COMUNIDADE: Lançamento de ‘Intercâmbio Cultural Brasil-Japão’ coloca ‘pé direito’ do Bunkyo fora da comunidade

Uma cerimônia singela, porém, revestida de grande importância não só para a comunidade nikkei, mas também para a sociedade brasileira, marcou o lançamento do livro “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão”. Cerca de 200 pessoas prestigiaram o evento realizado no último dia 17, no Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil (no Edifício Bunkyo), no bairro da Liberdade, em São Paulo.

 

O presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio, recebe exemplar de Kiyoshi Harada. Foto: Aldo Shiguti

O presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Nishio, recebe exemplar de Kiyoshi Harada. Foto: Aldo Shiguti

 

Estiveram presentes o cônsul geral do Japão em São Paulo, Takahiro Nakamae; a presidente do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Harumi Arashiro Goya; o deputado federal Walter Ihoshi (PSD); o vereador Aurélio Nomura (PSDB); o presidente da Fundação Kunito Miyasaka, Roberto Yoshihiro Nishio; o ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Massami Uyeda; o vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Elias Miguel Haddad e muitos dos 57 colaboradores, entre eles Willian Takahiro Higuchi, Luiz Kobayashi, Akira Saito e Nelson Fukai, além do artista plástico Dan Mabe (autor da capa interna), e seu pai, Ken Mabe.

Obra coletiva coordenada pelo jurista e presidente do Conselho Deliberativo do Bunkyo, Kiyoshi Harada, “Intercâmbio Cultural Brasil-Japão” busca “dar cumprimento integral a um dos objetivos institucionais do Bunkyo, que é o de promover o “intercâmbio social e cultural entre os dois Países, visando o fortalecimento dos laços de amizade entre eles”.

 

O coordenador da obra, Kiyoshi Harada: “Inteligência nacional” Foto: Aldo Shiguti

O coordenador da obra, Kiyoshi Harada: “Inteligência nacional” Foto: Aldo Shiguti

 

Ou, em outras palavras, como explicou o próprio Harada em entrevista ao Jornal Nippak: “A finalidade do livro é colocar o pé direito do Bunkyo fora da comunidade”. Segundo ele, não é algo que vai acontecer de um dia para o outro. “Trata-se de uma contribuição a médio e longo prazo. Conversando com várias dos autores, chegamos a conclusão  que a finalidade não é somente a de fazer cumprir a função institucional do Bunkyo”, explicou Harada. “É também levar ao conhecimento das altas autoridades do país o cabedal de conhecimento que o Bunkyo pode liderar, agrupando nikkeis e não nikkeis, agrupando a elite pensante da sociedade paulistana e contribuindo assim para o fortalecimento daquilo que nós chamamos de inteligência nacional”, disse o jurista, acrescentando que “isso não tem preço”.

 

Harumi Goya entrega livro para o cônsul Takahiro Nakamae. Foto: Aldo Shiguti

Harumi Goya entrega livro para o cônsul Takahiro Nakamae. Foto: Aldo Shiguti

 

Prever para prover – Para ele, “pessoas criativas são imprescindíveis para o crescimento de qualquer país”. “Se você não tiver um grupo de pessoas formando a inteligência nacional, o país morre ou então acaba na estagnação. Precisamos de pessoas que tenham uma visão global e que tenham uma visão para prever o que está para acontecer e não para remediá-las depois que elas acontecem”, destacou Harada, afirmando que “senti que podemos contar com pessoas capazes de fazer este trabalho, isto é, de prever para prover”.

“É questão de alguém liderar”, afirmou Harada, que prevê fim da linha para o Bunkyo caso a entidade fique restrito à comunidade. “Se temos, dentro da comunidade nikkei, pessoas que fazem parte do Poder Judiciário, do Poder Executivo e do Poder Legislativo, por que então ficar restrito à comunidade? Ou alguém imagina que um vereador ou um deputado é eleito só para defender os interesses de uma comunidade? Ele defende, acima de tudo, o interesse nacional, e manter boas relações com o Japão é prioridade em termos de interesse nacional porque o Brasil está crescendo e o Japão é a terceira maior economia mundial”, conta Harada, que admitiu ter ficado com a sensação de “dever cumprido”.

 

Lançamento de ‘Intercâmbio Cultural Brasil-Japão’ coloca ‘pé direito’ do Bunkyo fora da comunidade nikkei. Foto: Aldo Shiguti

Lançamento de ‘Intercâmbio Cultural Brasil-Japão’ coloca ‘pé direito’ do Bunkyo fora da comunidade nikkei. Foto: Aldo Shiguti

 

Primeira grandeza – “E também de muita alegria porque a obra superou todas as minhas expectativas. Num rápido balanço dos 32 capítulos, o resultado final ficou bem acima da média”, diz Harada, explicando que, “quando se reúne 57 autores, você sempre corre o risco de ter um ou outro texto não muito bom”. “Mas admito que fiquei surpreso. Li página por página das 756 do livro e, no meu conceito, ficou bem acima da média. Sem contar os textos de primeira grandeza, como no capítulo de Esportes, notadamente nas artes marciais”, destacou Harada.

