COMUNIDADE: Lideranças e políticos destacam atuação do cônsul Fukushima

Noriteru Fukushima (Foto: Jiro Mochizuki)

Noriteru Fukushima (Foto: Jiro Mochizuki)

 

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima, desembarcou em território em setembro de 2012 com uma missão extra: suceder o carismático e saudoso cônsul Kazuaki Obe e sua esposa, Eiko. Praticamente três anos depois, Fukushima conquistou não só a admiração como também o respeito da comunidade nipo-brasileira. Por isso, é natural que, a cerimônia de despedida que acontece hoje (23), no Salão Nobre do Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social) seja tão concorrida como foi sua recepção, no dia 24 de setembro de 2012.

 

 

 

 

 

 

Na ocasião, Fukushima disse que pretendia se empenhar de “corpo e alma” para estreitar ainda mais as relações entre as duas nações. E tem motivos de sobras para comemorar. Durante sua estadia, recepcionou o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e a seleção japonesa que disputou a Copa do Mundo no Brasil.

Além de visitar mais uma centena de cidades que fazem parte da jusrisdição do Consulado Geral do Japão em São Paulo – que abrange também os Estado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul –  Fukushima também se empenhou para a retomada da bolsa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão para Líderes Nikkeis da América Latina – que recentemente celebrou seu cinquentenário – e para os festejos dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, além de participar do projeto Japan House.

 

Cônsul conseguiu imprimir sua marca e conquistou a comunidade (Foto: Jiro Mochizuki)

Cônsul conseguiu imprimir sua marca e conquistou a comunidade (Foto: Jiro Mochizuki)

 

Seu esforço em trazer o Tachineputa, o carro alegórico que abrilhantou o desfile da Águia de Ouro – que este ano homenageou os 120 anos de diplomacia entre os dois países com o enredo “Brasil e Japão – 120 Anos de União” – só não foi maior que sua performance no Anhembi ao lado do ex-craque Zico, nomeado Embaixador dos 120 Anos.

“Sua atuação foi digna de nota 10”, avaliou Victor Kobayashi, presidente do Conselho do Instituto Paulo Kobayashi (IPK), parceira da Águia de Ouro e que intermediou a vinda do Tachineputa ao Brasil.

“Considero que o desfile da Águia de Ouro foi a maior homenagem brasileira para os 120 Anos porque, além de divulgar a cultura brasileira para todos os veículos de mídia do Japão, levou para mais de cinco mil famílias que frequentam a comunidade do samba na Águia de Ouro, o orgulho de fazer parte dessa homenagem”, disse Kobayashi. “E também conseguimos envolver toda a comunidade nipo-brasileira para participar dessa homenagem”, afirmou. “Posso dizer que Noriteru Fukushima deixará muita saudade, pois além de carismático, mantém um excelente relacionamento com lideranças japonesas que pode agregar e abrilhantar o intercâmbio entre os dois países”, destacou Victor Kobayashi.

 

Victor Kobayashi, Noriteru Fukushima, Walter Ihoshi e Zico (Foto: Aldo Shiguti)

Victor Kobayashi, Noriteru Fukushima, Walter Ihoshi e Zico (Foto: Aldo Shiguti)

 

Figura marcante – Saudade também foi a palavra encontrada pelo vereador Aurélio Nomura (PSDB) para definir o sentimento da comunidade em relação ao cônsul Noriteru Fukushima. “Ele esteve muito presente na comunidade nipo-brasileira e foi um dos cônsules que mais conheceu sua jurisdição, além de ter participado de um grande número de eventos da comunidade nikkei”, disse o vereador.

 

Fukushima com Aurélio Nomura (Foto: divulgação)

Fukushima com Aurélio Nomura (Foto: divulgação)

 

“Ele sempre buscava informações e detalhes com o objetivo de conhecer melhor a história da imigração japonesa no Brasil numa tentativa de não só fazer um resgate como também buscar quem foi e o que pretendia ser aqueles imigrantes”, avalia Nomura, acrescentando que Fukushima foi uma “figura marcante”.

“Ele vai fazer muita falta e que o seu sucessor esteja a sua altura, assim como ele esteve ao substituir o saudoso cônsul Kazuaki Obe”, disse o vereador, que desejou “boa sorte e sucesso em sua nova empreitada”. “Temos informações que ele assumirá como Embaixador na Argentina e certamente muitos brasileiros irão até lá para matar a saudade”.

