, depois para os filhos e finalmente para os netos. Sofreu muito, tanto que pessoas fracas não suportariam um décimo de seu sofrimento, mas na sua grandeza interior e resignação ainda viveu o bastante para gozar a felicidade por longos anos. Parecia encontrar a felicidade em pequenas coisas, em pequenos gestos; era feliz vendo os filhos, netos e bisnetos sorrindo. Cuidava com muito carinho e prazer de sua horta, de suas flores, recebia mimos dos netos. Era atenciosa e muito carinhosa. Já com idade avançada, dizia querer um dia dormir e não mais acordar pois já estava satisfeita e havia cumprido sua missão. Realmente era um espírito abençoado e muito superior que veio dar origem a essa família no Brasil colocando no seu seio muita coragem, força e alegria. Antes de partir, quase todos os seus filhos e netos a visitaram para dar o último adeus antes de seu corpo, já franzino e fraco, perecer, deixando-nos muitas saudades e uma verdadeira LIÇÃO DE VIDA.

 

06. UNIÃO, HARMONIA E SONHOS

A Família também contou com um comandante. A filosofia de vida do ANTIAM ZENITI era simples para ele e complexa para os outros; para ele a felicidade só seria verdadeira e completa se TODOS da família estivessem bem. Desde que assumiu a frente da família, TODOS da família eram iguais, como verdadeiro PAI DE TODOS, tratava igual irmãos, filhos, sobrinhos, cunhados, e todos aqueles que ajudaram a família ou era fiel a ela. Tinha um grande sonho: formar um irmão na medicina. E conseguiu! Dava muita importância aos estudos e formou todos os sete filhos. A UNIÃO E HARMONIA da família também faziam parte de sua filosofia, muito fez e lutou para que não houvesse atritos e desavenças entre os irmãos; hoje vemos isso entre os irmãos e outras gerações dentro da família mantendo essa filosofia, e esse ENCONTRO DE FAMÍLIA também era um sonho SEU, que estamos realizando em SEU nome, da BÁ, e de todos aqueles que fizeram ou fazem parte dessa GRANDE FAMÍLIA SATO.

 

*agradecimento especial a todos que colaboraram para que este evento se realizasse ciente de que a sua EXISTÊNCIA e PRESENÇA foi a principal colaboração.

 

 

 

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3 Comments

  1. Dá para escrever um livro, aliás muitas famílias japonesas possuem uma história semelhante, de muito trabalho e muita luta.
    Muito bonita e admirável a luta destas pessoas,graças ao esforço de todos os membros, hoje formam um grupo empresarial de muito sucesso.

    Parabéns a todos os familiares Sato

  2. Sou da família SATO, infelizmente não tive o prazer de conhecer a Família do meu Pai. Pouco sei de sua família,não sei bem qual o motivo do afastamento do meu pai com a família. morávamos em minas gerais. há 20 anos atrás obtemos algumas imformacões , mas sua procura foi em vão.
    Meu nome é Sandra.
    Meu Pai fez parte desses imigrantes que vieram em 1934.

    Seu nome é SHOICHI SATO
    Pai AKIRA SATO
    Mãe AKI SATO
    Irmãos:CHIYO, NOBUMASA, KIMIKO, NOBUAKI e uma irmã nascido no Brasil que se chama ROSA.veio junto para o Brasil um Tio chamado SUEO.
    Infelizmente meu Pai faleceu em 2007 sem rever seus Familiares. Deixo meu email pra qualquer notícia.Obrigado
    airmasato@hotmail.com

  3. Sou da família sato, meu avo se chamava kyushiro sato não tenho referencia sobre a origem dele se alguém souber por gentileza entre em contato.

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