 

Para vereador Aurélio Nomura, obra é “espécie de tratado”. Foto: Aldo Shiguti

Para vereador Aurélio Nomura, obra é “espécie de tratado”. Foto: Aldo Shiguti

 

Importância – Para o vereador Aurélio Nomura, líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo e que colaborou com o artigo sobre “Preservação do meio ambiente no Brasil”, a obra é de “extrema importância no momento em que ocorre um destravamento na relação entre os dois países com a presença do presidente Michel Temer no Japão depois de 11 anos”. “Na realidade, o livro acaba sendo uma espécie de tratado para que os brasileiros possam entender o Japão e para que os japoneses possam entender Brasil. E essa reciprocidade ainda vai frutificar muito. A gente vê, por exemplo, a Japan House, que será inaugurada em março de 2017 na Avenida Paulista. No mundo, além de São Paulo, somente Los Angeles e Londres abrigarão um projeto semelhante. Ao lado da Japan House, o lançamento deste livro tem um papel importantíssimo principalmente no momento em que acontecem mudanças na geopolítica mundial. Os países passarão a priorizar as relações bilateriais em detrimento dos blocos. Então, vejo um lançamento como esse vem em boa hora especialmente em função da ação que a gente tem visto, não só dos autores nikkeis mas, sobretudo, dos autores não nikkeis, o que mostra, efetivamente, a irradiação da cultura japonesa”, explicou Nomura, afirmando que ficou “particularmente surpreso” com a contribuição do conselheiro do Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCMSP), Edson Simões, que confrontou o Cinema no Brasil e no Japão.

“Isso mostra o quanto é importante a leitura desta obra, que considero mais um manual, para que nós brasileiros possamos entender os japoneses. Sem dúvida esse livro irá nos orientar e dar uma base para que possamos estreitar nossas relações”, destacou o vereador.

 

Ihoshi: “Livro celebra nova etapa entre dois países vencedores”. Foto: Aldo Shiguti

Ihoshi: “Livro celebra nova etapa entre dois países vencedores”. Foto: Aldo Shiguti

 

Novo momento – Para o deputado federal Walter Ihoshi, a obra “sedimenta e registra todo histórico dos autores que ajudaram a escrevê-la”. “O livro apresenta uma nova etapa nas relações entre os dois países no âmbito moderno da globalização e das culturas que estão se misturando. Os japoneses, quando vieram para o Brasil, trouxeram a cultura de sua terra natal e que hoje está sendo preservada pela sexta geração. Agora, estamos assistindo ao surgimento de novos nikkeis, que são aqueles não descendentes de japoneses que admiram a cultura japonesa. Da mesma forma, no Japão encontramos 170 mil brasileiros que lá vivem, lutam e trabalham e que acabam divulgando o estilo e, porque não dizer, a alegria dos brasileiros”, conta Ihoshi, que contribuiu com o capítulo sobre o “Grupo Parlamentar Brasil-Japão: uma sólida ponte entre duas nações”.

Segundo o parlamentar, a recente visita de Temer ao Japão “reinaugura” um novo momento nas relações entre os dois países. Também a inauguração da Japan House, uma iniciativa global do governo japonês que pretende trazer a São Paulo um novo olhar sobre o Japão contemporâneo, mostra o quanto o Brasil é importante para o Japão e como o Japão é importante para o Brasil”. “E o lançamento deste livro vem justamente celebrar a parceria de dois países vencedores” destacou Ihoshi, lembrando que em 2008, como membro do Grupo Parlamentar Brasil-Japão, participou ativamente das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.

 

Cônsul Takahiro Nakamae: “Fazer um livro como esse não é fácil”. Foto: Aldo Shiguti

Cônsul Takahiro Nakamae: “Fazer um livro como esse não é fácil”. Foto: Aldo Shiguti

 

Obra única – Ao Jornal Nippak, o cônsul Takahiro Nakamae demonstrou “profundo respeito ao coordenador e aos autores da obra”. “Fazer um livro como esse requer muito trabalho pois não é fácil registrar os acontecimentos e pensamentos. E acredito que nenhum outro país poderia escrever uma obra tão completa como essa, pois Brasil e Japão viveram dois anos muito intensos. No ano passado, comemoramos os 120 Anos das Relações Diplomáticas entre os dois países e o Centenário da Instalação do Consulado em São Paulo. Este ano tivemos a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos no Brasil, ou seja, foram dois anos muito importantes de intercâmbio cultural, que é justamente o tema deste livro”, definiu o cônsul.

 

Harada com o artista Dan Mabe e Ken Mabe. Foto: Aldo Shiguti

Harada com o artista Dan Mabe e Ken Mabe. Foto: Aldo Shiguti

 

Como comprar – A obra, que teve o patrocínio da Fundação Kunito Miyasaka foi editada no formato de 21cm x 31cm contendo 756 páginas inteiramente coloridas, com fotos ilustrativas. A capa é da artista plástica Sachie Sonoki e a capa interna do artista Dan Mabe traduzida em versos pelo príncipe dos poetas brasileiros, Paulo Bomfim , e pelo haicaista japonês, Teruo Hama.

Os interessados em adquirir o livro, ao preço de R$ 120,00, devem entrar em contato com o Bunkyo pelo telefone: 11/3208-1755.

 

ALDO SHIGUTI

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Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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