COMUNIDADE: Mãe de estudante preso afirma que filho é inocente; advogado acredita que nikkei será solto

 

O Tribunal de Justiça de São Paulo rejeitou pela segunda vez o pedido de liberdade do aluno e funcionário da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki Harano, 27 anos, preso no dia 23 de junho após uma manifestação contra os gastos na Copa do Mundo. Na decisão, apresentada nesta terça (22), o TJ também decretou segredo de justiça no processo, e, por essa razão, não divulgou o teor da decisão, nem se a medida foi requerida por alguma das partes ou se foi de ofício.

 

Tribunal de Justiça rejeitou pedido de liberdade nesta terça-feira (foto: divulgação)

 

Suspeito de portar material explosivo, Harano foi indiciado por associação para o crime e se encontra na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba. Além dele, também foi preso na mesma manifestação o administrador de empresas Rafael Lusvarghi, 29 anos. A informação é do site Terra. Na segunda-feira (21), a Justiça abriu ação penal contra Hideki e Lusvarghi, acolhendo quatro denúncias do Ministério Público contra eles por associação criminosa, incitação ao crime, porte de explosivo e desobediência.

 

Inocente – Em entrevista ao Jornal Nippak na manhã desta quarta-feira (23), dia que completou um mês de sua prisão, a mãe do estudante, Helena Miyuki Harano, disse que o filho é inocente. “Ele está sendo bode expiatório. Nós da família acreditamos totalmente em sua inocência, assim como todas as pessoas que o conhecem desses anos de manifestações. Pessoas que convivem com o Fábio sabem que ele participa sempre pacificamente das manifestações”, afirmou a mãe, que visita o filho no presídio de Tremembé todos os sábados. “Por enquanto não podemos fazer nada”, lamenta.

Segura, Helena faz questão de reforçar sempre as palavras “inocente” e “pacificamente” – para que não paire nenhum tipo de dúvida. “O Fábio não é líder de nenhum movimento, participa, sim, de vários movimentos sociais”, explica a mãe, assegurando que “manifestar não é crime”.

 

Vania e Roseli, do movimento Liberdade para Hideki, pedido para as estrelas (foto: Aldo Shiguti)

 

Idealista – Natural de Vitória (ES), Fabio Hideki, de 27 anos, reside atualmente no Butantã (zona Oeste de São Paulo). Segundo a mãe, aos 17 anos, prestou vestibular, passou de primeira na Poli e desde então mora em São Paulo. Funcionário do Centro de Saúde Butantã, trocou o curso de Engenharia Ambiental pelo de Ciências Sociais na USP e atualmente cursa Jornalismo na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Helena o define como uma pessoa “calma, pacífica, idealista e que luta por um mundo melhor”.

“O Fábio participa há muitos anos de manifestações públicas de vários movimentos sociais, como a volta do ônibus 577-T Jardim Miriam X Vila Gomes. Como ele trabalha no Centro de Saúde do Butantã e vê a dificuldade das pessoas idosas,  participou das manifestações pela volta da linha e conseguiram êxito”, explica a mãe, lembrando que o filho também esteve em Pinheirinho levando mantimentos para a comunidade. “Ele é funcionário e estudante da USP. Nós da família sempre respeitamos a opinião dele e o apoiamos. O Fábio sempre participou de manifestações públicas, sempre de maneira pacífica, conforme sua criação”, conta ela, acrescentando que “ele não carregava nenhum artefato como comprova várias testemunhas”.

 

Ícone dos manifestantes – A prisão de Fábio Hideki desencadeou uma série de movimentos e manifestações sociais. Um deles é o “Liberdade para Hideki”, cujos voluntários estiveram no dia 19 na Praça da Liberdade, em São Paulo, durante a realização do 36º Tanabata Matsuri – Festival das Estrelas, para pedir sua liberdade. Para o deputado estadual Adriano Diogo (PT), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo, o ativista nikkei foi preso por ser “um símbolo das manifestações”.

“O Hideki foi preso não por seus defeitos, mas por suas quaidades. tinham que pegar um japonês e pegaram o Fábio”, disse o deputado justificando que “no imaginário das pessoas, o japonês é aquele cara certinho, mas que também pode ser radical”.

“Mas pegaram o japonês errado. Pegaram o japonês que não fez nada, pegaram o japonês estudioso”, explica Adriano Diogo, afirmando que “prenderam o Hideki porque ele era um ícone dos manifestantes”. “Ele se vestia com toda indumentária de manifestantes, com capacete  e tudo mais. Pegaram o Hideki para servir de exemplo”, criticou o deputado, destacando que “esse caso precisa  ganhar repercussão internacional”.

 

Solidariedade – “Recebemos varias manifestações de apoio de alunos, amigos, professores universitários, juristas de renome, mas ate agora não fomos procurados por nenhuma entidade da comunidade nikkei”, diz Helena, que agradece “o apoio do deputado estadual Adriano Diogo, do Condepe-SP (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Humana), do Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP) e muitos outros amigos”.

 

A defesa – Procurado pela reportagem do Jornal Nippak, o advogado do estudante, Luiz Eduardo Greenhalgh disse que aguarda “o julgamento do mérito do Habeas Corpus”. “O indeferimento da liminar [ocorrido nesta terça-feira] não tem nada a ver com o mérito do Habeas Corpus, que provavelmente será julgado na semana que vem. Temos a plena convicção que o Habeas Corpus será concedido e que ele será posto imediatamente em liberdade”, garantiu o advogado.

(Aldo Shiguti)

 

 

 

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2 Comments

  1. Bons tempos em que os nikkeis eram símbolo de honestidade, retidão, esforço… Hoje em dia até vagabundo black bosta tem…

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