 

Companheirismo – Já o deputado estadual Hélio Nishimoto (PSDB), que teve oportunidade de acompanhá-lo em uma visita a São José dos Campos e outras cidades da Região Metropolitana do Vale do Paraíba no segundo semestre de 2013, destaca “a disposição e o trabalho do cônsul Noriteru Fukushima nesses dois anos e meio a frente do Consulado Geral do Japão em São Paulo, na articulação política de proximidade com a comunidade nipo-brasileira e na integração entre o Brasil e o Japão”.

 

Com Nishimoto em São José (Foto: divulgação)

Com Nishimoto em São José (Foto: divulgação)

 

“Desde aquela visita, ampliamos a nossa atuação nas áreas, em especial da assistência social, da cultura e dos esportes. Tenho certeza que ele fará um grande trabalho a frente da Embaixada do Japão na Argentina”, disse Hélio Nishimoto.

Para o presidente do Bunkyo, Kihatiro Kita, “é um momento para retribuir toda a atenção dispensada pelo cônsul geral Fukushima a cada um de nós”. “Em nossa convivência, o cônsul geral Fukushima sempre se pautou por seu inabalável companheirismo e por seus sábios conselhos. Somos profundamente gratos a ele por ter compartilhado de nossas angústias e incertezas e, muito mais, nos indicado caminhos quando nos faltava clareza sobre a direção a seguir”, disse Kita, destacando que a hospitalidade também foi um ponto de destaque em seu trabalho.

“Não só diversos setores da comunidade nipo-brasileira tiveram o privilégio de frequentar a residência oficial, como também os de nossa sociedade. Foram ocasiões valiosas para trocas de informações e aproximação com os representantes do governo japonês, como também entre os próprios integrantes de nossa comunidade”, explicou Kita, afirmando que “nossa vontade era de que sua permanência se prolongasse por mais alguns anos”. “Mas ficamos felizes ao saber que sua transferência se dá por motivos de promoção e que, brevemente, deverá assumir o cargo de embaixador na Argentina”, observou.

 

O cônsul Fukushima com Kihatiro Kita e o presidente do Kenren (Foto: divulgação)

O cônsul Fukushima com Kihatiro Kita e o presidente do Kenren (Foto: divulgação)

 

 

Português – Para o deputado Walter Ihoshi (PSD-SP), o entrosamento do cônsul Noriteru Fukushima com a comunidade nipo-brasileira não passará despercebida. “O cônsul Fukushima chegou falando espanhol e sairá falando a nossa língua portuguesa”, constatou o deputado, que destacou também o papel de líder exercido por Fukushima na integração entre o Brasil e o Japão. “Especialmente neste ano em que comemoramos os 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão ele se dedicou muito juntamente com sua equipe e é uma pena que ele parta às vésperas de presenciar o resultado de toda sua dedicação”. “Sabemos que ele está atendendo ao chamado do governo japonês e que receberá novas missões, mas não podemos deixar de mencionar que ele incorporou o jeito brasileiro”, disse Ihoshi, lembrando que “o cônsul Fukushima foi um dos grandes apoiadores da participação da comunidade nipo-brasileira no desfile da Águia de Ouro e também apoiou, através do IPK, a vinda do Tachineputa”. “Desejo muito sucesso em seu novo desafio profissional como Embaixador do Japão na Argentina”, destacou Walter Ihoshi.

 

Raio-x – Nascido no México, Noriteru Fukushima foi aprovado no Exame Superior do Serviço Diplomático em 1980 e, após graduar-se em Direito pela Universidade de Kyoto, em 1981, ingressou no Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.

Atuou na Missão Representativa do Japão para as Nações Unidas, em Nova Iorque, como primeiro secretário (1993), e na Embaixada do Japão na Argentina, como primeiro secretário (1996) e conselheiro (1998). Em 1998, foi diretor da Divisão de Prevenção do Terrorismo da Divisão de Proteção dos Japoneses no Exterior do Departamento de Assuntos Consulares e de Migração e, em 2000, diretor da Primeira Divisão da América Latina e Caribe. Atuou também na Embaixada do Japão no México, como conselheiro (2003) e ministro (2005), e foi ministro na Embaixada da Itália (2006). Em 2008, tornou-se diretor-geral adjunto da Assessoria do Ministro e da Europa.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

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