COMUNIDADE: Mario Ikeda é empossado membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura

O delegado aposentado da Polícia Federal, Mario Ikeda, tomou posse como membro da Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura (Abrasci) em solenidade realizada no dia 28 de janeiro, no Pestana São Paulo Hotel, na zona Sul de São Paulo. Mario Ikeda passa a ocupar a cadeira de número 18.

 

Mario Ikeda é empossado observado por Ryusaburo Mizuno e demais membros da Academia (Facebook/divulgação)

Mario Ikeda é empossado observado por Ryusaburo Mizuno e demais membros da Academia (Facebook/divulgação)

 

A cerimônia contou apenas com a presença de acadêmicos, entre eles o cantor e compositor Luiz Ayrão, além de familiares e Ryusaburo Mizuno, “o filho do pai da imigração japonesa”.

A Academia Brasileira de Ciências, Artes, História e Literatura é uma entidade cultural que está em atividade desde 1910, de quando datam seus primeiros registros ainda como “Academia Brasileira de História”. Tem, entre seus objetivos, a promoção e divulgação dos valores das artes, das ciências, da história e da literatura, como elementos de formação no desevolvimento da consciência nacional e o intercâmbio cultural e científico com outras nações, além de servir como canal de comunicação entre os associados e a sociedade em geral e a promoção de cursos, palestras, exposições e seminários.

Seu trabalho vem ganhando prestígio e respaldo social, conquistando parcerias com instituições no Brasil e no exterior, como o Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Clube dos Pioneiros de Brasília e o Memorial Juscelino Kubitschek, entre outros.

 

Ikeda foi empossado na categoria Ciências (Jurídicas) (Foto: facebook/divulgação)

Ikeda foi empossado na categoria Ciências (Jurídicas) (Foto: facebook/divulgação)

 

 

Surpreso – Em entrevista ao Jornal Nippak, Mário Ikeda disse que ficou surpreso com a indicação. “Jamais imaginaria que algum dia pudesse fazer parte de uma entidade cultural tão conceituada como esta”, disse ele, infomando que foi empossado na categoria Ciências (Jurídicas). Segundo o ex-policial, a Abrasci reúne 40 acadêmicos – dez para cada uma das áreas (Ciência, Artes, História e Literatura).

“Diferentemente do que foi divulgado por alguns órgãos da imprensa nikkei, a solenidade foi fechada. Até pensei que  haveria outras homenagens mas me senti ainda mais lisonjeado quando soube que aquilo tudo era somente em função da minha posse”, disse Ikeda, destacando que as atividades da Abrasci não lhe eram totalmente desconhecidas.

“Frequento a Academia há mais de 20 anos e de vez em quando era homenageado”, conta, acrescentando que sua ligação com a entidade teve íncio quando ainda exercia o cargo de delegado da Polícia Federal. “Certa ocasião, ajudei a apreender e devolver uma estátua feita por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que estava desaparecida há vários anos. A apreensão foi feita em São Paulo e a obra foi devolvida à Igreja Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, Minas Gerais. Na época, o caso ganhou bastante repercussão”, explica Ikeda.

 

Luiz Ayrão, Mario Ikeda e Ryusaburo Mizuno (Foto: facebook/divulgação)

Luiz Ayrão, Mario Ikeda e Ryusaburo Mizuno (Foto: facebook/divulgação)

 

Shindo Renmei – Responsável pela vinda do cantor japonês Itsuki Hiroshi ao Brasil em novembro do ano passado como parte das comemorações dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, Mario Ikeda, acredita que o seu trabalho de pesquisa sobre a imigração japonesa também pesou na decisão do colegiado da Abrasci.

Na verdade, explica o ex-delegado, é um trabalho em duas frentes. Um, de pesquisa sobre a história da imigração, que permitiu que conhecesse e se tornasse amigo de Ryusaburo Mizuno. E outro sobre a verdadeira história da Shindo Renmei. “Sempre tivemos uma imagem negativa sobre esse episódio, mas é uma passagem que a comunidade nikkei tem que se orgulhar. O que eles praticavam não eram ações terroristas, mas atos patrióticos”, afirma Ikeda, acrescentando que “pode parecer paradoxo vindo de um ex-policial”.

“Particularmente, me sinto feliz e orgulhoso, mas minha preocupação é sempre com a comunidade nipo-brasileira, por isso, faço questão de dividir essa conquista com todos”, destacou Mario Ikeda.

 

ALDO SHIGUTI

ALDO SHIGUTI

Redator-chefe
ashiguti@uol.com.br
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